Wagner Victer: Soluções logísticas para revitalização do aeroporto internacional do Galeão

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre propostas de melhoria da acessibilidade no Aeroporto Internacional do Galeão e na Ilha do Governador

Foto: Reprodução/Internet

É notável que a recente estratégia adotada pelo Governo Federal, por meio da Secretaria de Aviação Civil – SAC – e ANAC, fortalecendo os voos pelo Aeroporto Santos Dumont (SDU), que historicamente estava vocacionado somente a ponte aérea Rio/SP, tem ampliado, de forma contínua, o número de voos naquele aeroporto e consequentemente esvaziando o Aeroporto Internacional do Galeão (GIG), que com isso tem perdido a sua conectividade com o resto do país e consequentemente também a capacidade de funcionar como hub, atraindo voos internacionais com partidas e chegadas. Ao mesmo tempo, este processo está impactando negativamente a questão da movimentação de carga aérea para o Rio de Janeiro, já que grande parte da carga industrial utilizada pelo chamado TECAR (Terminal de Cargas) chega através da conhecida “barriga de avião”.

Um dos argumentos que se coloca para tentar justificar essa limitação de alocação de voos no Galeão, que acaba sendo na prática um jogo de “empurra”, é a questão de uma eventual restrição de acessibilidade ao aeroporto do Galeão, que está localizado na Ilha do Governador. Logicamente há processos de claros enfrentamentos dessa tese, com investimentos e implantação em curto e médio prazo. 

Nesse contexto, para mitigar os impactos das restrições, há intervenções muito simples de caráter operacional, ou basicamente requerendo pequenas manutenções que permitem a melhoria da acessibilidade no Aeroporto Internacional do Galeão e consequentemente trazem benefícios também à Cidade Universitária da UFRJ, à Ilha do Governador e à própria Baixada Fluminense, já que a sua chegada na Linha Vermelha tem uma confluência importante na chamada Ilha do Fundão.

Esse estudo se propõe a enfrentar algumas questões de curtíssimo e de médio prazo e que grande parte dos investimentos de médio e longo prazo poderiam ser custeados ou por orçamento ordinária dos próprios Poderes Públicos (Prefeitura, Governo do Estado ou União), ou por meio da derivação de parte do pagamento das outorgas feitas pelo Concessionário Aeroporto Internacional do Galeão, independentemente se será relicitado ou não.

Há também outras propostas muito mais complexas de acesso por trilhos ao Aeroporto Internacional do Galeão, que logicamente não serão abordadas nesse estudo até por sua complexidade de implementação a longo prazo, elevado custos e principalmente porque não atenderá de fato a um fluxo grande de passageiros e sim trará benefícios a outras regiões, que logicamente não podem ser excluídas, mas certamente para uma outra ocasião.

1- AÇÕES DE CURTO PRAZO:

1.1- Restabelecimento das divisórias das pistas: 

Por meio da Prefeitura do Rio de Janeiro, deve ser refeito, imediatamente, o conjunto de anteparas que existem na Linha Vermelha, já que muitas foram feitas há cerca de 10 anos, não tiveram a devida manutenção nos últimos tempos e estão quebradas. Devem ser substituídas e até eventualmente pintadas por algum artista de rua para dar um aspecto positivo. Essas estruturas quebradas facilitam intervenções por parte de atividades criminosas, além de facilitar efetivamente a venda por parte de ambulantes, o que se torna um grande problema para uma via que deveria ser expressa. Essa é uma ação de rápida implementação pela Prefeitura, assim como limitar a presença de ambulantes.

1.2 – Demolição imediata de imóveis junto às divisórias:

Muitos imóveis foram indevidamente construídos em cima do canal de drenagem de algumas comunidades, como a Maré, e estão juntos às divisórias, perpassando a sua altura. O número atual de imóveis ainda não é significativo, inferior a 20, e eles devem ser demolidos imediatamente pela Secretaria de Ordem Pública da Prefeitura (SEOP) e limitados pela Prefeitura, diante da insegurança que se coloca inclusive para ser uma via de efetiva de segurança para eventos e pelo aspecto que se coloca. A operação é simples: deve se colocar como se fosse uma faixa de recuo em relação às divisórias de ambos os lados, com cotas limitadas, especialmente aquelas coladas no sentido Galeão-Centro, onde houve um crescimento significativo. Alias nessa ação devem ser imediatamente demolidas as construções no entorno dos pilares do cruzamento da Linha Vermelha por cima do canal de incêndio, pois um eventual incêndio pode colapsar a estrutura com afundamento, como já ocorreu no passado.

1.3- Recapear a pista da Linha Vermelha:

A pista da Linha Vermelha não sofre um processo de recapeamento pleno há muitos anos. Para fluir o tráfego efetivo é fundamental o recapeamento imediato, que deve ser feito pela Prefeitura ou pela Prefeitura conjuntamente com o Governo do Estado, tendo em vista que o município assumiu operação dessa rodovia desde 2007.

1.4- Instalação de câmeras:

Para melhorar a segurança intrínseca da Linha Vermelha, é fundamental que seja feita a instalação imediata de câmeras com leitores inteligentes de placas ligadas ao sistema de segurança da Polícia Militar, e de operação da Prefeitura. Essa instalação de câmeras de leituras deve ser implementada também na Estrada do Galeão na Ilha do Governador, com um simples portal de entrada e saída com registro e inteligência, o que vai coibir a prática de eventual trânsito de veículos irregulares e coibir algum tipo de prática que leve a sensação de insegurança no local. 

1.5- Implementação Imediata do Sistema de Rondas da PM por Motos:

No ano de 2022, foi instalado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro o chamado Batalhão de Policiamento de Motos da Linha Vermelha, porém até então não ocorreu uma operação considerada eficaz e grande parte das motos que deveriam estar rodando 24 horas estão paralisadas no baseamento da Ilha do Fundão. É fundamental a retomada imediata da ação para que se tenha o aumento da sensação de segurança na via durante 24 horas.

1.6- Melhorias no Sistema de Iluminação

Não obstante a recente modificação na iluminação para sistemas de led feita pela Prefeitura do Rio de Janeiro por meio da Rio Luz e sua concessionária Smart Luz, com frequência um conjunto de luminárias tem ficado apagadas, aumentando a sensação de insegurança, especialmente em pontos de acesso próximos à Avenida Brasil. É fundamental ter um sistema de manutenção preventiva e corretiva, e de correção imediata dos eventuais problemas, pois as rotinas de falta de energia estão extremamente elevadas.

1.7- Retomada do Fluxo das Barcas Cocotá/Praça XV

Durante o período de pandemia, houve uma redução brutal da oferta de horários de barcas saindo do Cocotá, Ilha do Governador, para a Praça XV. A retomada da melhor utilização das barcas na futura concessão em vias de ser licitada desafoga grande parte do trânsito que hoje vai na Linha Vermelha de escoamento da Ilha do Governador e, portanto, deve ser fortalecida, assim como estudos que envolvam conexão com a Ilha do Fundão, sempre dentro do conceito de retirar carga de trânsito da Linha vermelha 

2- INTERVENÇÕES DE MÉDIO PRAZO  

2.1- Ampliação do acesso da Linha Vermelha para a Linha Amarela:

Essa intervenção se propõe basicamente a duplicação da alça de acesso para Linha Amarela. Isso daria uma melhoria no fluxo de acesso para a Linha Amarela com reflexos positivo na Linha Vermelha, pois reduz o entroncamento que traz reflexos no sentido Galeão / Barra e Galeão/Centro. Isso poderia significar uma redução de aproximadamente 15 minutos no trajeto da Ilha do Governador à Barra da Tijuca e um investimento da ordem de 15 milhões de reais e com previsão de implementação de 18 meses.

2.2- Ampliação do Acesso da Linha Vermelha para o Trevo da BR 040 (Washington Luís): 

Essa intervenção traria uma redução no congestionamento que é gerado pelos veículos que acessam a BR 040 (Washington Luís) e que muitas vezes chega até a entrada da Ilha do Governador na confluência para acesso da Ilha. Requer ampliação da ponte sob o Rio Meriti e a duplicação da alça de acesso à BR 040 com eventual segregação de fluxo. O prazo de uma intervenção como essa é da ordem de 18 meses e o investimento seria da ordem de 15 milhões de reais. 

Essa é uma das principais e mais urgentes intervenções que deve ser feita, pois o engarrafamento muitas vezes chega até a entrada da Ilha do Governador.

2.3- Execução da Nova Ligação Linha Vermelha/Centro:

O objetivo é estabelecer novas saídas para São Cristóvão e para o Viaduto do Gasômetro, reduzindo os reflexos na Linha Vermelha. Estabelecer um conjunto de intervenções com acesso a São Cristóvão e Benfica, antes da saída da ponte, e com a ligação ao viaduto de Benfica e a Rua Couto Magalhães. É um investimento da ordem de 30 milhões de reais e com prazo de 24 meses previsto para a execução.

2.4- Novo acesso Linha Vermelha/Ilha do Governador:

A construção de uma nova alça de acesso da Linha Vermelha para a Ilha do Governador reduz o fluxo de acesso à Ilha, evitando reflexo no sentido Centro e na própria confluência da chegada a Ilha do Fundão. Basicamente a construção de alça de acesso à Linha Vermelha, sentido Centro, na altura do terminal de cargas. É um investimento da ordem de 15 milhões de reais com prazo de 16 meses. Esse investimento tem um memorial já levantado pelo grupo de estudantes da Engenharia Politécnica da UFRJ, Engenhando a Cidade, que está neste site e também no senho esquemático abaixo, e que trará grandes benefícios na questão do trajeto Linha Vermelha/ Ilha do Governador, para o sentido Centro que precisam entrar na Ilha do Governador. 

2.5- Novo acesso Ilha do Governador/Linha Vermelha: 

O novo acesso Ilha do Governador/Linha Vermelha tem uma melhoria no fluxo de acesso na Linha Vermelha no sentido Dutra. A construção de um viaduto de acesso à Linha Vermelha sentido Centro, na altura do terminal de cargas é um investimento da ordem de 35 milhões de reais com 24 meses.

2.6 – Novo acesso Linha Vermelha/ Ilha do Fundão:

A construção do novo acesso Linha Vermelha/ Ilha do Fundão tem o objetivo da melhoria do fluxo da Linha Vermelha no sentido Centro. Basicamente são intervenções na melhoria de sinalização, horizontal e vertical, e a construção da nova via até a Avenida Brigadeiro Trompowski e uma nova faixa de aceleração. O investimento é da ordem de 25 milhões de reais e um prazo de 18 meses.

Certamente há outras intervenções que podem ser executadas como a melhor utilização da infraestrutura dos corredores dos BRT’s, construídos no passado para acesso ao aeroporto e que hoje estão totalmente subutilizados e um local onde ficam muitas pessoas pescando. Há também um estudo já iniciado pela Secretaria Estadual de Turismo sobre a implementação da conexão de barcos hovercraft na interligação entre Galeão e Santos Dumont, que requer aprofundamento.

Nesse estudo também há de se considerar que existiram recentemente equívocos urbanísticos brutais quase adotados pela Prefeitura do Rio de Janeiro no sentido de tentar reformular o Plano Urbanístico da Ilha do Governador (PEU), o que aumentaria a densidade populacional do bairro permitindo novas construções e a demolição de imóveis antigos com a maior concentração populacional, o que geraria o maior fluxo de veículos na saída da Ilha do Governador, com impactos diretamente voltados ao Aeroporto do Galeão e toda a Baixada, portanto, em todos os projetos urbanísticos da Ilha do Governador devem ser considerados que essa limitação não está só relacionada ao grau de adensamento na infraestrutura básica do bairro, mas todo o impacto negativo que pode ser dado ao Aeroporto Internacional do Galeão (GIG) e assim ser consultado, o que não tem sido feito até então nas diversas tentativas de mudança dessas regras urbanísticas.

3- CONCLUSÃO  

O que se observa nos estudos, que aliás, se traduz de conceitos de malhas logísticas, tecnicamente viáveis e tendo a possibilidade de serem feitos até em 36 meses e que requerem ainda um melhor detalhamento através de um projeto básico para obter uma melhor acurácia de custos. Para detalhamento dos projetos e para retirada dos gargalos certamente devem ser consultados a atual Concessionária Rio Galeão, com quem já discuti esses temas, até utilizei alguns traçados esquemáticos, porém todas as intervenções de médio prazo são de valores somados que não superam 140 milhões de reais e podem vir de orçamentos ordinários dos diversos poderes ou derivados das outorgas.

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11 COMENTÁRIOS

  1. A violência urbana é o principal entrave para a volta do galeão como um grande hub. O Rio de Janeiro por si só tem o maior potencial turístico entre todas as cidades brasileiras. Claro que todas as ideias propostas são bem vindas e não apenas facilitarão os viajantes como também o próprio carioca em seus deslocamentos diários. Infelizmente o sistema BRT é um projeto incabado e fracassado na origem. Falta um metro transversal na cidade que poderia ligar o Galeão à Barra da Tijuca e ao centro da cidade. Isso desafogaria as vias. Segurança e asfixiamento da criminalidade na região das vias também deve ser uma medida importante sem a qual não haverá tranquilidade nesses deslocamentos.

  2. Já escrevi muito sobre esse carreirista, oportunista, utilitarista, preconceituoso e incompetente, mas acrescento desprezível. O que ele escreveu é que o GIG – Tom Jobim faliu por culpa dos pobres favelizados da Maré. Sujeito porta-voz do que pensa a elite balneária carioca, essa sim que nos impede de desenvolver o Estado do Rio de Janeiro. Mora na Ilha do Governador, mas despreza o entorno, e fica se apresentando como projetista de soluções. O que escreve, neste artigo, esconder, conter, espionar e reprimir os pobres, que se espraiam por todo o Rio de Janeiro, ‘Estado Puxadinho’, é sacanagem história dos que pensam e se acham “filhos do rei”, herdeiros malditos de uma monarquia, que aqui no RJ insiste em nos assombrar, com conservadorismos, colonialismo, milicianismo, e todo o atraso “pé-na-areia”, que desfila de bossa nova, mas nunca foi além dos minuetos, corsos e ranchos d’outrora. O que o GiG – Tom Jobim precisa, para sair da merda do imbróglio que o meteram, são competências, habilidades, atitudes eficientes de gestão, logística efetiva e, sobretudo, o desenvolvimento econômico-social do povo do Rio de Janeiro.

  3. FOI PRESIDENTE DA CEDAE E PROVOU QUE NAO ENTENDE DE “M” JA QUE NAO SANEOU NADA, ANAO SER A PRAIA DA BICA ONDE ELE MESMO MORA, E AGORA QUER DAR PITACO NO GIG.
    SOLUÇÕES MELHORES QUE ESSA TEM EM QUALQUER PORTA DE BUTECO!!!!

  4. Ridículo o argumanto para não fazer o que qualquer país no planeta terra faria: transporte ferroviário (trem, metrô):
    “Há também outras propostas muito mais complexas de acesso por trilhos ao Aeroporto Internacional do Galeão, que logicamente não serão abordadas nesse estudo até por sua complexidade de implementação a longo prazo, elevado custos e principalmente porque não atenderá de fato a um fluxo grande de passageiros e sim trará benefícios a outras regiões, que logicamente não podem ser excluídas, mas certamente para uma outra ocasião.”

  5. Falou muito mas falou besteira, nunca vi um país que não desse a menor importância para o transporte ferroviário de passageiros (metrô, trem) como o Brasil, chega à ser ridículo, nós vamos na contra-mão do óbvio…

  6. Ninguém deixa de usar o Galeão por causa de engarrafamento. O problema maior chama-se Medo da violência.

    Em qualquer pesquisa sobre o porquê de as pessoas preferirem o Santos-Dumont haverá 90% das respostas dizendo que elas morrem de medo de ir ao Galeão.

    Aí você apresenta essa pesquisa a um tecnocrata, e ele responde: “Ok, vamos reduzir os engarrafamentos!”. Sem comentários…

    Óbvio que não funciona! Chega a ser ridículo.

    O que fazer? Tornar o trajeto mais seguro e rápido, de forma definitiva.

    As propostas apresentadas por Victer de solução rodoviária são apenas temporariamente eficazes. A própria Linha Vermelha foi assim, com sua inauguração parcial em 1992 (Centro-Galeão) até a conclusão em 1994. De início era uma maravilha: apenas a Av. Brasil ficava congestionada, mas passou a fluir. Mas hoje tanto a Brasil, quanto a L. Vermelha estão lotadas de veículos e totalmente paradas. Assim funcionam as soluções rodoviárias: têm dia e hora para acabar.

    Lembro que temos um metrô que funciona, onde estrangeiros sentem-se seguros ao utilizá-lo. E o VLT com resultados promissores.

    Portanto, chega de incorrer em erros do passado. A opção pelo transporte sobre trilhos será a única eficaz, pois o próprio fator Segurança Pública seria mais fácil (ou menos difícil) de ser controlado.

  7. Wagner a restrição de voos do SDU foi revogada através de uma portaria em 2009, não seria possível a ANAC fazer uma nova portaria restringido novamente? Não entendo porque é tão difícil resolver essa questão para mim parece simplesmente dar uma canetada e voltar como era antes da decisão inexplicável da agência.

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