Sem Dó II – De volta ao 11 de Setembro

O colunista convidado Manoel Vieira traça um paralelo entre os heróis da grande tragédia americana e o caso do homem que diz que nunca mais entregará comida a uma eleitora do candidato a presidente que antagoniza com o seu.

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UNITED STATES - SEPTEMBER 21: World Trade Center Towers and the New York City skyline, New York, New York (Photo by Carol M. Highsmith/Buyenlarge/Getty Images)


Há exatos 21 anos, as Torres Gêmeas do complexo empresarial do World Trade Center, em Nova Iorque, eram atacadas. Para quem não se lembra desse ataque, dezenove terroristas sequestraram quatro aviões comerciais repletos de passageiros e os direcionaram para seus alvos. Dois aviões derrubaram as Torres Gêmeas, promovendo a morte de 2606 pessoas. Outro avião foi jogado sobre o Pentágono e ali somaram mais 125 mortos. Nos quatro aviões sequestrados, morreram outras 246 pessoas.


Diferentemente dos demais, o quarto avião caiu em campo aberto, próximo a Shanksville, na Pensilvânia. Tripulantes e passageiros tentarem retomar o controle da nave, o que levou à queda da aeronave. Assim como nos outros três casos, não houve sobreviventes nas aeronaves. No entanto, a queda deste quarto avião não provocou outras mortes.


Daquele fatídico 11 de setembro, podemos tirar uma série de lições. Hoje, gostaria de destacar duas delas. A primeira é que os fatos nefastos sempre tendem a ganhar maior atenção que os fatos heroicos.


Dificilmente, um cidadão não se lembra ou nunca ouviu falar dos ataques às torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Porém, uma pequena porcentagem desses se lembrará do avião que caiu em campo aberto graças a ação de uns poucos. Esses, cidadãos impediram que o quarto avião também atingisse Nova Iorque e matasse mais incontáveis pessoas.

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A segunda é que, ao não destacar os atos heroicos desses cidadãos anônimos, perdemos a oportunidade de valorizar o grande exemplo que eles deram. Mesmo oprimidos, arriscaram suas vidas e tornaram possível vencer.


Hoje, ao ver o patético vídeo em que um homem ameaça uma mulher que tem fome a não entregar mais ‘marmitas” em razão do voto declarado dela a um candidato diferente do dele, lembrei-me dos heróis do 11 de setembro. Ao longo do vídeo, observa-se que a mulher sorri e acha que ele fala brincando que não entregaria mais “marmitas” a ela. Afinal, é mesmo inacreditável que alguém chantageie uma pessoa que tem fome.
Em nenhum momento ela agride ou mesmo ofende o homem. Apenas abraça a cesta básica e sorri. Já ele é sarcástico. Fala sorrindo que aquela é a “última marmita” que aquela senhora irá ganhar, já que não vota no candidato dele. Ele mesmo filma tudo, como se prestasse contas a outras pessoas.


Diante da opressão daquele que usa da fome como meio de alcançar votos para o seu candidato, ela continua sorrindo. Não perde a educação. E, mesmo incrédula diante dele, não faz menção de trocar o seu voto por comida. Ela, heroicamente, não cedeu.
Assim como nos ataques de 11 de setembro, e talvez seja essa a lição mais relevante daquele tristíssimo dia, é fundamental reconhecer os atos heroicos que demonstraram que lutar contra o que te oprime é possível, mesmo sabendo que isso venha lhe custar a vida.

Manoel Vieira é arquiteto e urbanista, especializado em patrimônio histórico.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quem tem fome tem pressa . . . mas onde está a fome neste episódio? Na senhora, provavelmente não. Não fez cara feia e se permitiu sorrir porque tem paz de espírito. Cumpre seu papel de cidadão.
    E o infeliz que faz a entrega? Percebe-se nele o riso nervoso da fome. Não da fome física, talvez também, mas da fome intelectual. Da fome da mente. De se sentir alguém de fato.
    Não por acaso tende juntar-se com um grupo específico, tão ricamente designado pela Chefe Paola. O neandertal é B ou E . . . ou ambos. Ele tem fome! Ele precisa de identidade e a encontrou junto aos pobres de mente, como ele.
    E se o patrão não se reeleger . . . ai . . .
    Quem vai ficar com fome neste episódio?

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