Por André Delacerda.

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Os anos se passam, e Malaquias continua realizando seus estudos fora do país. No Rio de Janeiro, Oliveiras Tejo e Camargo continuam com a casa de azeite, e abrem uma pequena bodega na região conhecida como Tijuca, próximo ao maciço de mesmo nome. Local onde morava a misteriosa mãe de Camargo.

 

Um dia quando estavam visitando as instalações do negocio aberto na povoação da Tijuca, a família Oliveiras Tejo é convidada a conhecer a casa onde habita a mãe de Camargo.

– Venham até a casa da minha mãe.

Convida o sócio de D. Manuel.

Após andarem algumas léguas e entrarem em um verde sitio, eles podem ver um sobrado de cor amarelo em meio a duas palmeiras imperiais. Ao soltarem, são recebidos por uma criada, que cuidava de dona Esdras.

– Entrem.

Dizia uma voz idosa.

– Muita satisfação senhora.

Diz Oliveiras Tejo.

– Sente-se meu filho.

Diz a senhora cega, com cabelos alvos.

– Quero falar a sós com sua esposa. Tenho algo para dizer-lhes.

Oliveiras Tejo fica espantando com o pedido, mas cede o lugar a esposa. Camargo o leva até a cozinha.

– Fique tranqüilo meu amigo, minha mãe é vidente.

Diz o homem.

– Vidente. Você nunca havia comentado isso.

Diz D. Manuel.

– Ela é muito reservada. Inclusive D. Carlota, utilizou-se dos serviços da minha mãe. Mas não podíamos contar a ninguém, porque até D. João veio aqui.

– Nunca imaginei D. João, um católico nato, se utilizando de videntes.

Diz Oliveiras Tejo.

– Ele nos pediu que guardássemos segredo enquanto estivesse no Brasil.

Diz Camargo continuando.

– Imagine o que a Santa Sé iria dizer.

– Rei Herege.

Exclama D. Manuel.

Na sala, segurando uma das mãos de D. Mariana, que parecia ansiosa, Esdras começava a lhes contar algumas coisas.

– Sei que você está meio aflita, mas seu filho está bem. Logo virá um neto, fruto de um relacionamento com uma mulher da terra dos perfumes.

Diz Esdras.

– Como sabe que meu filho namora uma francesa?

Pergunta D. Mariana.

– Eu não sei, somente as imagens me vêem a mente. Sou uma mulher cega.

E Esdras continua.

– Uma negra habitou o mesmo teto que vocês, na hora que mais precisar os filhos de fora do casal virão lhe ajudar.

Nesse instante D. Mariana arregala os olhos.

– Acalme-se.

Diz Esdras.

Cochichando mais alguns fatos. Minutos depois era a vez de D. Manuel ouvi na consulta que também teria algo que lhe surpreenderia.

– Já es um homem de idade avançada, não veras mais algumas mudanças nesse país. Negros livres, seus filhos e netos verão. Mas tu vás ao descanso eterno em pouco tempo.

Após a consulta, eles retornam a casa no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Um pouco fadigados pela viagem de charrete, D. Manuel resolve deitar, enquanto D. Mariana fica na janela vendo as pessoas passando na estreita rua. Nos instante em que imagina ver as pessoas, sua mente está em outro lugar, nas palavras proferidas por aquela senhora que conhecera a tarde.

A noite repousa sobre o Rio de Janeiro, cidade de boemia, de escravos, e das damas da noite que rondavam o cais repleto de navios estrangeiros.

Dias se passam. A rotina da família Oliveiras Tejo é a mesma. Até que uma carta chega do exterior.

– Olhe D. Manuel. É um carta de nosso querido Malaquias.

Diz D. Mariana eufórica.

– Deixe-me ver.

Diz o velho português, sentado em uma poltrona, pondo os óculos.

– Meu Bom Jesus, seremos avós.

Diz sorridente D. Manuel.

Neste instante D. Mariana lembra-se das previsões de Esdras e um calafrio lhe corta a coluna; com medo das que viriam a ocorrer futuramente.

– Não estas feliz mulher?

Pergunta o patriarca Oliveiras Tejo.

– Sim.

Diz D. Mariana com lagrimas nos olhos.

– Só tem uma noticia ruim, nosso filho só retorna ao Brasil em oito anos.

Diz. D. Manuel.

– Tudo isso. Será que estaremos vivos até lá?

Questiona D. Mariana.

– Isso não sei.

– O que importa é que a linhagem dos Oliveiras Tejo vai continuar.

Diz D. Manuel levantando-se e se dirigindo a uma adega no porão da casa.

– Vou pegar o melhor vinho para comemorar.

Diz ele.

Minutos depois, o silencio toma conta da casa, e não vendo o marido retornar, D. Mariana resolve ir ao encontro do marido, o encontrando no chão, com uma garrafa de vinho quebrada ao chão.

– Deus!!!!!!!!!!!!

Os gritos e choros de D. Mariana invadem a casa. Era o fato que tanto temia, revelado pela vidente mãe de Camargo.

Logo estavam os funcionários da casa matriz da loja da família diante de D. Mariana que estava em prantos na sala, enquanto Camargo e mais dois homens tratavam de levar o morto até o andar de cima e vesti-lo uma roupa de descanso.

O funeral ocorre no dia seguinte, abatida D. Mariana resolve não escrever para o filho para contar o fato, meses se passam e com a ajuda de Camargo a Casa Oliveiras Tejo & Candeias segue em ritmo normal.

– Já estou cansada, talvez não agüente ajudar-lhe compadre.

Diz D. Mariana.

– Venha o quando puder.

Diz Camargo, continuando.

– Seus dividendos na casa serão honrados como sempre, estamos em situação boa, vou senti a falta de amigo D. Manuel, mas vou dando conta dos negócios.

D. Mariana Faz um gesto com os olhos agradecendo o apoio do sócio.

Os anos se passam na ensolarada cidade do Rio de Janeiro. Que após viver uma serie de secas, começa a se preocupar com o futuro. Assim, o novo imperador D. Pedro II, resolve fazer uma empreitada, inspirado na sua mãe D. Leopoldina de Áustria que tinha uma visão bem ecológica e já havia feito o plantio de árvores em varias partes da cidade.

No ano de 1861 Major Archer e um grupo de escravos, inicia o legado ecológico de D. Pedro II ao Rio de Janeiro, e planta mais de oitenta mil árvores da montanha chamada de Maciço da tijuca.

Enquanto isso na casa dos Oliveiras Tejo algo iria ocorrer.

Vinda de bandas ao longe do Centro uma senhora negra, e dois rapazes robustos caminham no sentido a região central da cidade. Horas depois eles param em frente a uma casa que era familiar para Yoba.

– Essa é a casa do vosso pai.

Diz a senhora.

– Vamos falar com ele?

Pergunta Joaquim, um dos filhos.

– Não. Ele já se foi.

E o que fazemos aqui?

Pergunta Pedro.

Logo saberão.

Após algumas batidas na porta, a mesma se abri e D. Maria ver a imagem de Yoba e dois rapazes.

– Venho em paz, D. Mariana.

– Entrem por favor.

Diz a senhora Oliveiras Tejo, olhando os rapazes e notando algumas semelhanças mestiças com o seu falecido esposo.

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