A Comissão de Acompanhamento da Tragédia de Petrópolis, comandada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aprovou por unanimidade uma nova convocação para o prefeito da Cidade Imperial, Rubens Bomtempo, comparecer às audiências públicas referentes ao caso.
Bomtempo faltou à convocação desta terça-feira (17/05) e irritou os parlamentares. Diante disso, uma equipe de técnicos da comissão foi levar pessoalmente ao prefeito uma nova intimação, mas ele se negou a recebê-la.
O chefe do Poder Executivo petropolitano chegou a pedir para um procurador municipal recebê-lo, mas o documento era pessoal a Rubens e, portanto, não poderia ser recebido por um outro funcionário.
A comissão quer ouvir o prefeito sobre o destino de uma verba de R$ 30 milhões doada pela própria Alerj logo após a tragédia das chuvas, ocorrida no dia no dia 15/02. Na reunião desta terça, o deputado Rodrigo Amorim (PSL), que é o presidente da comissão, lamentou que Bomtempo mais uma vez não tenha atendido à convocação, deixando vazia a cadeira reservada a ele.
”É uma atitude lamentável do prefeito, uma falta de respeito ao parlamento. E falta de respeito também com o povo de Petrópolis. É um absurdo ele não ter recebido a equipe de servidores com a intimação”, disse o parlamentar.
Benefícios sociais também em pauta
Representantes da Defensoria Pública do Rio de Janeiro aproveitaram a reunião para denunciar a falta de uma política de distribuição de benefícios sociais por parte do município de Petrópolis. De acordo com a defensora pública Luciana de Almeida Lemos, até 25/04, apenas 168 famílias haviam recebido o Aluguel Social. Além disso, o cartão Recomeçar, pronto para ser distribuído pelo Governo do Estado para as famílias adquirirem bens, ainda aguarda a listagem de beneficiados feita pela Prefeitura.
”Cabe ao município o envio da lista dos beneficiados, e ainda há muitas pessoas que podem receber o benefício e não o buscam simplesmente por não saberem que têm direito”, disse Luciana.
Rodrigo Amorim confirmou com o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Julio Saraiva, que as cestas básicas encontradas pela comissão no Sindicato dos Comerciários eram realmente cedidas pelo Governo Federal.
Segundo o secretário, originalmente, eram 8.750 cestas. Elas haviam sido depositadas primeiramente em um galpão em Mesquita, na Baixada Fluminense, à disposição da Prefeitura de Petrópolis.
”Com todo o respeito devido aos comerciários de Petrópolis, creio que não tem sentido algum um sindicato privado ficar responsável pela distribuição de cestas às vítimas. É mais um erro e um desleixo da Prefeitura local”, criticou Amorim.