Santa Casa do Rio, símbolo da compaixão e do cuidado, trabalha para se reerguer

Instituição continua sendo uma referência no atendimento aos necessitados e dos médicos que lá trabalham, e sob a liderança do ex-presidente do Fluminense Francisco Horta, já coleciona algumas boas notícias

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Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

Além das suas decantadas belezas naturais, o Rio de Janeiro também possui um patrimônio cultural, histórico e arquitetônico de grande importância internacional. Um dos símbolos deste tesouro é a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, que é mais que um dos prédios mais belos da cidade é um símbolo de cuidado e compaixão católicos, gerido por uma Irmandade Católica devotada à Nossa Senhora da Misericórdia e a Santa Isabel, que oferece serviços de saúde e assistência social à população desde 1582 e remonta aos dias de José de Anchieta.

Localizada no Centro da capital fluminense, na rua Santa Luzia e no sopé do antigo Morro do Castelo, a Santa Casa tornou-se e se mantém um centro de excelência em várias especialidades médicas, desde a pediatria até a geriatria. Além disso, a entidade filantrópica e religiosa tornou-se ainda um importante núcleo de formação em saúde, capacitando centenas de médicos, enfermeiros e técnicos em diversos campos de conhecimento. Até hoje suas enfermarias prestam serviços-modelo em várias especialidades, inclusive odontologia. E a idéia é cada vez ir mais além disso.

Integrado aos quadros da instituição desde 1963, o juiz aposentado e ex-presidente do Fluminense, Francisco Horta, de 89 anos, é o atual provedor da Santa Casa, o que lhe rendeu recentemente a Medalha do mérito do judiciário como Provedor da Irmandade da Misericórdia, e gestor maior de um patrimônio material e imaterial de caráter único na cidade: desde suas lindas Igrejas até seus Hospitais e Educandários. O Educandário da Misericórdia, na São Clemente, por exemplo, dá educação de qualidade a 180 meninas que estudam o mesmo currículo de escolas caríssimas localizadas no seu entorno em Botafogo, totalmente sem custo.

O pai de Horta, que era médico, pediu ao provedor da época que admitisse o filho advogado. Francisco, então, iniciou a sua trajetória trabalhando na área administrativa da Casa sob a condição de ter um bom desempenho. Honrado com a oportunidade, Francisco Horta tornou-se um trabalhador incansável, sem nunca ter sido remunerado por isso. Trabalhou no contencioso da instituição que foi, historicamente, uma das maiores proprietárias de imóveis do Rio.

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Ao jornal Tribuna da Imprensa, Francisco Horta falou sobre o seu amor à instituição que, segundo o provedor, pertence a “Nosso Senhor Jesus Cristo” há mais de 450 anos – todos passados no mesmo prédio. Atualmente, a casa conta com 278 irmãos, todos com grande projeção em suas carreiras – um dos pontos avaliados no momento de fazer um convite a um novo integrante. A Irmandade, dona da Igreja mais antiga do Centro – Nossa Senhora de Bonsucesso, onde também se encontram partes da extinta Igreja de São Sebastião, que sucumbiu com o morro do Castelo – é gerida por uma mesa de 45 irmãos.

A Santa Casa abriga também um “mini quartel” da PM, com 150 policiais, a partir do qual a segurança do Centro da Cidade recebeu um grande reforço, razão pela qual especialistas creditam à boa vontade da irmandade e de Horta a grande melhora nos índices de criminalidade no entorno da Praça XV e do Castelo, que se tornou a parte mais turística do Centro Histórico do Rio. Mesmo com problemas financeiros, a Santa Casa forneceu toda a infraestrutura para tornar isso possível.

Apesar das dificuldades, a Santa Casa do Rio continua sendo uma referência de atendimento à população e de qualidade de profissionais. Entre os 100 médicos que lá trabalham, 12 são notáveis da Academia Brasileira de Medicina. No local, funciona ainda um prestigiado centro odontológico. Do total de disciplinas ofertadas, seis contam com o que há de mais moderno no mundo. Nos planos de Horta está a criação de uma maternidade nos mesmos níveis de excelência das enfermarias existentes hoje.

Com quase 500 anos de existência, a instituição – quem tem em sua sede uma das arquiteturas mais lindas de toda a cidade – olha para o futuro com confiança. Por isso, pretende tocar projetos voltados para a reestruturação dos hospitais, além de estar se preparando para a abertura de um moderno hospital onde funcionou o Hospital São Zacarias (em Botafogo) com atendimento de altíssima qualidade, inclusive para os menos favorecidos. Também seu lindíssimo Hospital de Cascadura, retorna à atividade através de um projeto que está sendo conduzido pela Prefeitura do Rio.

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O brasão da histórica Irmandade da Misericórdia traz as 5 chagas de Cristo e sua Cruz

Mesmo após o saneamento promovido por Horta e sua equipe a entidade atravessa ainda uma crise financeira, com os salários dos funcionários atrasados. A crise não é nova e remete à época da prisão do provedor Dahas Zarur, que foi, segundo Francisco Horta, acusado de roubo injustamente. As imagens de Zarur saindo algemado da instituição deixaram a todos chocados, segundo Horta. Velho integrante dos quadros da casa, Zarur entrou na instituição por concurso e, ao longo do tempo, foi convidado a ocupar diversos postos de trabalho graças à sua dedicação à Santa Casa.    

Com a perda dos 17 cemitérios, que eram administrados pela Santa Casa há quase cem anos, a entidade que faturava entre R$ 3 e 4 milhões mensais, passou a ter dificuldades de pagar contas e funcionários. Segundo Francisco Horta, a não renovação do contrato de concessão por parte da Prefeitura do Rio desencadeou dificuldades difíceis de transpor. A situação só não é mais grave porque a instituição conta com a receita gerada por imóveis alugados e o abnegado trabalho de seus médicos. A entidade vem tentando vender alguns ativos que não usa mais, para sanear os problemas financeiros.

Com boa parte de seu mandato ainda pela frente, Francisco Horta tem esperança tanto de reerguer a entidade quanto de dias melhores pela frente. Para isso, aposta na renovação dos quadros da instituição católica, além da ajuda de irmãos e de amigos, para continuar ajudando os mais necessitados. Assim como no Fluminense, para Horta na luta pela Santa Casa é “Vencer ou Vencer!”.

com informações da Tribuna da Imprensa

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2 COMENTÁRIOS

  1. …Patricia, com todo respeito pela sua matéria. Beco sem saída tem buraco que é o delta da passagem secreta.
    me admiro o “MAGISTRADO” brilhante e figura pública sair “pelo buraco”. A entidade SANTA CASA DE MISERICORDIA é tão séria que merece respeito. As falcatruas e desvios de patrimônios nas administrações anteriores ao “GRÃO MESTRE ” citado por ele Sr Z……, levou as chaves das gavetas da ENTIDADE pra casa.
    Tem muita coisa arquivada, credores falidos pendências de funcionários que pagavam passagem do próprio bolso para se deslocar ao trabalho, etc…
    Basta levantar o “PASSIVO” trabalhista x indenizações a funcionários e comparar com o PATRIMONIO imobiliário em áreas nobres da Cidade que se chega a uma conclusão.

    RB

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