Prédio na Mem de Sá onde funcionou clínica é invadido e está sendo depredado pelos invasores

O sobrado histórico vem sendo depenado por invasores, dia após dia, com forros e portas sendo arrancados desde que o imóvel foi invadido em Junho. Moradores do entorno estão preocupados com barulho, sujeira e risco de incêndio

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Foto: Daniel Martins/DIÁRIO DO RIO

O lindo imóvel histórico localizado na avenida Mem de Sá numero 291 – bem na esquina com a rua Tenente Possolo funcionou anos como uma Clínica de Doenças Renais, a Renal Service. O imóvel chegou a ser totalmente restaurado para receber a clínica de hemodiálise, que ficou muitos anos no local, sendo reconhecida como um serviço de bom nível pelos moradores da região.

A clínica acabou desocupando o imóvel em final de 2018, e, segundo informações do mercado imobiliário, o prédio – que tem fachada para três ruas – esteve à venda, tem 4 andares e até elevador moderno, escadas com corrimãos em aço inox e uma boa infraestrutura. A edificação, que pertence a particulares, começou a ser criminosamente invadida em junho deste ano, e, a partir daí, é comumente visto com suas janelas abertas, batendo com o vento, e cercado de lixo e mau-cheiro.

Os invasores têm trabalhado na destruição e depenamento do imóvel noite e dia. Moradores da região, que pedem para não ser identificados, informaram a reportagem que vêem coisas sendo arrancadas, forros desmontados, e acompanham a saída de materiais do imóvel. Portas estão sendo retiradas e vendidas no local (fotos ao fim da reportagem). São constantes os relatos de que pessoas em estado de torpor causado pelo uso de substâncias químicas ilícitas vagam pelos arredores, e entram e saem por suas portas portando cachimbos, e isqueiros, assim como colheres chamuscadas. Os esbulhadores atiram entulhos e partes que arrancam do imóvel pelas janelas.

Depois da invasão, observou-se um aumento do número de ‘cracudos’ no local, vagando e observando a rotina dos moradores, assim como importunando o comércio da região, que já vinha combalido da crise causada pela pandemia. Moradores do prédio ao lado disseram pra reportagem que têm receio de riscos de incêndio, tendo em vista que já viram bujões de gás, velas e lâmpadas acesas indiscriminadamente, principalmente depois que o forro do segundo andar foi destruído e puxaram fios para uso clandestino e criminoso da eletricidade do prédio.

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Os moradores que falaram com a reportagem do DIÁRIO pediram anonimato, pois afirmam ser alvos de constantes ameaças quando abordam os invasores pedindo para que não joguem lixo na rua ou não passem a noite aos gritos ou consumindo drogas em público. Eles têm receio também da vindoura desocupação de uma igreja evangélica póxima, na própria rua Tenente Possolo, que está para entregar as chaves ao propietário; segundo eles, já escutaram conversas dos criminosos sobre invadir também este outro imóvel.

Para Cláudio André de Castro, do Conselho de Renovação do Centro do Rio de Janeiro, o problema é recorrente. “Qualquer estatística policial de mancha criminal na região central chega ao mesmo resultado: a quantidade de crimes que advém das invasões criminosas de imóveis é imensa e inclui tráfico de drogas, lei Maria da Penha, maus tratos a animais, jogatina ilegal, receptação, depósito de mercadoria roubada ou contrafeita e ferro velho ilegal. Tudo sempre travestido desse blábláblá de necessidade social. Os invasores da propriedade privada formam gangues especializadas em extorquir proprietários de imóveis vazios que não têm dinheiro pra pagar segurança, enquanto realizam outros crimes para aumentar a rentabilidade do ‘negócio’. Enquanto isso, criam pequenas pocilgas para pessoas que de fato estão em situação de vulnerabilidade morarem, normalmente pagando por isso”, dispara.

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