Roberto Anderson: Passear e turistar no Centro do Rio

A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores é mais um bom motivo para passear e turistar no Centro do Rio nos fins de semana

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Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores - Foto Daniel Martins/DIÁRIO DO RIO

A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, uma joia entre as igrejas cariocas, foi restaurada e reaberta ao público após um longo tempo fechada, sofrendo um processo de deterioração. É uma igreja que surpreende por elementos pouco usuais na cidade, como sua nave elíptica e a galilé, uma galeria com arcos na entrada do templo. Ao contrário da Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida para a abertura da avenida Presidente Vargas, cuja planta era circular, a Lapa dos Mercadores tem planta retangular, que não deixa antever a particularidade do seu espaço interior. Agora que foi reaberta aos fiéis, e ao público em geral, anuncia-se uma programação de missas com coral e orquestra aos sábados e domingos.

Taí, mais um bom motivo para passear e turistar no Centro do Rio nos fins de semana. Essa era a proposta do projeto Fim de Semana no Centro, que existiu na administração do prefeito Conde e na segunda administração de Cesar Maia. O projeto teve início em 1998, com foco inicial no corredor compreendido entre o Museu Histórico Nacional e a Igreja da Candelária. É uma área riquíssima em museus, igrejas, espaços culturais, e restaurantes que, apesar da grande facilidade de acesso por diversos meios de transporte, já naquela época se encontrava vazia nos fins de semana. Visando mudar esse quadro e incentivar a visitação desses espaços, uma vez por mês ocorriam espetáculos musicais na Praça XV, concertos nas igrejas, visitas guiadas pelo Centro e passeios de barco até a Ilha Fiscal, tudo isso gratuito. A Lapa dos Mercadores era uma das igrejas que recebiam visitantes e concertos. Depois, pouco a pouco o projeto foi se estendendo a outros espaços do Centro.

Uma das primeiras dificuldades enfrentadas foi manter as igrejas abertas à visitação. Para isso, eram pagas diárias aos responsáveis por sua abertura nos dias do evento. As visitas guiadas eram realizadas por guias indicados pelo sindicato dos guias de turismo, cujas diárias eram igualmente pagas pelo projeto. Além desses, também se pagava os artistas que se apresentavam na praça e alguns concertos nas igrejas. Mas boa parte das apresentações era sem custo. Pelo retorno que dava para a cidade, era um projeto bastante barato.

Uma das atividades mais bonitas do projeto Fim de Semana no Centro era trazer grupos de moradores de bairros distantes em ônibus fornecidos pelo sindicato das empresas do setor. Era comum que para muitas pessoas, especialmente para senhoras mais envolvidas com seus afazeres, aquela fosse a primeira vez no Centro, ou a primeira vez num museu. Era então surpreendente, e ainda o é, que alguns cariocas nunca tenham conhecido o centro da cidade, uma área tão simbólica, tão rica em elementos que dão identidade à cidade. Essas pessoas, diferentemente de muitos jovens moradores da Barra e do Recreio, que não conhecem o Centro por desinteresse, não tinham tido a oportunidade de vivenciar aquele espaço. E a sua reação era sempre de alegria e de deslumbramento.

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Nesse período pós pandemia, com o enorme esvaziamento das atividades do Centro, a Prefeitura vem oferecendo diversas, e algumas vezes excessivas, vantagens aos empreendedores do mercado imobiliário para que invistam no Centro. Mas, aos fins de semana, esse esvaziamento é ainda mais impactante. A retomada de um projeto como o Fim de Semana no Centro seria de enorme interesse da Prefeitura e das empresas de construção. Como boa parte dos prováveis compradores visita os imóveis nos fins de semana, encontrar um Centro animado já lhes estimularia um bocado. Prefeitura, siga o exemplo dos abnegados que reabriram a Igreja da Lapa dos Mercadores e programe concertos e visitas guiadas por todo o Centro nos fins de semana. Os cariocas vão amar.

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Roberto Anderson é professor da PUC-Rio, tendo também ministrado aulas na UFRJ e na Universidade Santa Úrsula. Formou-se em arquitetura e urbanismo pela UFRJ, onde também se doutorou em urbanismo. Trabalhou no setor público boa parte de sua carreira. Atuou na Fundrem, na Secretaria de Estado de Planejamento, na Subprefeitura do Centro, no PDBG, e no Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - Inepac, onde chegou à sua direção-geral.
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