A terceira e última matéria da série #RaizDoProblema, publicada pelo DIÁRIO DO RIO para falar sobre as podas sem controle em árvores da cidade do Rio e as consquências disso, mostra sobre soluções para o problema. Na última terça-feira, 02/02, o Movimento Baía Viva (www.baiaviva.com) e outras entidades da sociedade civil entregaram à presidência da Fundação Parques e Jardins (FPJ), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SMPU) e à presidência da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB) um conjunto de sugestões e propostas para a criação de um Protocolo Participativo do cidadão na Política Municipal de Arborização Urbana e de um Inventário Arbóreo da cidade.

Além da entrega de Petição online com cerca de 10 mil assinaturas contra as “podas assassinas” de árvores no município. O Protocolo foi construído em plenárias virtuais realizadas durante o ano passado do qual participaram representantes de mais de 40 coletivos de agroecologia, grupos ecológicos e de plantadores de árvores de diversos municípios, associações de moradores, instituições técnicas, membros do CONSEMAC e técnicos da própria Prefeitura.

Para os ecologistas, técnicos e moradores que participarão, é fundamental estimular a participação da população na implementação do Plano Diretor de Arborização Urbana da Cidade do Rio de Janeiro (PDAU Rio, 2015) que, até hoje, não saiu do papel.

“O Rio de Janeiro tem uma forte marca de segregação social e de segregação urbano-espacial, cujo racismo ambiental se reproduz também do elevado déficit de arborização urbana existente em especial nas Zonas Norte e Oeste da cidade. Consideramos que a Arborização Urbana é fundamental para a garantia do Direito à Cidade e nas estratégias de enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas em nosso município. Infelizmente, em sucessivos governos, as podas assassinas de árvores se transformaram num equivocado padrão anti-ecológico de política pública; além da ausência de fiscalização por parte da Prefeitura das podas abusivas e excessivas executadas pela concessionária privada LIGHT nos bairros. Para reverter este quadro, que se agrava no verão com o aumento da temperatura acima de 40 graus, estaremos apresentando aos órgãos municipais um conjunto de sugestões e propostas que visam a criação de um Protocolo Participativo e de um Inventário Arbóreo para que o carioca possa participar da implementação do PDAU (2015) e a entrega de Petição online com cerca de 10 mil assinaturas contra as “podas assassinas” de árvores. Há anos, está em curso uma política “moto-serra” adotada pela LIGHT que atua na poda e remoção de árvores claramente sem respeitar a legislação e sem prestar informações à prefeitura: a empresa só pensa em sua lucratividade e dane-se o patrimônio ambiental. O resultado disso, tem sido prejuízos à saúde coletiva, impactos no meio ambiente urbano e a formação de mais ’ilhas de calor’ nos bairros, desta forma reduzindo o conforto térmico ou conforto climático em toda a cidade que está virando, a cada ano, um caldeirão fervendo com maior calor!. Apesar de nunca ter sido feito um Inventário Arbóreo, estima-se que na cidade existam mais de um milhão de árvores em ruas e praças e este rico e diversificado patrimônio paisagístico, ecológico e cultural precisa ser protegido e preservado pela prefeitura e a sociedade.”, enfatiza Sérgio Ricardo, ecologista e gestor Ambiental e Co-fundador do Movimento Baía Viva que é a instituição proponente da petição online.

Existem outras iniciativas importantes na cidade do Rio de Janeiro diante da situação. Uma delas é o Penha Verde. De acordo com biólogo Alessandro Magalhães, idealizador do projeto, soluções para o problema da falta de árvores na cidade passam por ações do Poder Público e também da sociedade civil. Alessandro e sua equipe de voluntários promovem o plantio de mudas pela cidade do Rio de Janeiro, sobretudo na Zona Norte, região da Penha e Irajá – que vem sendo considerado o bairro mais quente do Rio.

“Primeiro temos que melhorar o manejo, voltar ao bom funcionamento da Fundação Parques e Jardins, preparar os profissionais da Comlurb que ficaram responsáveis pelas podas das árvores recentemente. E temos as ações das pessoas, que vêm crescendo e são muito importantes. No Rio de Janeiro, hoje em dia, temos quase 100 grupos organizados para fazer replantio de árvores. Acho que seria importante, também, termos educação ambiental nas escolas. As ruas que têm mais pessoas conscientes do problema tendem a ser ruas com mais árvores“, destaca Alessandro.

Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO em janeiro deste ano, o secretário de meio ambiente Eduardo Cavaliere, disse que a Prefeitura tem como objetivo grandes ações de arborização por toda a cidade.

Eu tenho colocado e pautado desde que recebi o convite para assumir a pasta do meio ambiente que temos que dialogar com esses movimentos que realizam essas ações de forma independente. Principalmente nas zonas Norte e Oeste e região central da cidade. Eu tenho pautado isso, de reduzir essa desigualdade socioambiental da cidade“, afirma Cavaliere.

5 COMENTÁRIOS

  1. Ou a cidade tem gente para cuidar de parques, jardins e ruas, ou não adianta gastar o dinheiro dos impostos com funcionário público municipal, para o imbecil cortar árvore, apenas por comodidade de não precisar mais cuidar.
    Mais cômodo ainda, é não ter que gastar imposto com idiotas.

  2. povo unido contra isso,a cidade do Rio de Janeiro é uma das mais arborizadas do mundo,nao podemos permitir uma agressao dessas a natureza e contra o povo,precisamos agira contra essa destruiçao!!!

  3. As entidades entregaram carta em todos os órgãos – menos o Ministério Público…
    Vão perceber com o tempo que fizeram muito pouco, ou a mesma coisa que nada.

  4. O que a prefeitura e a Light fazem é criminoso, isso só tem uma solução: quando mandarem prender o prefeito e o presidente da Light. São assassinos, matam árvores saudáveis, podam sem nenhum tipo de controle ou estudo técnico, e não faltam funcionários técnicos à prefeitura, mas estes estão encostados, os políticos é que tomam conta. É INACREDITÁVEL que décadas após décadas a prefeitura faz o mesmo tipo de plantio da idade medieval: simplesmente abrem um buraco na calçada, jogam uma terra qualquer e plantam a muda raquítica, sem nenhuma chance de sobrevivência. Não colocam um cercado, uma base, não tem acabamento, é tudo feito à moda Bangú, como se diz em linguajar coloquial. À vezes colocam uns bambús segurando a muda, que balança ao vento dos carros e ônibus, é uma ABERRAÇÃO!!!!! Como pode um órgão especial , com milhares de funcionários, verbas e orçamento abarrotado, fazer esse tipo de barbaridade, a cidade é um lixo, os buracos das árvores depois são simentados pelos moradores, que cimentam as raízes também e o poder público nada faz.

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