Quase 80% da população mais pobre do Rio de Janeiro deixou de consumir carne e leite nos últimos meses

Produtos de higiene também passaram a ser menos comprados

Foto: Agência Brasil

Ir ao mercado e não conseguir comprar alimentos que no geral sempre estiveram no carrinho de compras. Essa tem sido a rotina de boa parte da população mais pobre do Rio de Janeiro. De acordo com um levantamento feito pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ) realizada nos dois últimos fins de semana de agosto (13/14 e 20/21), 76% dos entrevistados deixaram de comprar itens essenciais de alimentação e higiene nos últimos meses.

Segundo o levantamento, carne bovina (80%), leite e derivados (57%) são os principais produtos que os 76% dos beneficiários do Auxílio Brasil no estado do Rio de Janeiro deixaram de comprar nos últimos meses. Com o aumento do benefício de 400 para R$ 600O, que passou a ser pago no último dia 09 de agosto, a tendência é que as pessoas voltem a consumir aquilo que não estavam conseguindo pagar.

A sondagem foi feita com consumidores em quatro supermercados da Zona Norte e Zona Oeste do Rio de Janeiro, dos quais 42% afirmaram receber programa de complemento de renda do Governo Federal. O Auxílio Brasil é o recebido pela esmagadora maioria (92%), enquanto outros recebem Vale-Gás (31%), Auxílio Caminhoneiro (1%) ou Bem-Taxista (3%).

“Comprar carne virou luxo. A gente vai dando um jeito, mas está muito difícil de ir no mercado e voltar com carne de boi”, declara Márcia Rocha, moradora de Paciência, na Zona Oeste da cidade do Rio, que recebe o benefício.

Entre os beneficiários dos auxílios, 47% dos consumidores pretendem gastar o valor total em compras nos supermercados, enquanto 26% disseram que vão usar até R$ 300 do valor, 10% até R$ 500 e 4% até R$ 100. Já 13% não pretendem gastar o auxílio com alimentos e bebidas. As compras deverão ser majoritariamente feitas em supermercados, hipermercados ou atacarejos (82%), sendo que 14% preferem minimercados ou mercearias de bairro.

Além da carne e do leite, os respondentes pretendem voltar a consumir carne de frango (45%), produtos de limpeza (44%), pães, bolos e biscoitos (43%), produtos de higiene pessoal (41%), refrigerante e cerveja (38%), café (36%) e outras proteínas, como o ovo (36%), carne suína (29%) e peixe (26%). As respostas são cumulativas.

A sondagem também detectou que 64% dos consumidores não eliminaram estes produtos das suas compras nos últimos meses, mas, com a renda extra, pretendem aumentar a quantida de dacarne bovina (79%), leite e derivados (60%), café e produtos de limpeza (41%), refrigerante e cerveja (40%), pães, bolos e biscoitos (34%), produtos de higiene pessoal (32%), peixe (31%), ovos (30%) e carne suína (29%).

O restante do dinheiro que não será usado em alimentação será empregado, majoritariamente, para a compra de botijões de gás (82%), pagamento de contas mensais (72%) e pagamento de cartão de crédito (37%). Uma fatia menor irá destinar os recursos para gastos com saúde e remédios (13%). Das pessoas que disseram que não vão gastar nada em alimentação, a maioria já tem destino certo para o recurso: o pagamento do cartão de crédito (80%) e contas mensais (37%).

Para o presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ), Fábio Queiróz, a sondagem, realizada pelo Núcleo de Pesquisas da ASSERJ, corrobora a análise feita pela equipe econômica da associação de que a maior parte do benefício será revertida para os gastos com a alimentação no lar: “Desde maio, o setor de supermercados vem registrando alta, o que deve se manter com o aumento do Auxílio Brasil. A sondagem confirma esta tendência e aponta, principalmente, os produtos que foram mais afetados pela inflação nos últimos meses, caso da carne bovina, e do leite, impactado ainda por fatores sazonais. O setor está otimista com um aumento do consumo nos próximos meses”, avaliou o presidente da ASSERJ.

A gente quer é comer com dignidade, poder comprar nossos alimentos sem sufoco”, afirma a carioca Márcia Rocha.

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7 COMENTÁRIOS

  1. A reportagem e meio tendenciosa mas cheia de incertezas pois a classe mais pobrre realmente passa dificuldades e não e um auxilio isoo e aquilo que vai mudar as coisas aqui no Rio ,o que tem que mudar ea politica de faz de conta pois o politico oferece algo para ficar na boa e a população toma a no fim das costas. Precisamos e de politicos honestos e comprometidos com a cidade e estado pois os que estão ai so querem se dar bem .

  2. Inverdades. Aqui na Baixada não deixamos de comer carne e até de comprar suplementos. Não estou desempregado e meu trabalho ainda é um trabalho difícil de conseguir, técnico em segurança, visto que geralmente há um por estabelecimento. Aqui comemos carne, ovo, peixe, etc. Faço academia, dentre outros. O problema é que, muitos só consideram carne, peito de frango e picanha. Mas enfim…

  3. Bebe soro de leite e come papelão. O RJ é PÉSSIMO para escolher políticos! Qualquer charlatão que se diz evangélico, ex jogador de futebol ou diz “defender a família”, mas é flagrado menores, o povo ta votando e depois leva na traseira com uma péssima qualidade de vida, talvez uma das piores do Brasil.
    Infelizmente não será nessa geração que o RJ vai se salvar com tanta coisa ruim e ignorância do povo, esses que elegem Flordelis e Witzel.

  4. Aqui na comunidade ninguém deixou de consumir carne e leite! Somos trabalhadores, aqui tem domésticas, operários, motoristas, garis, etc… Materiazinha tendenciosa.

  5. Lamentável está matéria. Comecei a pesquisar a veracidade desses números, mas como fiz a matéria, a sondagem, não tem provas nenhuma sobre os referidos números. Que jornalismo é esse?

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