Processo de reconstrução do Museu Nacional é colocado sob suspeita

A negligência da UFRJ com o Palácio de São Cristóvão poderia ser a ponta do iceberg. Segundo o JB, o projeto para reconstrução pode ter graves irregularidades

Fachada do Museu Nacional /Foto: Reprodução

Em editorial, publicado nesta sexta-feira (12), o Jornal do Brasil discorreu sobre os trâmites do projeto de reconstrução do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que foi atingido por um incêndio, em setembro de 2018, tendo sido quase totalmente destruído, assim como seu acervo. O imóvel onde funcionava o museu era gerido pela UFRJ e era tombado pelo Iphan; foi o Palácio Imperial brasileiro até o golpe de 1889, que derrubou a monarquia no país. O centenário jornal responsabilizou a “ganância e a incompetência” pelo ocorrido, destacando que tais adjetivos podem ser, novamente, empregados no momento da sua reconstrução: “como se a tragédia tivesse sido provocada exatamente para gerar novos lucros para quem imaginou acender o fósforo e que, agora, lucraria novamente reconstruindo o monumento que virou cinzas,” afirmou o veículo.

O jornal ressaltou que teve acesso a documentos que contêm graves denúncias de cometimento de irregularidades, no que diz respeito à contratação de uma empresa responsável por elaborar o plano de reconstrução do bem cultural incendiado. “Em linhas gerais é algo como incendiar uma segunda vez, só que com injeção de verbas em vez de injeção de fogo. E esse parece ser o modus operandi de todo o processo de reconstrução,” disse o JB no contundente editorial.

De acordo com o veículo, o Museu Nacional, que é subordinado à UFRJ, teria contratado de forma tecnicamente nebulosa uma empresa para fazer os projetos de construção controlada por um casal que seria parente do funcionário de outro órgão federal a quem caberia autorizar tais projetos. “Uma triangulação que, segundo as denúncias, poderia descortinar um evidente jogo de cartas marcadas e um conflito de interesses que vem alimentando as labaredas das graves suspeitas de corrupção que estão por trás da reconstrução do majestoso palácio incendiado”, enfatizou o Jornal do Brasil.

O JB afirmou ainda que a documentação que demonstraria a suposta “triangulação” estaria à disposição de todos em processo de livre consulta pública. O veículo destacou ainda que, mesmo que a documentação seja de livre acesso, a imprensa em geral e outras entidades não teriam demonstrado curiosidade em saber como está sendo idealizada a reconstrução do Museu Nacional. “Também causa surpresa que nenhuma esfera de governo tenha se dado ao trabalho de questionar indícios de irregularidades explícitos neste caso que causou tanta comoção nacional e internacional”, complementou o site, salientando ainda que, por conta das comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil, “uma denúncia sobre administração irregular do Museu Nacional chegou ao Congresso”, cujos integrantes já teriam acesso aos processos de livre consulta pública. Segundo o JB, se tais processos fossem investigados “poderiam comprovar um esquema viciado para obras de reconstrução, desde o início, e possivelmente, até hoje por se tratar dos mesmos gestores que continuam lá no comando do Museu Nacional”, destacou.

O veículo frisou também que a Controladoria Geral da União já teria sido alertada sobre as “possíveis irregularidades” no processo de reconstrução do Museu Nacional. O JB frisou ainda que, se a documentação fosse avaliada com atenção, seria possível providenciar a suspensão das obras até que todo o processo e pessoas envolvidas fossem investigados. “A celebração dos 200 anos de nossa independência é a cortina de fumaça favorita daqueles que não querem chamar atenção sobre as denúncias de irregularidades e seus projetos sob suspeita. Mas as denúncias estão aí, estão em evidência e devem ser apuradas com rigor, e com a eventual punição exemplar dos responsáveis. Esta será a melhor maneira do Brasil comemorar seu Bicentenário, salvando da desonra o palácio da assinatura do ato da Independência e da criação da nossa bandeira verde e amarela, finalizou o Jornal comandado por décadas pela Condessa Pereira Carneiro.

O DIÁRIO teve acesso a um relatório do Tribunal de Contas da União, com 93 páginas, em que pode-se ler, claramente, que a UFRJ foi negligente e desidiosa: ”Em face das condutas desidiosas e negligentes consubstanciadas no inadequado controle documental do acervo, inclusive de sua segurança, bem como na falta de segurança das instalações prediais, em especial, no que tange à ausência de prevenção, detecção e combate a incêndio foram realizadas propostas de audiência dos responsáveis, sem prejuízo da formulação de propostas de recomendações e determinações à UFRJ e a outros órgãos federais e estaduais, com vistas à imediata correção de falhas e impropriedades, no intuito de mitigar ocorrências semelhantes em outros museus e demais edificações tombadas pelos órgãos competentes.” o enorme e contundente relatório integra o processo TC 033.784/2018-3 no TCU.

Histórico de Incêndios em imóveis sob os cuidados da Universidade Federal do Rio de Janeiro

20-Abr-2021: Incêndio no edifício da reitoria da UFRJ 

02-Set-2018: Incêndio total do Palácio da Quinta da Boa Vista/ Museu Nacional

15-Ago-2018: Explosão no laboratório de metalurgia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe). Três feridos

25-May-2018: Incêndio no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Hospital do Fundão)

02-Ago-2017: Incêndio no Alojamento do Fundão. Quatro feridos

03-Out-2016: Incêndio no 8º andar do Edifício Reitoria da UFRJ

10-Dez-2014: Incêndio no Centro de Ciências da Saúde (CCS-UFRJ) 

10-Set-2012: Incêndio do prédio da Faculdade de Letras da UFRJ 

28-Mar-2011: Incêndio da Capela São Pedro de Alcântara e Almoxarifado da Faculdade de Educação

Leia na íntegra o editorial do JB: https://www.jb.com.br/pais/opiniao/editorial/2022/08/1039098-labaredas-ainda-queimam-o-museu-nacional.html

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9 COMENTÁRIOS

  1. Patricia. Atos negligentes não é o fato exato quando o orçamento repassado para a manutenção anual do Museu era abaixo do ridículo.

    • Há muito tempo, os reitores são escolhidos pelos partidos políticos e como ficou em mãos de esquerdistas, deu nisso. A UFRJ foi aparelhada por eles. O Bolsonaro não tem culpa. Quando pegou fogo, o reitor era do PSOL,se não me engano.

  2. Tudo que estes esquerdistas/comunistas tocam é destruído!. Eles não tem competência nem capacidade, se quer, para coordenar nem um boteco!.
    E, como sempre, tudo que passa pelas mãos deles tem corrupção e desvio de dinheiro público: incompetência e esquemas é o que define eles!.
    O Zé… você ainda acredita que o fogo foi acidente: ou você é um doutrina,?ou um doente mental: ou um burro mesmo!.

  3. Infelizmente estes bandidos escondidos em instituições públicas destruíram parte da história do nosso país e centenas de materiais de pesquisas de pessoas sérias de uma vida inteira. Pena que essa justiça ridícula nunca punirá estes responsáveis que continuam ali tramando como roubar dinheiro público e ajudar na destruição do país!!!

  4. E preciso descobrir e afastar uma corja de incêndiarios que existe nessa ainistracai faculdade, o incêndio desse prédio na minha opinião sempre foi suspeita.

  5. A pesquisa do JB é excelente, fruto de um trabalho excepcional. Fica a curiosidade sobre a ocorrência de “incidentes” por todo o Brasil, em particular, nas instituições sobre administrações loteadas para partidos de viés de esquerda. Para que não fique uma certeza de particularidade do Rio de Janeiro, onde as administrações não cuidaram dos armários onde se guardava os fósforos. Se valorizavam a cultura, era a cultura que podiam controlar. A que não estava em suas mãos, não mereceu destino diferente de regimes talibãs ou outra denominação fundamentalista.

  6. Diário tem que encabeçar uma campanha para tirar das mãos da UFRJ o comando do museu nacional, deixa nas mãos da prefeitura, acho que nem na época do inominável da universal ele teria deixado o museu queimar. Com as contas da prefeitura em dia ela tem melhores condições de cuidar do patrimônio.

    FORA UFRJ

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