Sonhando acordado – Argentina: Bem-vindos à ‘Brasilloche’

Fechamos nossa última coluna com chave de ouro (corre lá para conferir se você perdeu) e nessa já vamos começar com o pé direito! Nossa próxima parada era nada mais nada menos do que Bariloche! Ou, para os íntimos, “Brasilloche”! Estávamos muito animados!

Antes de sairmos de El Bolson voltamos na feira de artesanato para comprar duas geleias típicas da região (framboesa e rosa mosqueta) e em uma panaderia maravilhosa, onde compramos uma dúzia de facturas (doces de padaria) e algumas chipas para comermos com café. A estrada seria, no mínimo, saborosa (risos).

Já comentamos algumas vezes por aqui como curtimos nossos dias de estrada, então, estávamos mais excitados porque o trecho da Ruta Nacional 40 (RN40) que nos levará até Bariloche (122km) e, posteriormente, para San Martin de Los Andes dizem ser magnífico! Ansiosos por cada quilômetro, fizemos o percurso em quase um dia inteiro, apreciando as cores do outono e o visual da rodovia.

Chegamos em Bariloche no final da tarde. O que não esperávamos era a mudança brusca de temperatura em poucos quilômetros. Após uma noite fria, despertamos com o dia chuvoso. Logo no primeiro dia e quando tínhamos um compromisso na outra ponta da cidade ainda pela manhã. Faríamos nossa primeira revisão do veículo na Mercedes-Benz Argentina. Sem ter para onde correr e com medo de nos atrasarmos se houvesse trânsito, fomos logo cedo para tomarmos café da manhã na porta da concessionária. Vantagem de estarmos com a casa nas costas.

Muito bem recepcionados, tivemos a oportunidade de acompanhar de perto todo o serviço realizado pelos funcionários, os quais fizeram a gentileza de nos explicar tudo o que era feito, nos mostrar e, de quebra, responder inúmeras perguntas de dois estrangeiros curiosos. O serviço demorou pouco mais de duas horas e compreendeu: a troca de cinco filtros – de óleo, combustível, turbo, ar do motor e ar da cabine -, troca de óleo e revisão computadorizada do veículo.

Tudo nos conformes, graças à Deus. Podemos seguir tranquilos que nossa manutenção está em dia, o que é de suma relevância para nós que vivemos na estrada, especialmente fora do país. Pagamos por todas as peças e mão de obra o total de ARS$53.060,00 – R$ 1.327,00. Um bom preço comparativamente ao Brasil, onde verificamos que a revisão ficaria entre R$1.500,00 e R$2.000,00.

Com nosso dever de casa concluído com sucesso até São Pedro comemorou, dando uma trégua na chuva e nos deixando apreciar a vista do imenso Lago Nahuel Huapi durante o final da tarde.

Se mencionamos que nos assustamos com a mudança de temperatura grotesca de El Bolson para Bariloche, acredite, era só o prelúdio. Acordamos congelados de manhã cedo. Agora imagine a nossa cara quando decidimos abrir as janelas e estava caindo uma nevasca! Estava nevando! Uma mistura de sentimentos muito incrível vivenciarmos esse sonho juntos, difícil descrever a beleza de ver a neve caindo ao vivo e em cores!

Embora tivéssemos coisas da casa para resolver, queríamos muito aproveitar a neve. Afinal de contas não é todo dia que dois cariocas são agraciados por um fenômeno desses. Como se não bastasse, todos com quem conversamos pela manhã nos disseram que era raríssimo isso acontecer em meados do outono.

Por isso, sem pestanejar, fomos direto para o Cerro Catedral, o maior centro de esqui da cidade e da América Latina, onde certamente teria uma quantidade de neve muito boa. Ainda no caminho estávamos boquiabertos, a paisagem é muito fantástica. Não resistimos e estacionamos a casa em um canto lotado de neve fofa, o que automaticamente nos fez iniciar uma guerrinha de bola de neve. Nossa primeira! Jamais vamos esquecer isso. Uma experiência fria e magnífica!

Pouco depois seguimos para o Cerro Catedral e ficamos impressionados com as construções lotadas de neve nos telhados, ao redor e com as portas tapadas. Em compensação, o acesso à estação é tranquilo, próximo da cidade (19km), asfaltado e sem qualquer bloqueio. Lá, a estrutura é bem grande, um estacionamento superamplo, restaurantes, bares, cafeterias, hospedagens lojas e escolas de treinamento. Isso tudo somado aos 120km divididos em mais de 50 pistas para todos os níveis.

Caminhamos admirando cada detalhe. Percebemos que muitos estabelecimentos estavam fechados por não ser temporada. Descobrimos também que existe um bondinho no valor de ARS$2100 – R$52,50 que leva as pessoas até o cume, onde tem uma cafeteria, para admirar a vista e ter um pouco da sensação dos esportistas lá de cima. Não fomos, já estava fechado por conta do horário.

Chegamos na parte de uma das pistas onde estavam diversas famílias brincando na neve, aprendendo ski e snowboard, enquanto outras, assim como nós, estavam brincando de skibunda. Quem será que ganhou essa bateria de corridas? Algum palpite?

Finalizamos esse dia incrível com chocolate quente (ARS$350 – R$8,75) de frente para o gigante Cerro Catedral em um belo pôr do sol com a certeza de que nunca iríamos esquecê-lo!

Acordamos em mais um dia gélido (-1°C), só que lindo! O céu estava azul e com menos nuvens do que o anterior. Decidimos que iríamos aproveitar mais um pouco a neve antes que ela derreta.

Elegemos como passeio do dia o Cerro Otto. Depois do café da manhã fomos para o estacionamento do teleférico, queríamos ter a experiência de subir no bondinho. Lá descobrimos que, infelizmente, a parte de Piedras Blancas (cuja entrada é diferente e possui outro estacionamento) e do próprio Cerro Otto não estava aberta para skibunda e outras atividades na neve. O valor do bondinho foi ARS$2500 – R$62,50 por pessoa.

Acertamos na escolha! A vista é absurdamente incrível. Tivemos o privilégio de ver em um dia de céu azul e sol: as árvores verdes, os lagos, neve nas montanhas, neve nas árvores avermelhadas do outono. Sabe aquela tal sensação de estar em um filme?! Ainda não conseguimos abandonar o sentimento! (Risos).

Lá em cima existe uma mini galeria de arte, que estava com uma exposição do Michelangelo; um mini cinema/boate; loja de souvenirs; e a confiteria, que deixamos por último. O espaço é menor, em nada se compara com o Cerro catedral, especialmente com o acesso de algumas áreas restrito.

Fomos para o lado de fora tirar muitas e muitas fotos, brincar com a neve fofa e admirar a vista panorâmica em 360° daquela paisagem. Uma pena as atividades de lazer não estarem abertas, pois lá em cima tem passeio com raquetes nos pés, tirolesa, skibunda motos e quadriciclos de neve. O único atrativo que estava lá era um cachorro São Bernardo gigante para as pessoas tirarem fotos.

Mesmo perdendo a noção do tempo, tem uma hora que a fome chega. Resolvemos encarar a fila enorme da cofiteria, pois já estávamos lá em cima e queríamos desfrutar da vista da única confiteria giratória da Argentina. Nos sentamos colados na janela e almoçamos contemplando cada ângulo que conseguimos.

Que experiência absurda, estávamos encantados e completamente apaixonados pela neve!

Quer acompanhar de pertinho essa aventura?! Corre lá no Instagram @sonhandoacordadobr !

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