Foto: Anderson Valentim (Favelagrafia)

O projeto Favelagrafia, que ganhou repercussão mundial há três anos após uma de suas fotos ser compartilhada pelo rapper americano Snoop Dogg, anuncia agora sua segunda edição. Com os mesmos nove fotógrafos envolvidos no trabalho anterior, o projeto agora vai dar visibilidade às potências criativas das favelas do Rio de Janeiro. Josiane Santana (Complexo do Alemão), Omar Britto (Babilônia), Anderson Valentim (Borel), Magno Neves (Cantagalo), Jéssica Higino (Mineira), Saulo Nicolai (Prazeres), Joyce Marques (Providência), Rafael Gomes (Rocinha) e Elana Paulino (Santa Marta) passaram três meses pesquisando, nas favelas onde moram, os artistas das mais diferentes manifestações culturais. E, ao invés de fotos, produziram pílulas de videoarte, filmagens curtas onde eles apresentam um pouco do trabalho desses moradores. No site e nas redes sociais do projeto será possível conhecer com mais detalhes o trabalho de cada um.

“Uma das coisas mais interessantes do Favelagrafia é ver que é um projeto orgânico e vivo, que continua acontecendo, mudando e se transformando. Vamos poder acompanhar agora a evolução desses nove artistas, ver um novo ângulo da visão apurada de cada um deles. Se antes fizeram um trabalho fotográfico incrível na primeira edição do projeto, agora estão apresentando um material magnífico em vídeo. Seguimos com o objetivo de mostrar o que há de melhor nas favelas, através do olhar de quem vive nelas. E vamos usar toda a visibilidade que o Favelagrafia ganhou para eles apresentarem outros talentos das favelas cariocas”, explica André Lima, co-CEO e CCO da nbs, agência que patrocina o projeto.

Para os vídeos do projeto, a poetisa, rapper e produtora Sabrina Martina, do Complexo do Alemão, preparou um texto especial, falando dos ataques poéticos e de como ela consegue viver das palavras, da poesia. Professora de balé no Morro do Adeus, Tuanny Nascimento mostra um pouco da sua arte, envolta em fumaça, remetendo aos personagens das favelas que não são vistos como deveriam.

“Temos como premissa a ideia de quem ninguém entende melhor das favelas do que seus próprios moradores. O olhar deles é o olhar verdadeiramente legítimo. Nesta segunda edição, a escolha sobre as potências artísticas que serão mostradas também foi inteiramente dos fotógrafos. E o trabalho está imperdível. As favelas estão cheias de talentos incríveis que realmente precisam ser vistos e valorizados”, comenta Aline Pimenta, diretora da nbs SoMa – o departamento de Social Marketing da NBS.

O projeto mostra ainda uma dupla de modelos com estilo afropunk, um dançarino de passinho, um skatista e até um surfista. O resultado do Favelagrafia 2.0 vai virar uma exposição no Museu de Arte Moderna (MAM Rio), em novembro, e estará também no site oficial e no perfil deles do Instagram.

Uma outra novidade dessa nova edição do projeto foi a oportunidade que os fotógrafos tiveram para disseminar o conhecimento nos locais onde moram. Cada um ficou responsável por organizar uma grande aula de fotografia, que tinha como público prioritário os jovens e crianças das nove favelas envolvidas com o projeto.

“Os nove fotógrafos do Favelagrafia viraram referência nos lugares onde moram. Passaram a ser conhecidos como fotógrafos e inspiração de vida. Sempre que eles estão captando imagens as crianças cercam, perguntam, querem aprender. Aproveitamos para colocar isso dentro do projeto dessa vez. E a recepção foi muito boa. Quem sabe não estamos ajudando no nascimento de novos apaixonados pela fotografia”, conta Aline.

O Projeto Favelagrafia 2.0 é incentivado pela Secretaria Municipal de Incentivo à Cultura, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS, realizado por ISL Produções e NBS Soma, com parceria da Tundra Studies e patrocínio do Uber.

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