Psicóloga explica benefícios do desenvolvimento emocional de crianças

A PsiMama Nanda Perim comenta os benefícios a longo prazo de ajudar os filhos a desenvolverem suas emoções

Imagem meramente ilustrativa - Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

Ensinar as crianças desde cedo a lidar com as próprias emoções é fundamental para que elas se desenvolvam bem ao longo da vida. O resultado disso é resiliência, autonomia, autoestima e melhor capacidade de comunicação. Mas, é necessário que os pais saibam entender essa fase e tenham paciência com o desenvolvimento emocional dos filhos.

A psicóloga Nanda Perim comenta que esse processo é chamado de “alfabetização emocional”. É o período em que é ensinado a crianças a se conscientizar quanto às próprias emoções. São cinco emoções primárias: raiva, medo, tristeza, felicidade e nojo. Nesse período os pequenos passam a entender sobre cada uma delas e como reagir a essas emoções. Depois, elas são aprofundadas.

“São emoções protetivas, com o objetivo de nos manter seguros, e o seguro na infância é: protegido, acolhido, amado, cuidado por um adulto. Essa alfabetiza emocional têm como objetivo fazer as crianças raciocinarem sobre elas; ajudam a pensar sobre si, porque traz para a consciência o que são emoções”, explicou.

Já no cotidiano, a psicóloga explica que deve ser trabalhado como essas emoções são sentidas, e quais os sinais o corpo mostra. Por exemplo, a raiva deixa a bochecha quente, ou dá um aperto no peito. Ela cita que, aos poucos, essas emoções ganham nome e intensidade e se dividem em secundárias e terciárias, que são variações das primárias. Assim, é feita uma alfabetização emocional cada vez mais refinada. A criança fica sabendo de onde surgem as emoções, e que cada pessoa pode reagir de um modo a elas.

“A pessoa pode estar com cara de raiva, mas na verdade está triste; ela pode estar com cara de triste, mas está feliz; pode estar com cara de triste, mas estar com raiva. Então, conforme a criança vai amadurecendo emocionalmente, a gente vai conseguindo detalhar e destrinchar um pouco mais o que são essas emoções, os tipos, todo espectro que existe e saber de onde elas vêm. A gente ensina a origem e como lidar com cada uma delas. Mas, é importante lembrar que aprender o nome da emoção e como lidar com ela, não necessariamente significa conseguir lidar”, disse.

Nanda reforça que, ao começar pensar sobre as emoções, a parte lógica do cérebro passa a ser desenvolvida, mas isso demanda exercício e uma maturidade do neocórtex, que evolui ao longo da primeira infância. A psicóloga comenta ainda que, na infância, é comum que façam a criança engolir o choro, mas isso pode ser prejudicial na fase adulta.

“A verdade é que cada criança acontece em um ritmo. Conforme vai desenvolvendo suas habilidades, ela tem também a capacidade de reconhecer emoções nos outros e ter uma resposta mais empática às emoções dessas pessoas, porque aprendeu e trabalhou sobre elas. Quando não há essa educação emocional, o adulto acaba se tornando uma pessoa que não tem autoconhecimento para lidar com as próprias emoções. Por isso que há adulto que bate em criança, que grita, explode com frequência, porque não aprendeu a lidar. O que grande parte desses adultos aprendeu foi a engolir”, comentou.

“A gente aprende a negar aquelas emoções e literalmente fingir que elas não estão acontecendo. Quando você, ao invés de engolir, aceita a sua raiva e se acolhe, o seu cérebro não se sente proibido de sentir, mas sim autorizado a sentir e controlar as reações. Da mesma maneira, se você tem uma criança chorando, mandá-la parar de chorar, ela vai parar. Por quê? Porque está com medo, porque não quer levar bronca ou porque foi criticada. Mas, se você senta ao lado dessa criança, a coloca no seu colo, faz um carinho, diz que está tudo bem chorar, ela ficará toda feliz por se sentir acolhida”, concluiu.

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