Rogério Amorim: A Pirâmide do Carnevale

Rogério Amorim critica o secretário de Ordem Pública Brenno Carnevale que "faria o L" enquanto a cidade se mantém entregue a desordem

Foto: Rafa Pereira - Diário do Rio

Nove entre 10 palestrantes costumam usar o conceito da Pirâmide do psicólogo norte-americano Abraham Maslow, que determina as condições para que um ser humano atinja a realização profissional e pessoal. Na concepção de Maslow, há uma hierarquização das necessidades humanas – você precisa primeiro cuidar das fisiológicas, ou seja, comer, beber, dormir, amar, ir ao banheiro etc. A partir daí, parte-se para a evolução. Aliás, nos saudosos anos 70, me contaram os mais velhos, um general deixou bem clara a importância de Maslow quando, diante de uma repórter que insistia numa entrevista, declarou, “a senhora me dê dois minutos, afinal, xixi é prioridade”.

O Rio poderia viver sob a égide da pirâmide de Maslow, ou seja, realizar as necessidades de uma cidade grande quanto à ORDEM, para enfim seguir em busca de uma realização. Mas infelizmente, seguimos a Pirâmide de Carnevale, o secretário de Ordem Pública que pensa em criar lacrações com o dinheiro público, como o Disque-Racismo – como se de Ordem Pública tal tema se tratasse.

O resultado pude conferir in loco no domingo passado. Ao estacionar na Avenida Atlântica com minha família e caminharmos até o quarteirão do Copacabana Palace, o cenário era de filme de apocalipse: moradias CONSOLIDADAS no meio da rua, flanelinhas atuando fazendo todo tipo de irregularidade, camelôs, pivetes, num quadro em que o turista me parecia uma minoria oprimida. Não havia nenhum guarda municipal num raio de quilômetros. A PM, extremamente sobrecarregada, tinha que patrulhar o calçadão mais perto da areia, onde os pivetes atacam os turistas sem nenhum temor. A pergunta que fica: até quando o município vai ficar “fazendo o L” sem colocar as mãos na Segurança Pública?

Como o Rio, nessa macabra “pirâmide”, vai sobreviver à alta temporada que já está em pleno andamento, se nem o básico conseguimos fazer? Uma simples caminhada na calçada interna da Avenida Atlântica é um show de horrores e abandono.

Caminhando ainda um pouco mais – escreveria o sambista Silas de Oliveira – deparei, não com coqueirais, mas com a completa ausência de governo, nas cercanias da Rua Lauro Muller. Famílias inteiras já constroem barracas ao lado de prédios cujos moradores pagam IPTU altíssimo, acima da faixa dos R$ 3 mil. Na mesma rua, motocicletas estacionam sem nenhum controle, camelôs vendem comida sem qualquer fiscalização e, de noite, há churrascos na rua com bebedeira e gritaria.

O Centro do Rio, uma das nossas prioridades na Câmara Municipal, também sofre com a desordem totalmente ignorada pela SEOP.

Camelôs tomaram conta do comércio e talvez a prefeitura só perceba isso quando a arrecadação diminuir. Há sinais de trânsito quebrados por todos os lados, aumentando riscos de assaltos e ataques de viciados em crack. Um desastre em forma de bola de neve, que só faz aumentar. O Rio pode perder o status de “porta de entrada do Brasil” que sempre ostentou, se caminharmos nessa direção. E o tempo para a recuperação está se esgotando. Assim que a Copa acabar, começam a chegar os turistas.

Este é o Rio de Janeiro que aguarda o começo da alta temporada. Cheio de necessidades básicas a resolver, com necessidade GRAVÍSSIMA de RESTAURAÇÃO DA ORDEM, tudo na base da “pirâmide”. Mas o secretário Brenno Carnevale não parece pensar assim – a última notícia que tive dele era a de que estava criando o Disque-Racismo na SEOP, um serviço que já existe, no governo federal, e era muito bem tocado pela senadora eleita Damares Alves. A mesma Damares que em junho fazia um balanço do serviço e lamentava os casos de discriminação racial (sim, no governo do “presidente racista”, como gosta de dizer a esquerda, mentindo como sempre, há combate sério ao racismo).

Na Pirâmide de Carnevale, a lacração está na base. O topo? Dificilmente chegaremos lá sem que a ordem seja restaurada. Nesta pirâmide, tal e qual faraós, todos nos sepultaremos.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Engraçado, o autor é irmão de um deputado que apoiava o Crivella, o pior prefeito da história do Rio. Além disso, sua família está envolvida até o último fio de cabelo com escândalo do Ceperj. É impressionante a falta de vergonha que alguns políticos possuem ao criticarem outros. Esse senhor nem eleito estaria se o tresloucado do irmão dele não tivesse quebrado uma placa.

  2. Seu Rogério o Sr poderia propor ao Sr governador a volta da pm ao trânsito. A GM por incrível q possa parecer só atua em nichos da nobreza. Se na zona sul tá assim, imagina aqui em Bangu. Motos na contramão .com a placa coberta, carros parados em qualquer lugar, fila tripla, calçada intransitável. A cada vez que vou a.outro estado eu tenho certeza do abandono do Rio.

  3. Você precisa explicar e muito bem sobre Funcionários do Ceperj e da Prefeitura do Rio, eles trabalham, na verdade, na ‘Equipe Amorim’, fazendo serviços em nome do vereador e do deputado estadual, como mostrou o RJ2.

  4. Mas o senhor vereador, enquanto na Câmara, não cansou de pedir apoio ao Secretário Carnevale em operações pela Tijuca e sempre foi prontamente atendido? Não sei se lamento pela amnésia ou ingratidão.

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