Terrazza Garden: o restaurante que perdeu por WO

Paisagem desperdiçada? No buraco negro do Terrazza, garçons desaparecem, tiram pedido do que não existe, e deixam os comensais sem comer nem beber por quase duas horas e meia.

Era uma noite de sábado (26/11). A idéia era levar um grupo de 8 amigos pra jantar num local transado e moderninho, com vista deslumbrante, onde poderíamos ir de bermuda e sapatênis mas ainda assim ter um certo requinte. A proposta parecia ”dentro”, apesar do deslize geográfico do site do Terrazza Garden: Restaurante estiloso de culinária francesa, italiana e japonesa com um espaço ao ar livre que oferece vista para o lago.” Carioca que é carioca não chama a Lagoa Rodrigo de Freitas de lago, mas, ah, não somos chatos assim.

Paramos o carro num estacionamento próximo e caminhamos até o quiosque. Chuviscava. No nosso caminho até lá, um outro quiosque abandonado dava uma tristeza… Aquele lugar tão turistico, não era pra ter este tipo de problema. Mas uma capivara gordona comia um mato esperto, logo ao lado, e desviou nossa atenção.

Chegando ao local onde funcionou o antigo Palaphita Kitch – um espaço até bem transadinho com detalhes em corda e palha, aberto dos lados mas com teto que protege contra as intempéries, no estilo dos melhores quiosques de Copacabana. No centro, um bar e a cozinha. Bons banheiros (limpos). Um grupo grande de jovens de pé dança e se diverte ao som primeiro de pagode das antigas e depois de algo mais moderno – irreconhecível por este antiquado jornalista. Chegamos e somos logo sentados numa mesa comprida para 10 pessoas. A normalidade acaba aqui: é hora do filme de terror.

O restaurante usa aquela famigerada formula da noitada: comandas individuais eletrônicas em cuja memória fica o consumo de cada um. Até aí tudo bem; sabemos que isso existe. Mas.. o suplício começara: cada um tem que dar um nome e um telefone para – esperançosamente – receber a sua. Éramos 8. Em idas e vindas, de 20, 30 minutos cada uma, não eram entregues todas as comandas. Os garçons voltavam, diziam que iriam trazer o tal maná aos que pairavam pelo deserto (nós), mas retornavam sem trazer. Assim ficamos por 1 hora. Não todos, ainda bem: alguns felizardos recebiam magicamente a sagrada comanda, através de sacrossanto beneplácito do Sr. Garçom, mas os outros…. Eu recebi a minha 55 minutos depois de sentado. Foram 55 minutos sem beber sequer um copo d’água, e sem nenhum dos garçons se importar com isso. Eles sequer perguntam se a pessoa quer alguma coisa.

Mas, no Terrazza não tem serviço mas tem milagre: uma certa hora o garçom que veio foi outro – não o baixinho que já tinha ido e voltado 14 vezes sem resolver o problema -e trouxe o famigerado cartãozinho. Bom, imaginamos que o inferno acabou e pedimos a bebida pra começar: uma Pepsi e um Guaraná Zero. Tipo, algo que nos pareceu simples: o rapaz perguntou se precisava limão e gelo, explicamos que não. E começou a nova odisséia. Ele vinha, voltava, ia, cruzava o salão, e nada. Vinte minutos depois, trouxe um Guaraná comum. Expliquei que era zero. Pediu desculpas. Deixou o guaraná na minha frente e adentrou, novamente, o buraco negro do Terrazza.

No entorno, nada incrivelmente lotado; muitos jovens em pé, dançando e batendo papo, mas com muito pouca bebida nas mãos pros padrões do Rio. Será que naquela ”pista” o problema se repetia? Tudo isso ocorreu entre 21h e 23:00, ou seja, não me refiro a uma madrugada louca, onde os luscos já são fuscos e os gatos todos pardos.

Mais 30 minutos e chega a informação tão difícil de ser dada. Não têm refrigerante zero nenhum. ”Ah, obrigado”. Pedimos água com gás. O menu da casa é de QR Code. Parece interessante, mas onde se senta por 2h30 sem conseguir tomar nem um refrigerante, acho que – em tempos de Copa do Mundo – o restaurante perdeu por WO.

É uma pena que num ponto agradável e turístico como este, o Rio de Janeiro passe uma vergonha destas. O lado bom: a conta deu “só” 42 reais.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Deve ser difícil estudar jornalismo durante tanto tempo pra escrever o mau. Certamente algum frustrado na vida! O restaurante é incrível, tem seus problemas como qualquer outro que já estive mas não me conformo que o ser humano pare se precioso minuto de vida pra prejudicar alguém.

    Lamentável!

    Boa sorte aos empresários e ao restaurante.

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