Paulo Ganime: Sorria, você está sendo enrolado

Deputado federal e colunista do DIÁRIO DO RIO opina sobre a questão da segurança pública em território fluminense

Viatura da Polícia Civil nos arredores da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio
Viatura da Polícia Civil nos arredores da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio - Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Tá tudo errado! Uma coisa não podemos negar: as autoridades do estado do Rio de Janeiro têm um talento nato para engambelar a população com pretensas soluções efetivas para o grave problema da segurança pública. Assim, surgiram as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), a intervenção federal e houve até governador prometendo acabar com a violência em seis meses. Agora, o governo do Rio decidiu adotar as câmeras nos uniformes dos policiais militares, uma medida boa, mas simplória diante da complexidade de combate à violência no nosso estado.

Fato é que o Rio de Janeiro tem experimentado ao longo de décadas políticas de segurança equivocadas, que conseguiram, no máximo, reduzir a criminalidade por um curto período de tempo. Foi assim, por exemplo, com as UPPs, que começaram com enorme sucesso sendo a vitrine da política de segurança pública do governo Cabral-Pezão e a esperança de um Rio mais seguro. Acabaram engolidas por escândalos de corrupção.

Para piorar, há dois anos,o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a realização de operações policiais em favelas durante a pandemia de Covid-19. A decisão do ministro Edson Fachin só permitia operações em casos ”absolutamente excepcionais” com justificativa por escrito ao Ministério Público do Rio de Janeiro. A medida absurda apenas contribuiu para acentuar a ausência do Estado nas comunidades carentes, gerar mais riscos à segurança pública de toda a sociedade, aumentar o poderio bélico e expandir o domínio territorial dos bandidos.

Atualmente, o Rio continua vivendo a sua guerra, seja no morro ou no asfalto, com o aumento da criminalidade e o fortalecimento do tráfico e a expansão das milícias. No momento em que eu escrevia esse artigo, uma criança de 4 anos era atingida na cabeça por uma bala perdida, quando voltava da escola com sua mãe na Zona Oeste do Rio. O governo Cláudio Castro tenta dar uma resposta à opinião pública e driblar a incompetência e a ausência do Estado, realizando operações nas comunidades carentes. Porém, sem um trabalho de inteligência e com a falta de capacitação dos policiais, a estratégia não tem dado o retorno pretendido com a redução dos índices de criminalidade.

Esta semana, policiais militares de alguns batalhões da cidade começaram a usar câmeras acopladas às suas fardas. O governo assegura que os equipamentos são destinados à proteção e à garantia da legalidade, a fim de comprovar o bom trabalho da PM. Entretanto, elas chegam no momento em que a polícia é crucificada pelo resultado insatisfatório das operações nas comunidades por falta de planejamento do governo. O mesmo governo que tenta encontrar um bode expiatório que justifique sua própria incompetência. Por melhor que sejam as intenções com o uso das câmeras, a nova tecnologia, sem o suporte de um procedimento operacional padrão, é insuficiente para produzir os resultados desejáveis e ainda corremos o risco de assistir a intensificação da criminalização policial.

A verdade é que não existe uma solução simples para um problema tão complexo como a segurança pública. Para piorar, o Rio tem uma característica única, pois é controlado territorialmente por traficantes e milicianos, que ora se confrontam pelo comando de uma área e ora se unem contra as autoridades de segurança. Bandidos fortemente armados e, verdade seja dita, com poderio bélico às vezes maior que as polícias. E, nesse meio, vivem milhões de cariocas e fluminenses, que se defendem como podem. Os mais ”privilegiados” contratam segurança privada, compram carros blindados ou se trancam atrás de grades por medo da violência. Os mais carentes se escondem debaixo das carteiras das salas de aula ou dormem fora de casa para fugir dos constantes tiroteios.

O Estado precisa garantir a liberdade e a segurança do cidadão, seja ele de qualquer classe social ou nível educacional. O problema da criminalidade se combate com ações de planejamento, inteligência, modernização das polícias, aprimoramento das investigações e, acima de tudo, com a valorização dos policiais, não apenas com salários compatíveis, mas também com treinamento e planos de carreiras. A proteção da população vem da qualidade de como o policial é tratado. É preciso também prender os criminosos, estejam eles no morro, no asfalto ou dentro dos gabinetes das autoridades, e seguir o rastro do dinheiro da corrupção. Necessário cortar o mal pela raiz, doa a quem doer.

O combate à criminalidade no Rio é complexo e muito urgente. Não podemos mais aceitar ações paliativas. O próximo governo precisará ter coragem e competência para enfrentar esse grande desafio, que envolve ainda realizar uma ampla transformação em diversos setores, a fim de oferecer mais educação, cultura, emprego e renda e ações capazes de afastar os jovens do crime. A melhor política de segurança pública é aquela que salva vidas e pune os verdadeiros culpados.

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6 COMENTÁRIOS

  1. No momento nossa socie
    dade nem consegue dar aos criminosos o recado que o crime nao compensa. Portanto nenhuma acao dara resultado sem q se comece por ai. O maior chefe de quadrilha de tds Lula esta ai p provar q o crime compensa. E seu retorno teve o auxilio inexoravel de uma oposicao histerica e apaixonada ao atual governo. Nao da esquerda q nem precisou fazer oposicao mas sim de partidos pretensamente a direita como o proprio Novo.

  2. Já sei: vão dar cursinhos de EMPREENDEDORISMO grátis, né? Que legal! Vai resolver tudo. Um grande contingente de “empresários de si mesmo”. Além de tudo, uma pena imensa da polícia, né? Coitadinhos, né?

  3. Como SEMPRE, os que falam o que tem que ser feito e não o que encantado ou eleitor que gosta de ser enganado quer ouvir, são logo vítimas dos vassalos das gangues que dominam nossa política há décadas, senão séculos, com toda sorte de calúnias e distorções da verdade, exaltando os que sempre estiveram e estão aí acabando com nosso sofrido país. A verdade é: o Partido Novo, é sim, diferente da podridão que domina nossa política. Tem falhas? Claro, como TUDO que depende de pessoas, pois não somos perfeitos, mas faz o possível para se manter íntegro no mar de lama que vivemos. Se vc não quer continuar votando no menos pior, conheça o Partido Novo e seus candidatos. O deputado federal Paulo Ganime e outros do Partido Novo estão entre os 10 melhores parlamentares da atual legislatura, que tem mais de 500 deputados federais. O Partido Novo é o ÚNICO que não vive do infame Fundo Eleitoral, mas de seus apoiadores e filiados, como TODO partido sério deveria fazer, portanto, se vc quer mesmo mudar nosso país, conheça o Novo e mude também para ter orgulho de seu voto em vez de passar mais 4 anos se lamentando.

  4. O problema não foi o projeto das upps, mas os políticos… Quer colocar na conta do Castro anos de corrupção política e abandono?! Não existe nexo nessa colocação (mesmo não sendo fã do Castro)! E tem que ter repressão todos os dias! Polícia em todos os cantos com o principal: aparato jurídico! Só ouço esse papinho de “inteligência” como se fosse a solução! O estado coloca uma arma na mão do policial e diz pra se virar, mas se um juiz comete corrupção,
    recebe aposentadoria compulsória… Peço
    que o nobre deputado participe de uma ação policial e depois venha nos relatar… muitos “especialistas” em segurança pública que só viram tiroteios do seu sofá ou nas páginas de jornais infectados por pseudojornalista… Vergonhosa essa retórica, a mesma usada por Freixo kkkkkkkk… por isso que digo: novo já nasceu velho…

    • é isso, falam do que não sabem, comentam o que nunca praticaram. Sim tem falhas, onde não. Usar essas falhar como palanque não é uma boa estrada. Ficar entre os 10 inertes é fácil. vai lá e não faz nada, pronto, nunca terá problemas ou atritos. A segurança é conceitual, e vai levar anos após a implantação de políticas sérias e atualizadas de segurança pública. Interesses financeiros são o grande câncer da nossa segurança. Como toda a empresa, se asfixiar a entrada de capital na empresa do tráfico, muitos desembargadores, presidentes de tribunal, juízes e advogados são igualmente asfixiados. A violência nas ruas é só a ponta do vulcão. Fechem as fronteiras das entradas. Barcos circulam em favelas margeadas por agua salgada e ninguém controla a navegação. Trens saem da costa verde e seguem para todo o país sem qualquer possibilidade de controle ou verificação. Não culpem os nossos bravos, que morrem por nós, enquanto acordos são feitos nas coberturas e mansões regados ao bom fumo e brilho na zona sul. Culpar os operários e subalternos é a grande assinatura na carta da falência coletiva da administração corrompida da sociedade intelectualóide. Como diria um amigo, “chuparam laranja com quem”, falam sem nunca terem pisado em um campo de confronto, falam em defesa própria, de suas sustentações como indivíduos de um clan corrompido por seus vícios e títulos de virtudes corroídas por seus diplomas e ferrugem da umidade de seus ar-refrigerados. Intelectualóides patéticos.

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