Dom João VI Ainda não li este livro que planeja contar a saga da Família Real Portuguesa no Brasil, em especial no Rio, mas pelas resenhas que vi, é cheia do mesmo preconceito e visão masoquista de outros tantos livros de história do Brasil. Para estes historiadores os heróis brasileiros são sempre bandidos, mesquinhos, cheio de vícios e quase nehuma virtude.

Homens como Dom João VI, ao qual o Rio deve o fato de ser uma metrópole e uma capital cultural, é transformado em um gordo bobo. Se aqui fosse os EUA, ou a França, Espanha, Argentina, Bolívia, Paraguai, qualquer outro país, Dom João VI seria mostrado como um estrategista brilhante que fez que a Casa Real de Portugal se tornasse a única da Europa Ocidental, fora a britânica, a permanecer completa frente à Napoleão Bonaparte.

Dom João VI, teve como cognome O Ceomente, e não O Gordo, ou O Idiota, como prefereriam os medíocres historiadores (que destratam Caxias e elogiam Solano Lopes). Ele criou o Banco do Brasil, a Academia de Belas Artes, o Jardim Botânico, entre outras tantas obras no Brasil e, em especial, no Rio. Obras as quais não viriam de um monarca bobo e burro mas sim de um estadista capaz de manter um país do tamanho do Brasil sem secessão.

Diz a obra «Brasiliana da Biblioteca Nacional», Rio de Janeiro 2006, página 208 (via Wikipedia):

«A trajetória pessoal do monarca, acrescida de numerosas estórias relativas à sua vida familiar, serve a muitas interpretações. Se existe a concordância de todos os autores, que se basearam no depoimento daqueles que o conheceram de perto, quando à sua bondade e afabilidade, todo o resto é controvérsia. Para uns, era inteiramente despreparado para governar e covarde. Outros apontavam sua visão de estadista. Teria sido o agente fundamental de uma inteligente manobra política que enfrentara a hegemonia napoleônica e resguardara a coroa portuguesa das humilhações sofridas por outras monarquias européias. Além disso, garantira a integridade do território ultramarino português, mantendo-se na plenitude de seus direitos, com a trasladação da corte. E as transformações políticas e econômicas ocorridas no Brasil de então, onde as marcas dos grilhões coloniais eram muito visíveis, preparavam o terreno para a emancipação política, tornando o Brasil «a primeira monarquia no Novo Mundo».

E há algo que todo o carioca deve agradecer a Dom João VI, o nosso sotaque. Nosso jeito de falar cantando é graças a vinda de inúmeros portugueses para cidade… Provavelmente sem ele teríamos uma mistura de paulistês com bahianês…

A partir do mês que vem tem o início da Saga de Dom João VI no Brasil, iniciando com a saída de Lisboa, vou tentar falar aqui no Diário do Rio no estilo "há 200 anos…"

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