Para rir e pensar: sucesso de público e crítica, “Vida útil” chega ao Teatro Glauce Rocha, no Centro

Com humor ácido, peça descortina os embates no ambiente de trabalho em temporada de 08 a 30 de maio

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Cena de Vida Útil - Crédito fotográfico André Garzuze

Um expediente prestes a encontrar seu fim em um escritório à beira de um ataque de nervos. O que acontece se ele não terminar? Esse é o ponto de partida da comédia “Vida Útil”, que chega ao Teatro Glauce Rocha, no Centro, em temporada de 08 a 30 de maio, às quartas e quintas-feiras, às 19h.

Sucesso já visto por mais de 1 mil pessoas em sua estreia no teatro do Centro Cultural Justiça Federal, a peça tem direção de Marcelo Morato e texto inédito de Rafael Martins, que apresenta com humor ácido as interações entre colegas de trabalho em um ambiente tóxico e caótico. 

Sextou? Ainda não! 

Meia hora antes do final do expediente de uma sexta à noite, os funcionários de um escritório anseiam pelo término da jornada semanal, quando surge uma tarefa esquecida que os obriga a ficar além do horário. Isso acentua as tensões entre os personagens, encenados por Jade Freneszi, Júlia Couto, Lucas Garbois e Luciano Pontes, expondo-os a situações de desvalorização, assédio e abuso de poder. Em meio aos questionamentos sobre as relações no trabalho e os sonhos adiados de felicidade, os “colaboradores” descobrem que foram esquecidos e que estão trancados no edifício. E aí se dão conta de que tudo pode acontecer. 

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“A noção de “vida útil” é submetida a uma lógica de produtividade que ignora as vontades, os sonhos e a libido de homens e mulheres civilizados. Dirigir esse espetáculo me levou a reviver momentos angustiantes passados dentro de ambientes corporativos e a pensar em diversos amigos e familiares que ainda vivem essa realidade opressiva diariamente. Desde a pandemia, o mundo tem repensado suas formas de trabalho. Precisamos remodelar nossas rotinas no trabalho, para que a vida seja mais prazerosa, sem deixar de ser produtiva”, conta o diretor Marcelo Morato. 

Da vida ao palco

O idealizador do projeto é o ator paraense Luciano Pontes. Radicado no Ceará por décadas, mudou-se de Fortaleza para o Rio de Janeiro para estudar artes cênicas ao se ver infeliz após uma longa trajetória exercendo outra profissão. De uma só vez, trocou de cidade e de carreira aos 34 anos. Ao ter acesso ao texto do amigo, o cearense Rafael Martins, a identificação foi imediata.

“A escolha pelo texto surgiu da vontade de trazer um autor ligado à minha origem para um palco do eixo Rio-SP juntamente com uma experiência pessoal de transição de carreira. Durante 12 anos, exerci uma profissão que não me trazia felicidade nem motivação para acordar todos os dias. Assim, decidi iniciar uma nova carreira, desta vez como ator”, revela Pontes.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à falta de saúde mental do trabalhador, acarretando uma perda de aproximadamente um trilhão de dólares para a economia global. Transtornos ligados à depressão e ansiedade estão entre as maiores causas entre os pedidos de afastamento de profissionais. 

“Essa montagem serve como lente de aumento de situações tóxicas vividas cotidianamente pelo espectador nas relações de trabalho, além de refletir sobre a qualidade da saúde mental no ambiente profissional, tema que gera muitos afastamentos do trabalho. E os números só crescem. É com urgência que temos que debater mais esses temas”, ressalta Pontes. 

Serviço:

Espetáculo “Vida útil”

Temporada: de 08 a 30 de maio de 2024

Teatro Glauce Rocha, Av. Rio Branco, 179 – Centro, Rio de Janeiro – RJ

Dias e horários: quartas e quintas, às 19h.

Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

Lotação: 201 lugares

Duração: 70 minutos

Classificação etária: 14 anos

Venda de ingressos: pelo site Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/vida-util/2415130) e na bilheteria do teatro.

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Renata Granchi
Renata Granchi é jornalista e publicitária com mestrado em psicologia. Passou pela TV Manchete, TV Globo, Record TV, TV Escola e Jornal do Brasil. Escreveu dois livros didáticos e atualmente é diretora do Diário do Rio. Em paralelo, presta consultoria em comunicação e marketing para empresas do trade.
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