Enfermeira Rejane, deputada estadual no RJ pelo PCdoB - Foto: Reprodução/Internet

O Partido Comunista do Brasil, PCdoB, desistiu de lançar a deputada Enfermeira Rejane como candidata à Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. A legenda vai apoiar o PT, que tem Benedita da Silva como pré-candidata na eleição municipal deste ano.

O PCdoB fará uma convenção nesta quarta-feira, 16/09, para confirmar o apoio ao Partido dos Trabalhadores e tratar da questão das candidaturas de vereadores.

Antes de ser confirmada como pré-canididata, Enfermeira Rejane chegou a ser citada como apoiadora ou até possível vice de Renata Souza, candidata pelo PSOL.

Processos  outros que se colocam para o PCdoB a nível nacional nos trazem uma nova orientação, que em muito difere da missão para a qual me disponibilizei, alterando o rumo da construção política na capital, que ganha nova conformação num processo de aliança e de retirada do protagonismo do partido na disputa pela Prefeitura do Rio“, disse Rejane.

Rejane seria entrevistada pelo DIÁRIO DO RIO nesta quarta, mas, por ter retirado sua pré-candidatura, a live foi desmarcada.

Confira na íntegra a carta de Rejane tratando do assunto:

CARTA AO  PCdoB

Dirijo-me  à militância do Partido Comunista do Brasil , à Sociedade Carioca, e a parte significativa da minha categoria profissional que tanto me apoia e a qual dedico toda minha vida, para agradecer o entusiasmo e o carinho com que receberam a indicação de minha pré candidatura à prefeita do Rio. Nesses dois últimos meses, quando o partido me convocou para, ainda que numa situação bastante desvantajosa,  assumir a vacância do nome majoritário para prefeitura do Rio, em nenhum momento vacilei, tamanha  era a importancia do desafio.

Na oportunidade colocar meu nome à disposição do partido, era ter a perspectiva da construção coletiva de um projeto político de fortalecimento e avanço do PCdoB no Rio. Com amplo engajamento da militância, e que iria para além do processo eleitoral, levar nossas análises da política nacional e local a um grande número de pessoas. Iria também reforçar o processo de filiações para fazer crescer de maneira real e consistente nossa participação na política fluminense, em especial na capital, onde há tempos não conquistamos um mandato de vereador.

Sabemos que recentemente,  na esperança de eleger uma “nova política”, os eleitores do Rio foram enganados e apostaram num governador que se apresentava inicialmente como aquele que veio para acabar com a corrupção. Depois de eleito o que o governador queria era  “mirar na cabecinha” da população das comunidades e favelas.  Agora deve sofrer um impeachment por ter se comportado de forma oposta a suas promessas. 

Mas, antes, em 2016, também os cariocas apostaram num prefeito que no lugar de cuidar das pessoas como prometera, demitiu 1400 trabalhadores da saúde para ocupar essas vagas com “guardiões” para calar as denúncias da população e da imprensa. Um prefeito que trabalhou 4 anos para “evangelizar” a política municipal, incentivar o preconceito religioso e destruir as festas populares, em especial o Carnaval que é o grande motor econômico da cidade, além de ser reconhecido como o maior espetáculo da Terra!

Esses são os inimigos do povo trabalhador a serem derrotados nesse momento, e  por  esse motivo aceitei a convocação, sabendo que era a hora de enfrentar com toda nossa firmeza política o fascismo miliciano em nossa Capital e Estado, até porque estamos comprometidos em derrotar esses falsos governantes que preferem a política do ódio e seguem destruindo o Estado e a cidade que os cariocas tanto amam.   

Partimos de uma avaliação de que, dado o difícil momento por que passam  nosso estado e cidade, com políticos de todas as esferas de poder e diferentes partidos presos, denunciados ou envolvidos em escândalos diários de corrupção  e fraudes, em especial em uma área tão sensível como a saúde, aliado ao declínio econômico e financeiro pelo qual já vinha passando, e se aprofundou com as políticas econômicas excludentes dos governos Temer e Bolsonaro, agravadas ainda mais com a chegada da pandemia, essa seria uma ótima oportunidade para colocarmos minha trajetória de ética política, de lutas na saúde, na gestão sindical e do Conselho Regional de Enfermagem e nos dois mandatos de deputada estadual, a serviço da construção de uma proposta de avanço e credibilidade na política do Rio no enfrentamento ao fascismo e à ultra direita que tomou de assalto a política brasileira.

Dentro dessa perspectiva, assumi um compromisso com nossa militância, em especial nossa “corajosa nominata” de trabalhar incansavelmente pela ampla divulgação e fortalecimento de nossos candidatos, cujas dificuldades são bastante conhecidas por todos os membros do partido.

Entretanto, processos  outros que se colocam para o PCdoB a nível nacional nos trazem uma nova orientação, que em muito difere da missão para a qual me disponibilizei, alterando o rumo da construção política na capital, que ganha nova conformação num processo de aliança e de retirada do protagonismo do partido na disputa pela Prefeitura do Rio.

Diferente de qualquer outro partido, o PCdoB é pautado pelo centralismo democrático. A premissa desse método é que nossos quadros e militantes têm “liberdade de discussão e unidade total na ação” o que não significa de modo algum um pensamento uniforme. Ao contrário, somos mulheres e homens que estão compromissados em toda sua vida com um olhar nacional sobre os interesses do povo, em cada canto do Brasil.

Isso posto, acato a decisão de meu partido de retirar minha candidatura à prefeita do RIO cidade que está gravada no meu coração e mente e é parte de minha identidade.

Sigo em meu mandato defendendo toda a classe trabalhadora, nosso Estado e cada município onde vive nosso povo. Trabalharei dia e noite para que o Estado do Rio de Janeiro  volte a ser um Estado onde as condições sociais, a dignidade humana e a vida do nosso povo seja a prioridade dos governantes.

Deputada Estadual-RJ Enfermeira Rejane

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