Jornalista, cronista, vivente,Alvaro Tallarico
foto: Alvaro Tallarico

“Os caminhos da vida, não são como eu pensava, não são como eu acreditava”. Estava aqui lembrando de um filme uruguaio que vi em 2019, ‘Meu Mundial – Para Vencer não Basta Jogar‘ (Mi Mundial). A estória é como a de muitas crianças latino-americanas que sonham em virar grandes estrelas do futebol. O filme vai passando pelos temas da inveja, erros e acertos, estudo e talento. Não é ruim e tem bons momentos, porém, o que mais me marcou é a canção principal que toca quando sobem os créditos e resume a mensagem com perfeição.

A música é do colombiano Omar Geles e, assim que terminou a exibição, saltou aos meus ouvidos. Não consegui levantar, senti certa emoção, a lágrima acompanhou a melodia e ali continuei por um tempo pensando nos tais caminhos da vida que são cantados naqueles versos e demonstrados no filme. Pensei nos meus próprios caminhos, os percalços que só eu sei; o que vi e não posso desver. Ok, também fiquei aguardando porque queria descobrir de quem era aquela canção belíssima com aquele rosto lindo e pesaroso de América Latina, que tanto amo. Uma cara de vida real laureada pelo ritmo latino, indubitavelmente, cheia de alma. O acordeão tocando como se estivesse chorando. Enfim, a gratidão de um homem para com sua mãe e o aprendizado da maturidade que vem chegando.

A original é em espanhol, mas coloco aqui trecho dela traduzido em português.

Eu acreditava
Eu pensei que a vida fosse diferente
Quando eu era pequeno eu acreditava
Que as coisas eram fáceis como ontem
Que minha boa senhora estava fazendo o seu melhor
Por me dar tudo que eu precisava
E hoje eu percebo o quão fácil não é

Os caminhos da vida dificilmente são como imaginamos. As coisas acontecem de forma incontrolável. Os seres amados que se vão para outros planos e a dor que fica. “Vai passar”, dizem alguns. A dor nunca passa, a gente simplesmente se acostuma com ela. Sorte daqueles que tem uma boa base, aprendem valores que guiarão por toda a vida, todavia, ninguém está protegido dos tropeços. Todo ser vivente e andante está apto ao erro, o qual, inclusive, pode ser até acerto. Quantas coisas acontecem que parecem péssimas e, algum tempo depois, traz algo muito bom e vemos que foi necessário? Afinal, os caminhos da vida não são como você acreditava. Podem ser até melhores.

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