O Sítio Arqueológico Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro, foi contemplado, em 2017, com o título de Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco. Apesar do reconhecimento da sua importância histórica, o local sofre com a má conservação e a falta de segurança pública.  

No local, que foi o principal porto de desembarque de mais de 1 milhão de africanos escravizados, há problemas, como: falta de lixeiras, má conservação do piso, corrosão dos ferros na estrutura que cerca o espaço, lixo espalhado, pontos de infiltração, além de uma considerável presença de moradores de rua que, juntamente com a falta de policiamento adequado, amedrontam turistas e moradores da região.

O Cais do Valongo também sofreu recentemente problemas com inundações. A primeira delas ocorreu em setembro de 2020 e foi creditada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cedurp), que administra o espaço, à falta de energia. A segunda ocorreu em abril deste ano, quando o local foi alagado em razão de um problema com três bombas d’água.

Por meio de nota, a Cdurp destacou que os cuidados com o local são parte da rotina da Companhia e dos órgãos da administração municipal. Ainda de acordo com a Cdurp, foi solicitada à Comlurb a instalação de novas lixeiras nos postes da Praça Jornal do Comércio.  Também serão instalados, segundo a instituição, iluminação e sinalização turística e informativa sobre o Patrimônio Mundial Cultural, além de um novo guarda corpo. As intervenções fazem parte da fase 2 das obras de consolidação do sítio arqueológico.

No último dia 10, o prefeito Eduardo Paes esteve no Cais para participar da 10ª Lavagem do Cais do Valongo, cerimônia religiosa de celebração da memória dos ancestrais africanos que chegavam escravizados à América.

Patrimônio Mundial Cultural

O título de Patrimônio Mundial Cultural concedido pela Unesco colocou o Cais da Valongo na lista de 21 bens culturais e naturais que são patrimônio mundial no Brasil, como o Centro Histórico de Olinda, em Pernambuco; a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais; e o Plano Piloto, em Brasília (DF).

O Cais da Valongo integra ainda a lista dos sítios arqueológicos sensíveis relacionados a episódios traumáticos da história mundial, como: o Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia; o Memorial de Hiroshima e Nagazaki, no Japão; e Robben Island, na África do Sul, onde Nelson Mandela ficou preso por 27 anos.

Pequena África

Além de ter sido porta de entrada de africanos escravizados no Brasil, o Cais do Valongo, que foi construído no final do século XVIII, também foi o ponto de encontro da comunidade negra na então capital. O local, que foi soterrado por uma reforma urbana do início do século XX, foi encontrado em 2011 durante as escavações realizadas para a reforma da zona portuária. O Cais da Valongo fica na região conhecida como Pequena África.

1 COMENTÁRIO

  1. Seria uma vergonha, perder o título de patrimônio, da UNESCO.
    Temos q ter coragem de exigir das autoridades, a perfeita manutenção.

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