Samba do Rio: Chuva é o principal jurado a ser conquistado

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Por Bernardo Moura

Luiz Brunet no Ensaio Técnico da Imperatriz O Carnaval chegando e as preocupações com o clima também. Desta vez, a chuva deu o ar de sua graça e, em alguns casos, até atrapalhou algumas escolas.

 

No sábado, a chuvinha que caiu no começo da noite não foi motivo para os 20 mil sambistas deixarem de comparecer à Sapucaí. A vontade de ver a Imperatriz passar era maior. O relógio marcava dez horas da noite, quando a bateria esquentou os tamborins (os surdos e agogoôs também). Ao contrário das outras co-irmãs, não foi feito um isolamento de segurança em torno da bateria e da rainha, Luiza Brunet. Pelo contrário, a diretoria deixava o pessoal da imprensa trabalhar. Palmas! Que as outras a sigam, sem pestanejar.

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A coreoógrafa da comissão de frente, Regina Sauer, contava que sua equipe representará "os povos primitivos de Deus". Simpática, fez questão de esclarecer que naquela noite, não faria nada. Era apenas um laboratório.

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Enquanto isso, Mestre Marcone, esquentava o setor 1. E com uma Luiza baiana e esvoaçante, revelava que a Imperatriz fará quatro convenções e, em determinado momento, irá aclamar a Deus: "Porque ele é o mais importante nesta vida".

 

No ensaio, a escola fez bonito. Os 2 mil componentes se destacaram pelo canto e faziam questão de mostrar que sabiam bem a letra. Faziam até coreografia…

 

Havia algumas alas de passo marcado. Uma delas, que representava os angolanos, o povo de Angola, foi destaque. Outro destaque também foram as paradinhas do Mestre Marcone. Uma delas, todos os ritmistas paravam de tocar seus instrumentos e agitavam as baquetas para cima. Emocionante!

 

Falando em emoção, o intérprete Domiguinhos, não deixou por menos. Sua voz inconfundível deu o tom certo à Imperatriz e ao samba. Aliás, este samba lhe caiu como uma luva. Incrível!

 

Na harmonia e evolução, tudo correu bem. Deve ser dito apenas que as alas estavam um pouco "desorganizadas". Mas nada que até o carnaval, isto se conserte.

 

Já passava da meia noite, quando a multidão do Sambódromo se juntou aos componentes na dispersão para cantar "É o Brasil de todos os deuses/ De paz, amor e união".

 

Rocinha começa no horário

Ensaio Técnico da Acadêmicos da Rocinha Já no domingo, a Sapucaí teve seu dobro de espectadores. A Mãe Natureza não deu trégua: fez um chuva sanfonada (que vai e volta) que durou por toda a noite. E nisso, banhou a avenida e esfriou o ânimo dos compónentes. Todas as escolas poderiam ter feito melhor.

 

A primeira a pisar na Sapucaí foi a Acadêmicos da Rocinha. Pela primeira vez na história do carnaval 2010, uma escola começa seu ensaio no horário. Pontos para ela.

 

A escola fala das "Ykamyabas", os povos das mulheres guerreiras. E por isso, na comissão de frente, dos 15 membros, 12 eram mulheres, meninas da comunidade, de acordo com o coreógrafo Márcio Moura. Segundo ele, elas serão a atração principal do enredo, as tais Ykamyabas (mulheres gurreiras).

 

O casal de mestre e sala e porta bandeira,  Daniel e Alessandra, faziam bonito na avenida. Sua fantasia será de era glacial com os guardiões de esquimós.

Os 1.500 componentes da escola fizeram bonito. A harmonia e evolução foram impecáveis no enredo que fala um pouco mais da história do Brasil. O samba, contudo, não empolgou a avenida e a escola apenas "passou".

 

Mangueira desanimada

Ensaio Técnico da Mangueira A verde e rosa trouxe 2.500 pessoas. Na comissão de frente, Jaime Arôxa revelava alguns detalhes da coreografia:

"É uma dança. A coreografia não posso revelar muito. Mas, em respeito a este público, é o motivo de estarmos aqui hoje" disse.

Na bateria, mestre Jaguara Filho brincou com seus ritmistas. No ensaio, ele fez três paradinhas. Na dispersão, disse que não sabia se iria colocar mais uma.

 

A chuva foi um fator importante no ensaio da Mangueira. Ao contrário do primeiro ensaio, a escola ficou tímida. Seu canto era baixo e faltou garra. O presidente da agremiação Ivo Meirelles percebeu e pedia canto dos componentes. Até sua comitiva tècnica analisava da torre de TV o desenrolar da escola.

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Tijuca e seus segredos

Andriane Galisteu no Ensaio Técnico da Unidos da Tijuca Na Tijuca, aconteceu o mesmo. O diferencial era que em determinada parte da letra, balançavam os braços. No entanto, a escola veio bem humorada. Ao contrário da antecessora, brincavam com o título do enredo e o justificavam para tudo: coreografia, fantasia, movimentos, paradinhas. Enfim, em todos os setores da escola, o mistério rondava.

 

Mais uma vez, a rainha de bateria Adriane Galisteu foi o destaque da noite e dos fotógrafos. Mandando beijos para o público e beijando seus fãs, apresentou a  escola com garra e emoção. Disse até que a futura prole virá para acrescentar o legado tijucano:

"Com certeza meu filho vai ser da Tijuca. Está no sangue!", decretou.

A evolução ficou um pouco prejudicada no começo do ensaio, pois a comissão de frente não andava. Faziam os passos no mesmo lugar, dando a sensação de "parada" na escola. Depois, deslanchou.

 

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Na bateria, mestre Casagrande deu um gás à escola e até revelou uma carta na manga: uma mini ala que saía de dentro da bateria fingindo segurar armas. A rainha também fazia parte da novidade e deu um quê a mais na apresentação.

 

Por fim, os 2.500 componentes passaram bem na Sapucaí. Mesmo com todo o ar e a garra misteriosos.

No balanço geral, se chover no dia do desfile oficial, as três escolas estariam lascadas. Ainda bem que era apenas um ensaio.

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