Quintino – Alexandre Ramagem não está garantido como candidato bolsonarista a prefeito do Rio de Janeiro

O campo dos aliados de Cláudio Castro não terá apenas um candidato como alguns esperam. Além de Alexandre Ramagem, estão na corrida Otoni de Paula, Rodrigo Amorim e Marcelo Queiroz

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Foto: Marri Nogueira/Agência Senado

Pode ter passado despercebido por muitos durante o almoço oferecido pelo governador Claudio Castro aos jornalistas no Palácio Laranjeiras, mas um momento chamou-me atenção. Ficou evidente quando ele afirmou: “Ramagem precisará mostrar seus números nas pesquisas“. Em um cenário em que poucas pessoas acompanham de perto o dia a dia da política municipal, a exceção dos próprios políticos, a cobertura política no Rio de Janeiro é praticamente inexistente. Isso levou muitos veículos de imprensa a acreditarem, um ano antes das eleições, na nota de que o candidato Alexandre Ramagem teria o apoio de MDB, Progressistas, União Brasil e Solidariedade. Para quem compreende a dinâmica política, essa informação não faz sentido.

Ramagem precisará mostrar seus números nas pesquisas” – uma frase proferida por Castro que, apesar de óbvia, ressalta que o único candidato praticamente garantido é quem já ocupa a cadeira e não está enfrentando rejeição apocalíptica da população, ou seja, Eduardo Paes (PSD). O PSol, por sua vez, aposta há um ano na candidatura do deputado federal Tarcísio Mota, embora, apesar de sua excelência parlamentar, possa enfrentar grandes desafios para vencer em uma cidade que deu a vitória a Jair Bolsonaro para presidente.

Dos partidos presentes na reunião, apenas o Solidariedade não apresentou um pré-candidato, e nenhum deles retirou o nome de seus possíveis candidatos à prefeitura. O MDB continua firme com Otoni de Paula, o Progressista com Marcelo Queiroz, e o União Brasil com Rodrigo Amorim, que embora esteja no PTB, mantém uma estreita relação com o influente Rodrigo Bacelar, presidente da Alerj.

Portanto, além de Ramagem, a direita e a centro-direita contam atualmente com estes candidatos:

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Otoni, um bolsonarista de primeira hora

Otoni de Paula Quintino - Alexandre Ramagem não está garantido como candidato bolsonarista a prefeito do Rio de Janeiro

O deputado federal Otoni de Paula, considerado um Bolsonarista da primeira leva, destaca-se como uma figura influente, principalmente entre os evangélicos, sua base eleitoral sólida. Ele se destaca como um dos raros conservadores que ousou criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, sem sofrer grandes repercussões negativas. Sua postura de manter o apoio ao Capitão, mesmo após as críticas, ganhou pontos junto a uma base eleitoral que valoriza a lealdade, especialmente na esfera familiar.

Nas pesquisas realizadas pela Prefab Future, Otoni de Paula apresenta quase o dobro da intenção de voto em comparação com Ramagem, registrando 4% contra os 2,2% do delegado federal. Um feito notável, considerando que ainda não iniciou sua campanha nas redes sociais, recentemente liberadas após uma decisão do STF. Sua força eleitoral também é impulsionada pelo fato de não depender diretamente do apoio de Bolsonaro, pois a imagem dos dois está intrinsecamente ligada no eleitorado, especialmente entre os neopentecostais.

No entanto, Otoni de Paula enfrenta o desafio de conquistar o apoio de seu partido, destacando-se a importância do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. Este último detém o poder de influenciar a troca de qualquer candidato em troca do respaldo que preservará seu legado na Baixada. Mas Otoni conta com os mais de 57 mil votos que obteve na capital, classificando-o como o 3º mais votado na cidade.

Amorim, avatar do Bolsonaro

Deputado Rodrigo Amorim
Deputado Rodrigo Amorim

Rodrigo Amorim, embora não tenha aparecido na última pesquisa do Prefab Future, tem seu nome cogitado como possível vice de Ramagem. Vale destacar que discutir a posição de vice nesta fase da corrida eleitoral pode ser prematuro, como exemplificado pelo caso de Cláudio Castro, escolhido como vice de Wilson Witzel no último dia do prazo, assim como Thiago Pampolha, atual vice-governador.

Entretanto, a possibilidade de Rodrigo Amorim ser um bom vice é posta em questão, pois sua figura é muitas vezes associada a um avatar do bolsonarismo raiz. Suas posições pró-armas e pró-segurança são evidentes, e sua relação próxima com Flávio Bolsonaro, inclusive como candidato a vice-prefeito na chapa liderada por Flávio em 2016, destaca sua afinidade com a família Bolsonaro. Não surpreende, portanto, que tenha sido o deputado estadual mais votado em 2018 e o único do então PSL a eleger um vereador na capital em 2020, seu irmão Rogério Amorim.

Como presidente da poderosa Comissão de Constituição e Justiça da Alerj, Rodrigo Amorim possui uma base sólida. Ele poderia, sem receios, entrar na disputa pela prefeitura, talvez até almejando objetivos maiores no futuro. Com seu temperamento marcante, certamente, teríamos um debate eleitoral instigante.

Marcelo Queiroz, o Lorde

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Foto – Marcelo Queiroz

O deputado federal Marcelo Queiroz, carinhosamente chamado de “Lorde do PP”, não ostenta esse título à toa. Sua notável experiência administrativa é um diferencial, tendo atuado como secretário nos governos de Eduardo Paes, Crivella, Pezão, Witzel e Cláudio Castro. Além disso, sua trajetória política inclui passagens como vereador, deputado estadual e, finalmente, deputado federal, tudo isso antes de completar 40 anos. Com um perfil pragmático e conciliador, Queiroz se distancia do bolsonarismo, mas é o escolhido pelo PP como candidato à prefeitura do Rio.

Com quase 38 mil votos na capital, sendo o mais votado de seu partido e superando o escolhido pelo PL, Queiroz tem uma baixa rejeição. Sua luta pelos direitos dos animais, uma causa muito apreciada por muitos, contribuiu para garantir 4,2% em uma recente pesquisa da Prefab, surpreendendo os especialistas. Isso é notável, considerando que Queiroz não é conhecido por polêmicas ou por ser uma figura midiática proeminente.

Sua pontuação e o fato de ser um dos poucos representantes da Centro-Direita na corrida eleitoral podem resultar na conquista de votos significativos de Eduardo Paes ao longo da pré-campanha, tornando-a ainda mais intrigante. Além disso, Queiroz tem a capacidade de explorar outros temas que domina, mas que até o momento mantém estrategicamente adormecidos. Isso promete adicionar uma camada interessante ao cenário político local.

Só sobrará um?

Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem Quintino - Alexandre Ramagem não está garantido como candidato bolsonarista a prefeito do Rio de Janeiro
Foto: Carolina Antunes/PR

Parece que a corrida eleitoral no campo da direita ou centro-direita no Rio de Janeiro não se limitará a apenas três cavalos, com Paes, Tarcísio e Ramagem. Outros nomes estão surgindo e prometem tornar a disputa mais diversificada. Otoni tem se consolidado como o candidato do MDB, especialmente com o apoio da tropa evangélica. Marcelo Queiroz, com sua experiência administrativa e baixa rejeição, parece decidido a permanecer na competição.

No entanto, Rodrigo Amorim se destaca como um jogador que poderia facilmente seguir as ordens do capitão, seja ele Bacellar ou Bolsonaro, ou até mesmo tomar suas próprias decisões. Sua afinidade com o bolsonarismo raiz e sua disposição em atender às diretrizes dos líderes políticos podem influenciar significativamente o curso da corrida eleitoral. Com vários jogadores no campo, a dinâmica política promete ser complexa e cheia de reviravoltas, proporcionando um cenário eleitoral mais intrigante e imprevisível.

É importante mencionar o nome de Pedro Duarte, representando o partido Novo, como mais um participante relevante na corrida eleitoral. Sua posição fora da base de Castro e sua decisão antecipada de lançar sua candidatura adicionam uma perspectiva interessante ao cenário político. Com o Novo trazendo uma abordagem mais liberal, Duarte pode atrair eleitores que buscam uma alternativa fora das alianças tradicionais.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Tive um comentário censurado.

    Tornou-se moda e padrão neste país miserável.

    O contraditório está abolido. Só vale o que agradar e não causar “Nojinho”.

    Só vale se elogiar-mos esse Roseiral de Governantes que temos (diga-se de passagem, o povo escolheu)

    Somos um povo cujo QI médio é 83 sendo qie existe um Primata em Miami, que o QI é 90…nossas cognição foi totalmente comprometida.

    Lamento um instrumento de midia fazer isso.

    Parece até departamento de Marketing de nosso Alcaide Dudu Paes e do Governador minusculo que temos..

    Vida que Segue.

    E vale lembrar que o “Carioca Way Life”  tambêm se caracteriza por “Vaiar até minuto de Silêncio”, como constatou o falecido e saudoso João Saldanha, produto fiel da imprensa Raiz, mesmo sendo um comunista (argh), porém Genial.

    Não precisou frequentar Facha, Pelotis da Puc, Uerj, UFRJ, etc..

    Foi jornalista e escritor forjado debaixo de Sol e Chuva, levando choque no microfone e entre outros para não ser injusto.

    Sds

    Feliz Natal

    Próspero Ano Novo

    Saúde e Paz

    Apesar de nossos governantes e da Imprensa “Limpinha”

  2. Com relação a Dudu Paes II, a Missão, ele não ter rejeição “considerável” é um equívoco. Devemos considerar que essas pragas de Pesquisa são realizadas num universo muito restrio e quem realiza e analisa, fica na sua “Bolhinha”, se bronzeando em luz de lâmpada LED, necessitando de Vitamina D.
    Gostaria de ver esses institutos e seus analistas, realizarem uma pesquisa, com o povo trabalhador, em um ponto de ônibus ou em uma praga de plataforma do BRT, pela manhã e no final da tarde.
    (Obs. BRT AV. Brasil deveria ser entregue antes das olimpíadas de 2016).
    Essa historinha de “experiência” administrativa, não me pega. Dudu Paespalho, carrega essa marca, e olha a merda que a cidade está (foram 08 anos e + 3). Façam uma pesquisa com o pessoal de Copa e Adjacências, com os IPTUs mais caro. Nada funciona. Onde está axGuarda Municipal, ou seria uma Guarda Pretoriana?

    Ahh…Thiago Motta e para dividir voto. Não dá, né?

    Obs.: Na última eleição de 2020, metade dos eleitores foram para praia, pudera, a alternativa era “Crivella Soneca” ou “Dudu Paespalho” o Sambista. Nosso povo também vota mal para caceta, Putz que Paroca.

    O Rio está um lixo. Misericórdia….

    Pudera, 05 governadores presos apoiando esses Prefeitecos de mierda

  3. Nossa! Nós os cariocas contentamos com migalhas de politiqueiros mesmo. Paes está pior que todas as suas gestões assim como o seu companheiro Lula, terminando o ano em baixa.
    A cidade do Rio de Janeiro merece muito mais que isso.
    Tudo por aqui não funciona, o samba continua de pé.
    Tem pessoas idosas hipertensas que há dois meses não conseguem o medicamento Losartana, entre outros nas CMS. Sem dizer que não tiveram atendimento satisfatório de médicos(faltam sempre), até para serem encaminhados para outros Centros de Saúde Especializados. Estas clínicas tem apenas um clínico geral, e só(quando não falta). Para renovar receita, funciona deixando lá e, pega depois. A saúde nestes postos, estão no nível “Administração Crivella”. Portanto, que venha um Político que renove e coloque a Cidade do Rio de Janeiro onde ela merece, —a melhor do País (Saúde, Reciclagem de Lixo, Atenção ao Pessoal de Rua, Fiscalização e Obras em Ruas e Calçadas, ver a situação dos Camelôs, dar finalidade para os Guardas Municipais, etc). Beleza a Cidade já tem de sobra, faltam cuidados, fazer o Dever de Casa, falta muita administração.

  4. Tem candidato da extrema direita pra todo gosto. Mas aposto que o carioca não vai entrar nessas aventuras da extrema direita de novo. Bispo Crivella, Bolsonaro e Witzel são memórias tenebrosas. Ficou a lição.

    Paes vai levar essa de novo. Faz um governo ok dentro dos limites e possibilidades. Uma gestão sem grandes traumas.

    • Cláudio Castro foi eleito sem plataforma de governo e sem prometer nada. Campanha financiada com o dinheiro da venda da CEDAE. Tá fazendo um não-governo sofrível.

      No município o cenário é outro. Dudu por mais críticas que ele mereça e não são poucas, faz o mínimo para a cidade funcionar. É perceptível aos olhos. Basta sair nas ruas pra ver pontos bons e negativos na cidade.

      A extrema direita vai ter que utilizar muito “seus métodos” para eleger um Pazuello da vida. Dudu é um adversário com muita experiência política, a esquerda é super nichada e restrita a certas áreas da cidade, ou seja, quase nula. A extrema direita vai ter se esforçar.

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