Pesquisa revela que 56% dos estudantes do Rio têm na merenda escola a sua principal refeição

De acordo com a pesquisa, entre os alunos negros (44%) a insuficiência alimentar seria maior diante dos alunos brancos (33%)

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Foto: Reprodução/Internet

Uma pesquisa realizada pelo Observatório da Alimentação Escolar (ÓAÊ) identificou que 56% dos estudantes têm na alimentação escolar a sua principal refeição do dia. O levantamento também verificou que, para 41% dos estudantes, a quantidade de alimento ofertado é insuficiente. Entre os alunos negros (44%) a insuficiência alimentar seria maior diante dos alunos brancos (33%), de acordo com a pesquisa, que será oficialmente lançada, neste sábado (18), com o objetivo de destacar a importância da oferta de uma alimentação de qualidade no sistema público de ensino.

O levantamento “Conta Pra Gente Estudante – Grande Rio”, realizada em parceria com a Ação da Cidadania, identificou ainda que os alunos da rede pública de ensino são os maiores consumidores da merenda, com 87% de participação. Quanto à frequência, a pesquisa verificou que 92% dos estudantes recebem alimentação todos os dias contra 6%, que apontaram irregularidade no fornecimento. Na mostra estudada, apenas 1% dos alunos responderam que recebem apenas lanches para se alimentar, o que contraria o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Outra reclamação dos estudantes é quanto a diversificação dos alimentos oferecidos nas escolas.

A coordenadora do ÓAÊ, Mariana Santarelli, lembrou que as prefeituras têm um grande papel no enfrentamento do fome no Brasil, especialmente no que diz respeito a crianças e adolescentes.  

“As prefeituras precisam compreender que a alimentação escolar é a estratégia mais eficiente para o enfrentamento da fome com alimentos saudáveis, e empenhar maiores esforços e recursos públicos para a melhoria da qualidade”, afirmou Mariana Santarelli.

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No Estado do Rio de Janeiro foram entrevistados pelo Observatório 1.046 estudantes (55%) e seus responsáveis (45%), da rede básica de ensino – incluindo ensino primário/creche (11%), fundamental I (36%), fundamental II (31%), médio (18%) e médio-técnico (4%) – da rede pública estadual (31%) e municipal (67%). Os municípios fluminenses estudados foram: Rio de Janeiro, Queimados, Nova Iguaçu, Mesquita, Magé, Guapimirim, Japeri, São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias, Nilópolis, Niterói e São Gonçalo.

No recorte “Qualidade da alimentação escolar e participação social”, 87% dos alunos disseram considerar a alimentação escolar fornecida em suas escolas saudável, porém 56% deles queixaram-se de nunca terem participado de atividades escolares relacionadas à alimentação saudável. Além disso, 56% dos estudantes ignora que a alimentação escolar é uma política pública nacional estabelecida por lei. Da mesma forma, 77% dos entrevistados desconhecem a existência dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs), enquanto 85% não sabem como denunciar problemas pertinentes à alimentação escolar, e outros 87% nunca se engajaram na garantia do recurso.

No que diz respeito à qualidade de certos alimentos servidos nas escolas, os estudantes queixaram-se da oferta excessiva de biscoitos salgados (79%) e sucos industrializados (31%). Na legislação do PNAE constam as quantidades mínimas de frutas, legumes e verduras que devem ser ofertados, além das quantidades máximas de bebidas lácteas com aditivos ou adoçados, biscoito, bolacha, pão ou bolo. Sendo que as gorduras trans industrializadas, os alimentos ultraprocessados e a oferta de açúcar para as crianças até três anos são terminantemente proibidos.

No universo dos entrevistados, 44% não sabem o que são alimentos ultraprocessados, apesar de 36% da mostra ter afirmado que tais alimentos fazem parte da alimentação escolar diariamente. A cifra sobe para 72% quando somados os casos em que os ultraprocessados são servidos, entre 1 e 4 vezes por semana, nas escolas. Os alunos (15%) lembrar que nas instituições onde estudam há cantinas para a compra de ultraprocessados e alimentos similares.

Sobre os alimentos mais frequentes nos pratos dos alunos estão o feijão e o arroz, com 97% e 96%, de participação, respectivamente. Em 84% das escolas dos estudantes entrevistados são servidos legumes e verduras estudantes, ovos (83%), carnes (78%) e frutas (61%).

A coordenadora de Advocacy da Ação da Cidadania, Ana Paula Souza, destacou a necessidade de garantir a segurança alimentar da população, especialmente das crianças que estão em fase de desenvolvimento. Ela destacou ainda que é importante que a sociedade exija que uma alimentação de qualidade seja servida nas escolas.

“Precisamos não só combater a fome, mas promover a Segurança Alimentar e Nutricional, o que significa garantir a saúde da população, principalmente das crianças que estão em fase de desenvolvimento de suas capacidades físicas e cognitivas. No caso da alimentação escolar, já temos todos esses elementos descritos no Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). Agora, é imprescindível que a população se aproprie dessa informação para exigir que a refeição servida na escola tenha a quantidade e qualidade adequadas de alimentos. Além de cobrar que os gestores municipais e estaduais atendam o mínimo de compra de alimentos vindos da Agricultura Familiar. Esse controle social, por parte da população, deve fazer parte do dia a dia de estudantes e responsáveis”, disse Ana Paula Souza.

Pela Lei 11.947/2009, pelo menos 30% do valor repassado aos estados, municípios e Distrito Federal pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o PNAE devem ser destinados à compra de alimentos produzidos no âmbito da agricultura familiar. Apenas Duque de Caxias informou ter alcançado, recentemente, tal meta. A maioria dos municípios não compra a cota mínima dos alimentos da agricultura familiar.

As informações são do jornal O Dia.

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