Sonhando acordado – Argentina: Brincamos em um labirinto e nos apaixonamos por uma cidade hippie

Nossos viajantes mostram curiosidades de mais uma bela cidade da Argentina

Após alguns dias isolados no meio da natureza desbravando o Parque Nacional Los Alerces (se você perdeu, leia a coluna anterior para conhecer um pouco desse patrimônio mundial da UNESCO) seguimos viagem para um destino inusitado que nos chamou atenção: El Hoyo (66km).

Recebemos a indicação de um casal de viajantes portenho de que seria imperdível voltar a ser criança e se divertir dentro do Laberinto Patagônia, localizado a aproximadamente 3km de ripio da Ruta Nacional 40 (RN40). (Foto 1)

O lugar é enorme! O pátio de estacionamento grande, com uma vista de montanhas super linda. O complexo possui uma pitoresca estrutura com lojinha, banheiros e uma cafeteria com tortas e lanches apetitosos. (Foto 2)

Pagamos ARS$850 – R$21,25 por pessoa para podermos brincar no labirinto. No trajeto você pode demorar 5 ou 40 minutos, depende das escolhas que fizer. Ah, caso desista, existe um telefone na sua pulseira para pedir socorro (risos)!

O labirinto é dividido em duas etapas, na primeira se escolhe entre dois caminhos, direita ou esquerda. Depois de desvendar a primeira parte há um jardim com 9 possibilidades! É superdivertido, vimos pessoas de todas as idades, com e sem crianças, gargalhando e desfrutando. Nossa sensação era de que estávamos participando de um Harry Potter da vida real. (Foto 3)

Na saída almoçamos no estacionamento e retornamos para a confeitaria para a sobremesa. Não resistimos! Era uma torta mais linda que a outra, tivemos que experimentar com cafézinho. Tudo gostoso e o atendimento impecável. Desfrutamos um pouco desse lugar tão cativante antes de partir para nosso próximo destino: El Bolson (19km).

Quando chegamos no centrinho da cidade nos apaixonamos de cara. Conseguimos parar na avenida principal a algumas quadras da praça principal onde tem feira de artesanato. Descobrimos que a feira é permanente todas as terças, quintas, sábados e domingos.
Nos encantou o fato de que a feira é literalmente de artesanato! Não só de cervejas, hamburgueres e food trucks como vimos no geral pelo Brasil. Havia trabalhos com pedra, madeira, lã, doces, queijos, roupas de frio, adesivos da cidade, bijuterias, facas, mates…amamos! E não resistimos de novo! Estamos fracos (risos)! Experimentamos um waffle que estava com uma cara maravilhosa, com queijo e presunto de parma e uma cerveja artesanal local. Aliás, para os cervejeiros de plantão, a zona possui diversas cervejarias em virtude da boa água da região. ( Foto 4)

Durante a noite caminhamos pelo centro em meio à diversos bares e restaurantes muito movimentados e animados com música ao vivo. Escolhemos um com promoção de cervejas (2x chopps grandes por ARS$450 – R$ 11,25) para assistir ao show.

No dia seguinte fomos para o Mirador Del Azul. Bem próximo da cidade (4km), o mirante oferece uma vista bonita do Río Azul que margeia a cidade do vale ao seu entorno. Seguimos um pouco mais para conhecer também a Cabeza del Índio (2km). Essa parte fica em uma zona de preservação e cobram entrada de ARS$300 – R$7,50 por pessoa. Existem duas trilhas que conduzem para a pedra em formato de rosto indígena que dá nome ao lugar. Ambas são muito curtas e com vistas semelhantes, porém a que leva o nome da pedra proporciona uma melhor identificação da face. A outra tem nome de mirador. ( Foto 5 e 6)

No retorno para cidade e depois do banho, Dani incrementou nosso cardápio e fez um prato vegetariano que queríamos experimentar há algum tempo: strogonoff de palmito. Que manjar dos Deuses! Ficou uma delícia, tão bom que não sobrou nada para contar história.

Na vida corrida de cidade grande como o Rio de Janeiro não tínhamos o hábito ou tempo para a cozinha. Saíamos cedo de casa para trabalhar ou outros afazeres e voltávamos tarde da noite exaustos. Era mais prático e cômodo fazer as refeições na rua ou pedir delivery. Na estrada isso transformou nossas vidas. Primeiro, porque fazemos todas as refeições juntos todos os dias. Segundo, porque a cozinha se tornou uma aventura e desafio diário de aprendizado e aprimoramento.

Nosso penúltimo dia em El Bolson começou no susto. Um amigo brasileiro que estava conosco bateu na porta logo cedo dizendo que a guarda municipal nos pediu para sairmos da rua. Haveria uma feira na pequena praça ali na frente e seriam todas as ruas interditadas para passagem.

Sugerimos aproveitar que teríamos que sair com nossos motorhomes de onde estávamos, era cedo e estava sol para visitarmos juntos com os demais viajante o Lago Puelo (20km). Aceitaram nossa sugestão e fomos em quatro casais para visitar o famoso parque da região no vilarejo vizinho homônimo.

Estacionamos no centro de visitantes fora da parte que pertence ao parque porque um dos motorhomes tinha dois cachorros e mascotes não são permitidos ali dentro. Tomamos café da manhã e fomos todos para o lago, que ficava a uns 300 metros de distância.

O lugar é lindíssimo! Amplo e com muitas mesas de piquenique espalhadas nas margens da praia. Vimos muitas famílias aproveitando o dia de sol ao redor do lago. Certamente muitos turistas, mas nos pareceu haver muitos grupos familiares da região que estavam ali desfrutando. Além da praia, há algumas trilhas no entorno e um ponto que vende passeios de barco e caiaque. Detalhe muito importante: a entrada é gratuita! (Foto  7 e 8)

Saímos do parque para almoçarmos e o grupo se dividiu em quem gostaria de voltar para a cidade porque tinha afazeres e quem ainda estava com energia para fazer uma pequena trilha para o Mirador del Lago Puelo. Ficamos com a segunda opção. Sorte a nossa! O visual panorâmico do mirante é absurdo! Fizemos um pequeno trekking relativamente inclinado de 2km em aproximadamente 25 minutos para desfrutar da melhor vista do lago. Lindo demais! Retornando para El Bolson tentamos passar em uma das passarelas do Río Azul que era próxima, mas como já estava escurecendo, não foi tão bonito. (Foto 9)

Voltamos e fomos em busca de água para o banho. Exatamente isso, quem vive em um motorhome possui a preocupação constante com a água. Como economizar, onde conseguir, não congelar, não infiltrar. Dessa vez não conseguimos pegar em nenhum dos postos de combustível que passamos, nem YPF nem Puma. No final, arriscamos no corpo de bombeiros da cidade. Explicamos a situação e foram muito solícitos com a gente. Conseguimos completar nossa caixa d’água enquanto os dois tomaram banho por lá mesmo.

Acordamos com um lindo dia de sol para nos despedirmos da cidade, o que nos fez deixar a preguiça de lado para encarar mais uma trilha: Cajon del Azul. Tomamos um belo café da manhã, preparamos a mochila e partimos para Chacra Wharton (14km), último lugar que podemos ir de carro antes de começar o sendero. Porém, não há onde deixar a casa que não em um dos estacionamentos que cobram o valor tabelado de ARS$ 500 – R$ 12,50.

Iniciamos nossa trilha por volta das 10 horas da manhã. O cenário é muito lindo, percorrendo seu maior trecho dentro de um bosque, com ar puro. Depois de pouco mais de 1km há um local para fazer o registro, pois dali iniciam diversos caminhos que levam para muitos refúgios e camping diferentes. Logo a frente existe um bar/restaurante próximo ao rio extremamente aconchegante. Sério, já valeria demais ir somente até ali e passar o dia desfrutando daquela paisagem. Mas nós gostamos de um pouco mais de aventura né, seguimos em frente e terminamos nossa trilha com o total de 9km percorridos só de ida, em aproximadamente 2:30h. Ela possui subidas e descidas constantes, porém sem grandes inclinações, o que faz o trajeto não ser cansativo.

Dessa vez não há muitos pontos de parada como miradores, somente ao final quando já se está às margens do Río Azul. A cor da água é linda e, sabe-se lá como, diferente das demais que já vimos. Muito incrível a quantidade de tonalidades que os rios e lagos da patagônia podem ter. (Foto 10)

O Cajon del Azul é um cânion enorme, de onde de consegue ver o rio lá embaixo e a floresta sobre as pedras de cima. Achamos bonito, mas não é fantástico. Na realidade, gostamos mais da paisagem na parte um pouco antes de chegar, onde vimos muita gente parada lanchando e curtindo. Logo, voltamos para lá. Comemos, tiramos fotos, fizemos vídeos e conhecemos mais um casal gente boa de argentinos que estava viajando de férias. (Foto 11)

No retorno, já na parte final, o Livio teve a cara de pau de colocar o dedo para fora para pedir uma carona para uma caminhonete 4×4 que estava passando no local de registro da saída! O rapaz não só parou, como foi supersimpático. Depois de muitos quilômetros caminhando economizar as pernas para chegar em casa foi espetacular. Isso que chamamos de fechar com chave de ouro!

Quer acompanhar de pertinho essa aventura?! Corre lá no Instagram @sonhandoacordadobr!

Advertisement

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui