Sonhando acordado – Argentina: Bariloche e uma das sete vistas mais lindas do mundo

A viagem pela Argentina segue com belas paisagens e muitas histórias

Nos últimos dias nos esbaldamos na neve feito duas crianças, adiamos tudo o que podíamos ou não podíamos para viver intensamente esse sonho. Se por acaso não leu, dá aquela conferida na coluna da semana passada que vai valer a pena.

Sem podermos postergar mais, tínhamos alguns afazeres do lar para solucionar. O primeiro deles era ajustar o pistão de uma das nossas janelas do quarto, que não segurava mais quando ela estava aberta basculante. Encontramos na loja Madeco, indicação de um querido amigo argentino. Como o modelo encontrado não era o mesmo dos demais e estava com bom preço aproveitamos para trocar os dois pares do quarto para ficarmos com a casa bonita e combinando. Até porque se na nossa cabeça o complicado era encontrar o material e aprender a instalar, mais alguns minutos e a troca geral foi moleza.

Dali saímos em busca da mangueira do bebedouro, queríamos substituir a que leva da bomba para o bico dele, pois não era adequada para consumo. Estávamos cismados com isso desde que trocamos a outra parte, porém não havíamos encontrado até então. Durante a troca das mangueiras ajustamos a posição da nossa bomba que estava inclinada e deveria estar reta. A diferença de pressão foi tanta que até assustamos com o novo barulho emitido por ela.

Com a casa arrumada, fizemos uma compra no La Anônima para não nos preocuparmos pelos próximos dias com a dispensa, já que iríamos explorar outra zona da cidade e queríamos ir em cada cantinho sem precisar voltar ao centro. Dormimos ansiosos pelo passeio que iniciaríamos no dia seguinte, principalmente porque a previsão do tempo estava ao nosso favor, seria um dia de sol com temperaturas melhores.

Despertamos e o Livio estava mega animado porque sabia que tinha muita coisa linda pela frente, visitaríamos o famoso Circuito Chico. No entanto, a Dani não estava levando muita fé pelo que havia visto de outros viajantes recentemente. Bom, isso mudou rapidinho.

A primeira parada foi um pouco antes do real início do Circuito, o Cerro Campanário. Seu nome decorre de uma torre de igreja que tinha um sino e uma das melhores vistas da região. Queríamos conferir. Apesar de ser baixa temporada, o estacionamento estava lotado e tivemos que parar a casa no acostamento em frente. Conversamos com funcionários de lá e disseram ser permitido e tranquilo deixar a casa ali.

Existem duas opções para o passeio: (i) teleférico no valor de ARS$1200 – R$30,00; ou (ii) caminhada, aproximadamente 25 minutos. Optamos pelo número (ii), embora a Dani estivesse com um pouco de sinusite decorrente da nevasca que pegamos (sério, se você não leu te convidamos novamente, a última coluna foi incrível!).

Quando chegamos lá em cima, meus amigos, sem palavras. Se estávamos impactados com o Cerro Catedral e o Cerro Otto, aqui não foi nem um pouco diferente. A vista panorâmica 360° da cidade com o Circuito Chico, permitindo ver os lagos e montanhas em um dia de sol é algo absolutamente espetacular. Entrou para o TOP5 da viagem com certeza, é muito lindo.

Descobrimos com nossos próprios olhos porque já foi considerada uma das 7 vistas mais lindas do mundo.

Depois de uma bela seção de fotos, filmagens e a vontade de ficar o resto do dia ali curtindo a paisagem, descemos. Precisávamos seguir adiante.

Logo no início do Circuito existem algumas empresas que alugam bicicleta, era nossa ideia, mas a Dani foi salva pela sinusite e fizemos todo ele de carro mesmo. Seguindo a sugestão de um argentino que conhecemos no Cerro Otto, fomos para o lado direito. Ah, o Circuito é circular, você começa e termina no mesmo ponto depois de percorrer aproximadamente 60km.

O trajeto por si só já é maravilhoso, com diversas vistas incríveis, restaurantes, cervejarias, hotéis. Paramos na Paroquia San Eduardo, uma igreja quase toda de madeira muito linda. Depois passamos pelo famoso Hotel Llao Llao, um resort da década de 40 que ostenta uma fama danada. No caminho descobrimos que existem diversos senderos dentro do Circuito, sua grande maioria de dificuldade baixa ou média. Como já tínhamos feito o Cerro Campanário e achamos lindíssimo, decidimos que faríamos mais algum antes de ir embora.

Seguimos até chegar na Bahia Lópes, onde tem um mirador belíssimo ao lado da estrada. Saltamos para contemplar um pouco. Voltamos e, pelo horário, precisávamos tomar banho, estava sol e era a hora mais quente do dia. Coisas que acontecem com quem vive em um motorhome (Risos). Seguimos para a praia que vimos do mirador e depois para a Cervejaria Patagônia.

Embora seja uma das cervejas preferidas do Livio, tenha uma baita estrutura, uma vista panorâmica linda e estivesse vazia pela baixa temporada, não foi o que esperávamos. O cardápio não é dos melhores, nem em opções nem preços, algumas cervejas exclusivas estavam em falta e o serviço é péssimo. Tão ruim que quase desistimos.

Dormimos próximo dali no estacionamento que fica ao lado do Punto Panorâmico, uma das paradas das vans e ônibus de turismo. Certamente tomaríamos um café da manhã “with a view” no dia seguinte.

Acordamos cedo e mantivemos o planejamento de tomar café da manhã fora de casa. Preparamos tudo e saímos antes que começasse o fluxo de vans e ônibus de turismo. Como não tinha muito movimento, conseguimos tirar umas fotos e desfrutar nossa refeição em paz. Porém, foi no laço, quando começamos a sair, já próximo da hora do almoço, o movimento turístico estava ensandecido.

De lá fomos conhecer a Colônia Suíça, um bairro colonial fundado no final do Século XIX. Que gracinha, suas lojinhas de decoração de casa, aromas, brinquedos e os restaurantes tornam o lugar muito aconchegante. Infelizmente não estávamos no dia de feira, que acontece nas quartas e domingos, cujo principal atrativo são as comidas, em especial o curanto, uma maneira especial de preparar carne com pedras quentes. Tivemos que deixar para experimentar essa iguaria em uma próxima vez.

Conversando com os locais, pegamos algumas indicações de trilhas para fazermos no dia seguinte, e descobrimos uma caminhada curta para chegar em uma das praias do Lago Perito Moreno. Fomos lá conferir e é realmente lindo. Cada pedacinho do Circuito Chico te proporciona contato intenso com a natureza e te convida para contemplação.

Na volta ainda tivemos pique e fomos conhecer a cervejaria Berlina, uma artesanal de Bariloche, cuja fábrica é ali na Colônia Suíça. Poucas opções de comida, mas um ambiente bem legal com cerveja de qualidade.

Finalizamos o dia com uma tradicional picada argentina em casa assistindo Netflix para relaxarmos. O próximo dia seria mais intenso!

Despertamos com as galinhas por um bom motivo: trekking! Queríamos muito fazer pelo menos alguma trilha antes de sairmos do Circuito Chico. Caprichamos no café da manhã e partimos.

Fomos para Bahia Lopes fazer o sendero para Brazo Tristeza. Uma trilha curta de 20 minutos que leva até uma vista do rio que desemboca no Lago Nahuel Huapi. Muito bonito, especialmente porque as duas montanhas na frente estavam avermelhadas do outono. Na volta caminhamos e pegamos um sol na praia da baía.

Nos animamos com o trekking curto e resolvemos ir até Villa Tacul para fazer o sendero do Cerro Llao Llao. O trajeto que sai do Circuito Chico para lá é de ripio e estreito, mas conseguimos chegar até o final onde tem uma área de estacionamento pequena. Nossa sorte que era baixa temporada porque (i) o fluxo de veículo na estrada seria muito ruim para gente e (ii) se tivesse carro no estacionamento provavelmente não conseguiríamos parar ou manobrar.

Essa trilha é um pouco mais exigente porque é mais íngreme, mesmo assim o grau de dificuldade é baixo. Foram aproximadamente 2km de subida leve, continua e em zigue-zague. Fizemos em 35 minutos. O visual é incrível! Ainda mais bonito do que o anterior. Nos lembrou um pouco do Cerro Campanário com a vista panorâmica de cima dos lagos com as montanhas ao fundo. Todavia, a visão não é 360°, não dá para ver no sentido da cidade. Ficamos um tempinho curtindo o visual, mas tínhamos que descer porque já era o meio da tarde e começava esfriar.

Terminamos o Circuito Chico desfrutando de cada pedacinho e com dó de sair. Passamos três dias inteiros explorando bastante, mas certamente ficaríamos uma semana. Existem muitas outras trilhas, praias, refúgios de montanha, passeios de caiaque, barco e bicicleta que gostaríamos muito de fazer.

Ai que gostinho interminável de quero mais…

Quer acompanhar de pertinho essa aventura?! Corre lá no Instagram @sonhandoacordadobr !

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