Sonhando acordado – Argentina: Fim da Saga do Gás e Parque Nacional Los Alerces

A viagem pela Argentina segue a todo vapor com nossos desbravadores

Apesar do mix climático do dia anterior, nosso primeiro dia em Esquel amanheceu ensolarado, o que nos deu ânimo para explorar a cidade e aproveitar sua infraestrutura para tentar acabar de vez com a nossa saga do gás. O frio estava chegando com mais força e não queríamos correr o risco de ficar sem banho quente ou sem cozinhar.

A Plaza San Martin onde escolhemos fazer nossa base estava próxima de todo comércio. Não é à toa que havia diversos motorhomes estacionados ao seu redor. Aliás, se você não sabe como chegamos até aqui, é só voltar uma coluna.

Caminhamos até a ferreteria La Union, onde o senhor nos deu esperança ao dizer que possuía todas as conexões de gás. Sem perder tempo fomos com nossa casa até lá. Ao retirar o botijão levamos um pequeno susto, estava vazando. A válvula de segurança não estava bem encaixada e com algumas batidas voltou à posição correta, o vasilhame estava normal. Nada como um pouco de experiência. Com um pouco de paciência e jeitinho conseguimos efetuar a recarga!

Todavia, na hora de colocar no lugar, mais um susto, estava vazando agora no regulador. Esse regulador do Brasil não existe na Argentina, a sistemática é diferente. Depois de vários testes, fomos em outras ferreterias e pontos de gás, cogitamos a possibilidade de comprar um botijão argentino. Nada obstante, isso implicaria em mais mudanças, a altura e diâmetro do botijão são diferentes, as conexões e mangueiras também.

Precisávamos conseguir resolver, ou a solução antecipada de um problema teria nos causado um maior ainda. Estávamos visivelmente chateados.

Nos parece que durante a recarga o senhor teria colocado mais pressão dentro do botijão do que deveria e por isso estava vazando. Por cautela, optamos por desconectar durante a noite o botijão. Um paliativo que não poderia durar muito, pois com o tempo e o frio não seria viável fazer isso todos os dias a noite e poderíamos eventualmente esquecer.

Após um dia de afazeres sobrecarregado de tensão, fomos explorar a cidade, muito mais visitada durante o inverno por ter pistas de esqui com uma boa infraestrutura em um preço mais condizente e atrativo do que lugares como Ushuaia, Bariloche ou Mendoza.

Passamos pela estação de trem La Trochita, de onde saía o antigo Expresso Patagónico, e fomos até a Reserva Natural Urbana Laguna La Zeta. O lugar é lindo, decidimos fazer umas caminhadas ao redor da lagoa para espairecer a mente, almoçar e passar o dia por lá.

Noutro dia, tivemos a oportunidade de fazer uma típica parrilla argentina com outros três casais de viajantes que conhecemos, dois brasileiros e um argentino. Advinha só quem assumiu a brasa? Um dia de conversa fiada, gargalhadas, cerveja gelada e boa carne. Finalizamos o dia transformando a churrasqueira em uma fogueira e jogando Uno até de madrugada.

Acordamos no meio das nuvens! A cerração estava grande e o clima bem frio. Um daqueles dias que dá vontade de ficar na cama. Mas nos levantamos, completamos a caixa d’água e fomos para Trevelin (26km). A pequena cidade possui uma pracinha central muito bonita, onde nos finais de semana de tarde acontece a feira de artesanato. Destaque para o centro de informes turísticos mais irado que visitamos! Tem um dragão no telhado que, literalmente, cospe fogo durante a noite! Nem precisamos dizer que passamos boa parte do dia na praça e dormimos ao redor dela.

Acordamos bem cedo para seguir viagem para o Parque Nacional Los Alerces (24km), declarado Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2017. Nossa ideia era passar os próximos dias explorando esse lugar incrível, então abastecemos a despensa e avisamos a família, pois lá não há sinal de internet ou telefone.

Depois de tomarmos nosso café da manhã, quando estávamos prestes a zarpar, uma senhora veio nos pedir ajuda. Ela e seu marido estavam com outro casal de senhores e ficaram sem bateria no carro deles. Impossível negarmos, somos tão ajudados em nossas andanças por aqui que tínhamos que pelo menos tentar retribuir todo o carinho que recebemos. Fomos com a casa até lá, fizemos todas as manobras para posicionar a casa de uma maneira que fosse possível auxiliar. Com tudo pronto, chegou outro senhor com uma bateria portátil e rapidamente resolveu a questão. O importante é que fizemos novas amizades e o problema foi solucionado.

Partimos com um pouco de atraso pela Ruta 71 para o parque, cuja entrada custou ARS$ 1.820 – R$ 45,50 por pessoa, com a indicação que não havia limite de noites para dormir. Isso é importante verificar porque alguns dos parques que visitamos não permitem o pernoite e outros apontam o número máximo autorizado. (Foto 5)

Seguimos para a vila Futalaufquen, na margem esquerda do Lago Futalaufquen. Pasmem, estava rolando um campeonato de futebol, com árbitro e bandeirinhas. Mesmo bem pequena, a vila tem escola e pronto socorro, ficamos surpresos com o fato de que pessoas moram lá dentro. Foi a primeira vez que vimos isso. (Foto 6)

Na sequência fomos para o Puerto Limonao, onde iríamos estacionar a casa para fazer o sendero dos Cinco Saltos. Porém, começou a garoar e desistimos. Resolvemos passar a tarde de frente para o lago, conversando, editando fotos, petiscando e bebendo uma cervejinha. Por conta da chuva, acabamos abortando também a trilha das Pinturas Rupestres e Cascada Irigoyen, apesar de pequenas.

Nos dirigimos ao ponto indicado no mapa para estacionamento de motorhomes. A propósito, esse foi o pior parque em termos de sinalização e mapa que já visitamos. A estrutura também é bem ruim, porque só há um lugar para pernoite de motorhomes fora dos campings. Logo, como o parque é gigantesco, se estiver em outro ponto precisará andar muitos quilômetros para chegar aqui novamente. (Foto 7)

Despertamos com o dia sem chuva e continuamos pelo parque apreciando a paisagem até chegarmos no estacionamento indicado para fazermos o sendero da Laguna Escondida. Mais do que fazer a trilha queríamos ir às margens do rio verde turquesa que avistamos da estrada. Ali tem um camping que fica ao lado do Rio Arrayanes. Incrível! O tom da água é muito absurdo, parece filtro de imagem, sem contar que dá para ver o fundo, mesmo sem estar em um dia ensolarado. (Foto 8 e 9)

Trocamos de roupa, pegamos uns biscoitos e fomos para nosso trekking que, aparentemente, era curto e rápido. O início da trilha é muito íngreme, e a Dani reclamou a vida: não tínhamos levado água, ela ia sentir dor no joelho, não estávamos preparados, não levamos mochila. Quase desistiu umas três vezes (risos). Devagar seguimos e a parte de subida ficou para trás, porque é só no primeiro quilômetro. Chegamos ao final e curtimos a lagoa sozinhos, é a primeira trilha que fazemos e não encontramos ninguém pelo caminho, nem no destino. Mesmo nublado, tiramos algumas fotos bonitas, conseguimos pegar um pouco do espelho de água. (Foto 10 e 11)

Em casa e com o corpo quente, aproveitamos para tomar banho e fazermos um “almojantar” antes de voltar para o local indicado para motorhomes, onde passamos o restante do dia desfrutando o lago, lendo e conversando.

Antes de dormir, sentimos novamente cheiro de gás. A saga continua. O Livio saiu na friaca para desligar a conexão. Mesmo assim, com medo, dormimos com as duas janelas abertas.

Nosso último dia no Parque Nacional Los Alerces começou com o pé direito, conhecemos dois casais de brasileiros que dormiram por lá e nos ajudaram a resolver o problema do gás. Um deles havia montado o próprio motorhome em pouco tempo e não estava utilizando seu botijão, já que viajava em comboio com o outro casal. Nos ofereceu seu regulador e aceitamos, porque não tínhamos ninguém para trazer um novo nem encontramos por aqui. Quando dizemos que somos abençoados em nossa jornada é disso que estamos falando!

Aliviados e com um ponto final na saga do gás, saímos em direção ao sendero da Passarela do Rio Verde e Puerto Chicao. Ficamos indignados que o estacionamento era pago! Já tínhamos pago a entrada do parque e agora estavam cobrando estacionamento de um lugar simplesmente por ser procurado pelos turistas e sem ter nenhuma outra opção de onde deixar os veículos. Absurdo! No final, como era por hora, pagamos ARS$400 – R$10,00.

A trilha é super fácil, sem inclinação e belíssima, a coloração do rio é inacreditável. O bosque é um cenário lindo que está sendo novidade para nós que estávamos há tempos por regiões mais desérticas. O início da coloração das árvores para o outono destacam os tons de amarelo e vermelho em meio ao verde, muito bonito. No meio do bosque conseguimos conhecer também um Alerce centenário, passamos pelo porto e voltamos. (Foto 12 e 13)

No início da tarde fomos fazer o sendero do Mirador do Lago Verde. Mais um ponto sem boa indicação e lugar para estacionar os veículos por perto. A trilha também é tranquilíssima e o visual panorâmico do parque deslumbrante! (Foto 14)

Demos uma passada rápida pelo Lago Rivadavia e encontramos uma parte da rodovia mais ao norte bem larga para estacionar. Tomamos banho e almoçamos com vista para uma espécie de fazendinha lá dentro. Lindo demais.

Na saída do parque, pela primeira vez, fizemos questão de fazer um registro dos diversos pontos negativos que vivenciamos, como mapa, sinalização, cobrança de estacionamento etc. Embora lindíssimo e ser o primeiro que vimos os guardaparques de fato circulando e falando com os visitantes, achamos ruim sua organização estrutural em vários aspectos.

Chegamos no início da noite no simpático povoado de Cholila, aonde fomos atrás de internet para dar sinal de vida em casa e contar um pouco sobre esse patrimônio mundial fantástico que tivemos o privilégio de visitar.

Quer acompanhar de pertinho essa aventura?! Corre lá no Instagram @sonhandoacordadobr !

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