Quase 10 mil pessoas morreram por ondas de calor no RJ entre 2000 e 2018

Os dados são de estudo realizado pela UFRJ em parceria com a Universidade de Lisboa

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Foto: Daniel Martins/Diário do Rio

Pesquisa divulgada na última edição da revista científica PLOS ONE apresenta dados alarmantes. Afinal, o estudo mostra que 9,641 pessoas morreram por ondas de calor na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ao todo, foram contabilizadas 48,075 óbitos em todo o país. A cidade do Rio foi a segunda a registrar o maior número de vítimas, atrás apenas de São Paulo (14,850).

A pesquisa foi conduzida por profissionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Lisboa. O estudo considerou dados referentes as 14 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, os territórios reúnem aproximadamente 35% da população nacional.

Os pesquisadores coletaram os registros de eventos de calor extremo a partir da aplicação do Fator de Excesso de Calor (FEC). Em seguida, utilizaram o banco de dados do DATASUS para calcular o número de óbitos relacionados as altas temperaturas.

A partir do recorte temporal proposto, os dados indicam que das quase 48 mil mortes oriundas do calor extremo, as principais causas incluem doenças circulatórias e problemas respiratórios, agravados diante das temperaturas exacerbadas. Outrossim, essa correlação também mostra que a população acima dos 65 anos de idade concentra o número de vítimas das ondas de calor extremo. Na capital fluminense, os idosos representaram 59,9% do total de óbitos. Dentre todas as regiões metropolitanas observadas, os idosos representaram o maior percentual de vítimas por excesso de calor no Rio.

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No que se refere as causas das mortes agravadas pelo calor extremo, a cidade do Rio de Janeiro também apresentou índice elevado para aquelas resultantes de doenças de pele (1,62). A pesquisa considerou este índice a partir de um cálculo estipulando o número de óbitos esperados para as ondas de calor que ocorreram no período, o tempo de duração delas, e o número real de mortes resultantes do calor extremo. Por exemplo, considerando uma onda de calor que se estimavam possíveis 10 vítimas, e, na verdade, foram registrados 5 óbitos, o índice seria de 0,5. No caso das doenças de pele, a estimativa previa 97,5 vítimas, e foram registradas 158 mortes.

O estudo possui um caráter inovador entre este tipo de relatório, tendo em vista que foi o primeiro a considerar fatores socioeconômicos com as incidências de vítimas das intensas ondas de calor. Dentre os idosos, os dados sugerem que houve uma maior incidência de óbitos entre aqueles autodeclarados pretos ou pardos, e entre os de menor grau de escolaridade.

Em nenhuma das regiões analisadas, o aumento na mortalidade de pessoas autodeclaradas brancas supera o de pessoas pretas e pardas.

“As mudanças climáticas têm forçado o movimento de pensar o calor para além das dinâmicas de lazer e proveito. É preciso pensar no calor também como um problema público, que deve ser enfrentado por meio de políticas públicas, intersetoriais, envolvendo as mais diferentes áreas como a saúde e o meio ambiente”, aponta Philippe Guedon, diretor de pesquisa no Instituto Rio21.

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