Projeto Águas da Guanabara leva alunos da rede municipal de São Gonçalo à Praia das Pedrinhas

O Águas da Guanabara desenvolve atividades em São Gonçalo e Magé, com previsão de expansão para outras colônias de pescadores próximas à Baía

Alunos de uma escola municipal de São Gonçalo em passeio de barco, no âmbito do projeto Águas da Guanabara / Divulgação

A ação Educação Ambiental, desenvolvida  pelo projeto Águas da Guanabara da Federação de Pescadores do Estado do RJ (FEPERJ), levou 20 alunos do colégio Municipal Amaral Peixoto, localizado no bairro Lindo Parque, em São Gonçalo, à Praia das Pedrinhas, para atividades relacionados aos cuidados com o meio ambiente. As crianças, juntamente com bolsistas e pescadores do Águas da Guanabara, receberam orientações sobre Direito, Biologia, Veterinária e Geografia.

Bolsistas e pescadores falaram sobre as diversas atividades por eles desenvolvidas e tiraram as dúvidas dos estudantes. A bolsista do projeto e estudante de Direito, Maria Heloísa do Rosário, abordou questões relacionadas à decomposição de materiais não orgânicos e como o descarte inadequado de tais materiais nos mares e nos rios interferem nesses ecossistemas, gerando a poluição que mata animais e plantas.

“Dos materiais que são mais encontrados e coletados pelos pescadores, decidi falar com os alunos sobre o tempo de decomposição daqueles que eles têm mais acesso e utilizam no seu dia a dia, como, plásticos, garrafas pet, borracha, vidro e isopor. Os alunos não sabiam por exemplo, que o plástico é decomposto entre 400 e 450 anos, a borracha o tempo é indeterminado, assim como o vidro e o isopor levam cerca de 400 anos, eles ficaram bastante impactados com essas informações”, explicou a bolsista.

Com o objetivo de limpar a Baía de Guanabara e ajudar o trabalho dos pescadores da região, o projeto Águas da Guanabara já retirou das encostas e dos mangues da Baía mais de 800 toneladas de lixo flutuante, nos mais de 10 meses de atividades. O lixo da Baía, em boa parte, é proveniente dos rios que desaguam em suas águas.

“A nossa Baía hoje está completamente suja, cheia de plástico, o que prejudica não só a pesca, mas os peixes. Outro dia peguei uma tartaruga engasgada com plástico e por sorte consegui salvá-la. Tenho 23 anos na pesca e hoje estamos aqui lutando para melhorar o nosso ambiente pesqueiro”, afirmou o pescador, Valter Salles Moreira.

Já o pescador Carlos Antônio Marinho alertou as crianças sobre os perigos e os temerários impactos do descarte inadequado dos resíduos nas águas do Estado do Rio.

“Evitem jogar lixo nos córregos, nos rios, na praia, isso tudo contribui para cada vez mais aumentar a poluição da Baía de Guanabara. Cada um fazendo sua parte, jogando seu lixo na lixeira, não polui a baía. Nós sonhamos em ver essa baía despoluída”, disse Carlos Antônio, que trabalha como pescador há 30 anos.

Depois das palestras os alunos da rede municipal tiveram uma experiência imersiva ao participarem de um passeio em um barco de pesca juntamente com os pescadores.  A aluna Nicole da Silva, de 12 anos, ficou entusiasmada com a atividade e entendeu como é importante preservar também a fauna e os animais marinhos.

“Sempre tive vontade de ver os pescadores de perto e aprendi nessa aula que temos que priorizar os animais, e sempre cuidar dos peixes e assim deixar a natureza mais viva. Em relação ao lixo deveriam existir mais lixeiras nas praias”, destacou a estudante, cuja colega Larissa Conceição da Cruz ressaltou como os pescadores são dedicados à preservação da Baía de Guanabara: “Os pescadores aqui dão tudo de si, eu fiquei impressionada com isso, prestei bastante atenção em tudo que foi dito, e tenho certeza que se as pessoas não jogarem mais lixo no mar, teremos mais peixes. Eu também não sabia o tempo de decomposição do plástico, aprendi aqui, mas acho que todos devem fazer sua parte em nome do meio ambiente”.

Glaucia Batista, professora das crianças, afirmou que elas sempre sentiram necessidade de uma proximidade maior com os temas relacionados à natureza, por isso, a participação delas no projeto foi algo muito importante.

“Esse projeto tem esse viés de educação ambiental e as crianças precisam conhecer esse lado. A gente aplica em sala de aula, e aqui eles têm o contato direto e veem na natureza a questão da problemática dos resíduos sólidos, nas praias, nos mangues, nas ilhas. Então a ideia foi justamente essa, alinhar o que a gente aprende em sala de aula, com o que acontece na prática do projeto Águas da Guanabara,” esclareceu a professora.

O projeto Águas da Guanabara desenvolve atividades em São Gonçalo e Magé, na Baixada Fluminense, com previsão de expansão para outras colônias nas proximidades da Baía de Guanabara, região que tem uma intensa atividade pesqueira e que possui grande importância ecológica. O projeto conta uma equipe multidisciplinar que produz um farto material de pesquisa sobre questões ambientais.

A FEPERJ é uma entidade federativa de âmbito estadual que reúne 26 Colônias de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro.

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