Pacificado - Foto: Divulgação

O diretor americano Paxton Winters morou durante três anos no Morro dos Prazeres e decidiu produzir um filme que contava um pouco do cotidiano das pessoas que ali vivem. O resultado é Pacificado, premiado como melhor filme na edição 2019 do tradicional festival de San Sebástian, na Espanha, e que entra para a lista de mais uma produção audiovisual sobre a periferia brasileira e sobretudo, carioca.



Siga nossas redes e assine nossa newsletter, de graça

Jornalismo sério, voltado ao Rio de Janeiro. Com sua redação e colunistas, o DIÁRIO DO RIO trabalha para sempre levar o melhor conteúdo para os leitores do site, espectadores dos nossos programas audiovisuais e ouvintes dos nossos podcasts. O jornal 100% carioca faz a diferença.

É extremamente difícil fazer uma filme sobre essa ótica e não cair nos inevitáveis clichês que esse tipo de desafio apresenta. Pacificado não passa ileso por essa missão.

O roteiro começa colocando como personagem principal a jovem Tati (Cássia Gil), menina que mora no morro e vive a expectativa pela liberação do pai, Jaca (o belga nacionalizado brasileiro Bukassa Kabengele). O protagonismo passa a ser dividido quando ele sai da prisão após cumprir a pena. Disposto a deixar a vida de chefão do tráfico para trás. A situação fica ainda mais difícil quando percebe que muita gente na comunidade ainda o considera o ‘frente’ do lugar, principalmente pelo jeito selvagem como Nelson (José Loreto), o atual dono do morro gerencia o local.

Como pano de fundo desse enredo, a pacificação realizada pela polícia militar do Rio de Janeiro para as Olimpíadas do Rio em 2016, daí o título do filme. Mas podemos facilmente traçar um paralelo com o momento vivido por Jaca, que, após sair da cadeia, não quer voltar a se envolver com o crime organizado, mesmo estando inserido em uma realidade que praticamente o obriga a isso.

Pacificado sugere uma nova visão, com assuntos pouco abordados em filmes desse tipo, como a relação conturbada entre mãe e filha, muito bem desenvolvida pela as atrizes. Aliás, a caracterização de Débora Nascimento, que dá vida a Andrea, mãe de Tati, é um dos bons destaques do longa.

É muito importante termos vários olhares sob a mesma perspectiva, no entanto, Pacificado, apesar dos bons momentos, escorrega na tentativa de ser o diferencial dos filmes com temas sobre periferia. É um importante registro, de fato, mas que passa longe da contribuição que deram produções como “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite“, por exemplo.

O DIÁRIO DO RIO assistiu Pacificado no Festival do Rio.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui