Wagner Victer: Meio ambiente se faz com atitudes, e não com palavras ao vento

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre questões ambientais do Rio de Janeiro

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Padre Antônio Vieira dizia: “Se queres falar ao vento, o faça com palavras, mas se queres falar ao coração, o faça com atitudes”!

Nunca se avocou tanto tal preceito como na área do meio ambiente, especialmente aqui no Rio de Janeiro.

Não é segredo, mas apoiei efetivamente e de forma publica, o Prefeito Eduardo Paes, até porque acho que pelo que ele executou em mandatos anteriores, não havia gestor mais qualificado para ocupar a Prefeitura do Rio de Janeiro, porém na área ambiental, há um certo desencontro e, talvez, um jogo de empurra que merece a reflexão para todos, e faço no exemplo específico da Ilha do Governador onde moro, pois é uma região que se coloca dentro da Baía de Guanabara.

Não podemos ter no planejamento estratégico da Prefeitura ações voltadas ao meio ambiente, ou até planejar ações efetivas para a efeméride Rio+30, quando pequenas questões são empurradas com a barriga.

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Não falo no caso da Ilha, da Praia do Galeão e da Praia do São Bento, bem na entrada e passagem obrigatória de turistas que entram e saem do Aeroporto Internacional do Galeão, onde existe um lixão a céu aberto há muito tempo, e que meras operações rotineiras da Comlurb manteria aquela orla com uma visão muito mais urbanizada.

Vou dar um outro exemplo de um local onde costumo caminhar, que é o Corredor Esportivo no Moneró, que certamente é o principal parque de lazer esportivo que temos na Ilha do Governador e que, graças a Deus, não foi ainda invadido pelo comércio de ambulantes e práticas de ocupação individual, até por monitoramento da própria população local.

O Corredor Esportivo é localizado numa região que vai da comunidade Praia da Rosa até a comunidade do Parque Royal, passando pelo Bairro do Monero. Antigamente, essa área era conhecida também como Praia do Dendê. Por ser fundo de Baía e ter manguezais em ambas extremidades seria esperada uma maior atenção.

Na caminhada que fiz nesse fim de semana vejo um total abandono, que pode ser observado pelas fotos e que, pelo caos, não da para colocar a culpa somente em barreiras flutuantes rompidas, apesar de essas terem suas contribuições. Até porque existe um contrato da Prefeitura com os chamados Guardiões que deveriam não só estarem para “enxugar gelo”, mas manter o mínimo aceitável de limpeza , o que não está acontecendo por falta de uma devida supervisão.

Existiram momentos pontuais de melhoria, mas somente acontecem depois de grande clamor popular. O que na prática se observa é um jogo de empurra total entre a área de meio ambiente e a Comlurb, dentro da linha do “eu recolho, mas não coloco na caçamba”, e com isso, o lixo continua ali, amontoado sem a devida supervisão da SubPrefeitura local. Isso é vergonhoso e certamente não aconteceria se fosse na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas ou nas praias da zona sul.

Do ponto de vista da conservação do Parque é uma ausência total, pois a Fundação Parques e Jardins , sempre leniente ,parece ignorar que é uma responsabilidade do órgão, e apesar das denúncias claras de abandono, as árvores estão sendo “comidas” por insetos e formigueiros que já estão chegando a meio metro de altura. Apesar da contundência aparente das pragas, sequer comparecem para combater. Ou seja, não se sabe onde está esse órgão denominado Fundação Parques e Jardins em que o conceito ambiental inexiste em forma de atitudes!!

É lamentável essas omissões, pois a imagem que fica é péssima para a sociedade! Uma imagem de falta de zelo, de abandono, de falta de coordenação e principalmente do desperdício do dinheiro público.

A Ilha do Governador é um bairro com mais de 200 mil moradores. É uma região que certamente tem um perímetro voltado ao mar que se for retificado, deve estar equivalente a todo o perímetro do litoral do Rio de Janeiro e portanto, merece uma maior atenção.
A ação para o Meio Ambiente não se limita a eventos e ações restritas a algumas regiões da cidade que está partida na atenção ambiental.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Saudoso ex presidente da da Cedae, como se sabe nosso Prefeito Eduardo Paes, que também apoiei fervorosamente pela derrubada do Crivella (a pior gestão que nossa cidade teve em sua história), herdou inúmeros problemas daquele, claro que não pode se ater a isso e não evoluir, mas é fato.
    A muitos anos a saudosa Fundação Parques e Jardins, que desde o Império cuidou e zelou pelo paisagismo de nossa cidade, não vem mais exercendo sua função, que hoje esta totalmente voltada para Comlurb e, como poda e limpeza hoje são atribuições exclusivas daqueles, teriam que realmente fazê-lo.
    Sou morador da Zona Sul e nossas praças, a orla e a Lagoa também estão largadas a muito tempo, com muito lixo e sem lixeiras. O Lixo Zero, que foi muito bom, deixou de existir e talvez fosse uma boa solução para retomada de uma cidade mais humana, urbanizada e limpa.

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