Sonhando Acordado – Argentina: Enfrentamos ‘Los 75km Malditos’, da Ruta Nacional 40, e visitamos a Cueva de las Manos

Se existe algo que havíamos escutado em conversas com outros viajantes ou assistido em vídeos de YouTube sobre os caminhos pela Patagônia é o tal do rípio. Acreditamos que não há nada que as pessoas que vivem em um motorhome possam detestar mais do que enfrentar estradas de rípio. Aprendemos na prática quando estávamos na Península Valdés como ele pode ser cruel. Acredite se quiser, mas o nosso teto trincou!

Caso não conheça, a estrada de ripio é composta por terra, cascalho e pedras, normalmente com muitas ondulações – “costelas de vaca”. Esse combo não só te faz andar devagar como trepida sua casa inteira! Não é divertido, desgasta dirigir a 15km/h e ficamos apreensivos SEMPRE!

Contudo, nem sempre há como fugir. Teríamos que enfrentar os famosos “Los 75km Malditos” da Ruta Nacional 40. Se não sabe o porquê viemos parar aqui, volta uma coluna!

Momentos como esse requerem um planejamento psicológico especial (risos). Para não se estressar com a estrada há que ter em mente o tempo todo o cuidado com a casa, preparar alguns lanches para o caminho, playlists boas, um podcast especial e, claro, uma ótima companhia ajuda para o bate-papo.

Durante o trajeto, como estávamos em baixa velocidade e demorava séculos para passar outro veículo e a Dani se animou de dirigir um pouco a casa. Pronto, está aqui a respostas que muitos queriam: ela sabe dirigir! Todavia, por opção nossa, o Livio é quem costuma pilotar. Aproveitamos esse momento para filmarmos a casa com o drone.

Após quase sete horas de puro rípio, voltávamos, finalmente, para o asfalto. Nossa, que alívio! Você não faz ideia de como é bom parar de escutar o ruído da casa, sentir as vibrações do volante e, não menos importante, seguir em uma velocidade razoável para o próximo destino.

Chegamos cansados, já de noite, em Gobernador Gregores. Como nossa despensa estava debilitada, saímos em busca de algo para jantar e acabamos comendo uma pizza de muçarela no Hotel and Restaurant – Cañadon Leon por ARS$ 850,00 – R$ 21,25. Não era das melhores, mas foi o que conseguimos encontrar próximo e rápido.

Após alguns dias praticamente ilhados em El Chaltén, teríamos que fazer as tarefas de rotina de quem vive em um motorhome. a primeira missão do dia era encontrar uma lavanderia, tínhamos acumulado muita roupa suja novamente. Não lavamos desde Ushuaia.

A primeira lavanderia que visitamos era na casa de uma senhora, mas achamos caro o preço de ARS$ 1.000,00 – R$25,00 por bolsa de lavagem. Encontramos então a Oásis, que nos cobrou AR$$700,00 por bolsa e nos entregaria no final do dia. Pagamos o total de ARS$ 2.800,00 – R$ 70,00. 

A missão seguinte foi supermercado, um La Anônima grande sempre nos agrada. Abastecemos a despensa, arrumamos tudo e almoçamos em casa uma salada com medalhão de salmão, uma novidade que decidimos comprar e experimentar. Caiu super bem! 

Por fim, tentamos encontrar um senhor que teria as ferramentas para realizar o refil do nosso botijão de gás, mas ele não estava em casa. Retornamos no dia seguinte, mas para o nosso azar ele não tinha as conexões necessárias para o nosso botijão do Brasil. Iniciaríamos a saga do gás.

Encontramos uma rotisseria, Casa Rio, com comida caseira gostosa e preço bom para almoçarmos e termos algo pronto para a estrada. Lá descobrimos que no dia seguinte seria o centenário da cidade e naquele dia começariam as comemorações, com shows etc. Abortamos a viagem, decidimos ficar. Mais uma das grandes vantagens de termos a casa nas costas e não estarmos com os dias contatos para chegar ou sair de algum lugar. 

No final da tarde fomos ao local do evento da cidade, um campo de futebol onde armaram um palco enorme; umas 3 ou 4 barraquinhas de comida no entorno; dentro do ginásio uma feira de artesanato e produtos locais; e atrás do ginásio uns brinquedos para crianças. Compramos uns chocolates para experimentar mais tarde.

Assistimos o show no final da tarde, mas como o próximo ainda ia demorar, voltamos um pouco em casa. Quando retornamos, estava bem mais cheio, várias pessoas com suas cadeiras e mate. Muito legal ver as famílias se reunindo para assistir e cantar. Era O evento da cidade e da região. 

Como o intervalo entre os shows era grande e o frio aumentou, voltamos para casa para comer e assistir uma série antes de dormir.

Acordamos bem cedo e pé na estrada. Estava frio de manhã, mas um dia lindo que foi nos aquecendo no caminho.

Depois de aproximadamente três horas de viagem, chegamos em Bajo Caracoles, onde aproveitamos para esticar as pernas e verificar as informações sobre as estradas para a Cueva de las Manos. Nos confirmaram que a estrada em melhor estado de conservação do rípio seria a mais longa, 47km. Nos preparamos psicologicamente para andar a 20km/h e seguimos em frente. 

Oras bolas, mas se o rípio é terrível e seria um desvio, por que raios decidiram ir para esse lugar?! Queríamos muito conhecer esse sítio arqueológico considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO. 

Depois de pouco mais de 2 horas chegamos no Cañadon do Río Pintura, um lugar espetacular que por si só já vale uma visita. Ali fica o centro de informações de onde partem visitas guiadas. Isso mesmo, tivemos que pagar ARS$2.000 – R$50,00 por pessoa para conhecer. Aliás, tivemos sorte, porque o tour guiado sai em horários específicos e é sujeito à lotação, algo que não sabíamos. O passeio durou em torno de 2 horas, passando pelas passarelas das pinturas rupestres, com explicações sobre as três gerações de povos que por ali estiveram. A primeira, pintou guanacos, a segunda “guanacos – fêmea” prenhas e a terceira figuras geométricas. Sendo que todas elas pintaram mãos. Observe bem e vai perceber que praticamente todas são mãos esquerdas! Curioso, né!?

É bem incrível ver como o ser humano sempre contou histórias e registrou seus rituais, assim como o estado de conservação das pinturas rupestres de cerca de nove mil anos. Viram só como não poderíamos deixar de visitar e trazer para você esse lugar dos sonhos!? 

Após o passeio, o grande desafio, retornar pelo mesmo caminho! Muita costela de vaca fez com que a volta fosse bem cansativa, de novo a 20km/h. Como dizem que o que não tem solução, solucionado está, tentamos descontrair gravando um vídeo do Livio correndo atrás da casa com a Dani dirigindo (risos).

Chegamos de noite em Bajo Caracoles, já decididos que dormiríamos por ali. Estávamos estafados do dia de estrada.

Quer acompanhar de pertinho essa aventura?! Corre lá no Instagram @sonhandoacordadobr !

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