Projeto piloto da saúde no Rio melhora qualidade de vida de pacientes renais crônicos

Programa piloto capacita pacientes para realizar diálise peritoneal domiciliar com equipamento ciclador. O objetivo é garantir melhora no bem-estar

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Hospitais de outros estados realizam também atendimentos. Reprodução: Agência Câmara de Notícias.

Desde janeiro de 2024, quinze pacientes renais crônicos da capital participam de um programa piloto de diálise peritoneal no Centro Carioca de Especialidades (CCE) em Benfica. O projeto, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde, tem como objetivo melhorar a qualidade de vida desses pacientes e já apresenta resultados positivos.

Em vez de se submeterem a sessões tradicionais de hemodiálise, realizadas em clínicas especializadas ou hospitais, no mínimo três vezes por semana, com duração média de três a quatro horas por sessão, os pacientes realizam a diálise peritoneal em casa, durante a noite, enquanto dormem.

O tratamento permite uma rotina mais normal para o paciente, que pode trabalhar, estudar e até mesmo viajar com menos restrições. A diálise peritoneal é considerada mais fisiológica e menos agressiva, proporcionando uma abordagem terapêutica que respeita mais o organismo do paciente.

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“Este método permite maior liberdade e flexibilidade, já que não requer deslocamento frequente a clínicas e hospitais. A diálise peritoneal envolve a introdução de uma solução na cavidade abdominal do paciente, onde ocorre a limpeza do sangue, sendo depois drenada junto com as toxinas”, explicam os enfermeiros Adriana Couto de Lima e Carlos Eduardo Souza da Silva, que estão à frente desse projeto no CCE.

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Programa consegue melhorar a qualidade de vida de vários pacientes. Reprodução: Divulgação/Sesab.

A iniciativa, ao instalar a máquina de diálise na residência do paciente e oferecer treinamento conduzido por uma equipe de enfermeiros e nefrologistas no CCE, realiza também visitas domiciliares para verificar a instalação e o funcionamento dos equipamentos. Durante essas visitas, é fornecido treinamento no local para garantir a correta utilização dos dispositivos. O monitoramento online permite que a família entre em contato com a equipe a qualquer momento pelo celular.

Desde que Francolino Barbosa de Oliveira, morador da Comunidade do Batan, em Realengo, entrou no programa de Diálise Peritoneal há apenas 15 dias, ele e sua família já sentem os benefícios desse tratamento. Alexandre Cerqueira de Oliveira, filho de Francolino e assistente de almoxarifado, relata que a qualidade de vida do pai melhorou significativamente desde que passaram a realizar a diálise em casa, ao invés das sessões tradicionais de hemodiálise em clínicas especializadas.

“Nossa vida mudou, assim como a qualidade de vida do meu pai, que não precisa mais ter que se deslocar três ou mais vezes por semana para fazer a hemodiálise, com risco de desmaiar na rua. Para mim e para a minha irmã, que trabalhamos o dia todo, e revezamos nos cuidados do nosso pai, também facilitou muito. Não tenho palavras para agradecer a possibilidade desse tratamento alternativo. Os cuidados que recebemos da equipe de enfermagem do CCE, foram e são fora de série”, afirma Alexandre Cerqueira.

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Programa supre os pacientes com todos os materiais essenciais. Reprodução: Agência Pará.

Além disso, o programa supre os pacientes com todos os materiais essenciais para a diálise peritoneal, incluindo a máquina de diálise, cicladora e uma entrega mensal de todos os materiais necessários para a continuidade do tratamento. Essa provisão é supervisionada por enfermeiros capacitados, que monitoram em tempo real todos os pacientes envolvidos, garantindo que tenham todo o suporte necessário para seu cuidado e bem-estar.

Atualmente, o programa conta com oito pacientes em tratamento e outros seis em fase de treinamento. A equipe do CCE leva em média 15 dias para preparar um paciente desde a desospitalização até a instalação da cicladora em sua residência. Os pacientes são provenientes de diversos hospitais, incluindo o Souza Aguiar, Rocha Faria, Pedro II, Evandro Freire e Francisco da Silva Telles. Os enfermeiros realizam agendamentos e reuniões com a direção e equipe técnica desses hospitais para estabelecer parcerias.

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Médica realizando procedimento no paciente. Reprodução: Divulgação/Sesab.

A faixa etária dos pacientes é variada, abrangendo desde jovens adultos de 33 anos até idosos. No entanto, o programa não contempla pacientes pediátricos. Vale ressaltar que o tratamento é um processo extracorpóreo no qual não há envolvimento de sangue. A substância é introduzida no organismo, realiza sua ação e é posteriormente removida, proporcionando um método seguro e eficaz para o tratamento dos pacientes renais crônicos.

  • O que é a doença renal crônica?

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções renais, sendo os principais fatores de risco o diabetes e a hipertensão. Nessa condição, os rins perdem a capacidade de eliminar as toxinas do organismo através da urina.

Nos estágios iniciais, o tratamento pode incluir medicação e dieta, enquanto nos estágios mais avançados, as opções terapêuticas abrangem a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante renal. A hemodiálise, realizada em clínicas ou hospitais, é amplamente reconhecida e requer sessões regulares.

Por outro lado, o transplante renal, embora seja considerado uma forma de tratamento, demanda uso contínuo de imunossupressores, não sendo uma cura definitiva. A diálise peritoneal, menos conhecida, possibilita o tratamento durante a noite, oferecendo uma alternativa eficaz para pacientes com DRC avançada.

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