Wakanda Forever é mais que homenagem a Boseman, é um culto à família, às tradições e à diversidade

A sequência carrega assinatura do diretor Ryan Coogler, que já garantiu algumas indicações e vitórias no Oscar com o primeiro “Pantera Negra” em 2019

Os fãs da Marvel já encontraram o povo de Wakanda algumas vezes após o primeiro “Pantera Negra”, nos filmes de outros heróis do universo. Pantera Negra: Wakanda Forever é o primeiro filme dedicado inteiramente aos wakandanos desde a morte de Chadwick Boseman (Rei T’Challa), o que é motivo de grande comoção durante todo o longa. Neste filme, a grande protagonista é Shuri, interpretada por Letitia Wright. 

Como a maioria sabe, Wakanda é um país fictício africano, que vive isolado do restante do mundo, munido de muitas tecnologias capazes de fazê-lo se proteger de outras potências mundiais. Por possuírem a Erva Coração, eles têm o grande presente de terem o seu próprio protetor, o Pantera Negra. Mas neste filme, o luto se instaura entre o povo wakandano com a morte do Rei T’Challa, e sua mãe Ramonda e a irmã Shuri se tornam responsáveis pelo futuro do reino. 

Mas desta vez, Wakanda não sofre perigo com a insistência das potências mundiais em tentar explorar o país e “roubar” o Vibranium ali encontrado. O inimigo tem muito mais em comum com os wakandanos que se imagina. Um novo super-poderoso chega ao universo Marvel: Namor, de Talocan (ou como já conhecemos dos quadrinhos, o rei de Atlântida), nas profundezas do mar. 

São dois povos “não-tradicionais”, que encontraram em um metal uma forma de se desenvolver e se proteger das guerras e da maldade do mundo, e que por um motivo acabam começando uma guerra entre eles. Agora que já deu para entender um pouco do roteiro, é importante dizer que essa nova fórmula da Marvel tem completado lacunas que eu nem sabia que poderiam ser preenchidas. 

Enquanto a fase três nos trouxe brigas, guerras, amizades e amores em cidades que também existem na nossa realidade, a fase quatro nos coloca em lugares que não conhecemos, imaginados e colocados no papel e transformando tudo em algo muito maior. Isso gera curiosidade, e nos faz imaginar e sonhar com países imaginários e profundezas do mar povoadas por seres folclóricos. Isso tem me animado muito e mostra o poder que a Marvel e a Disney têm de se reinventarem e causar impacto. 

Voltando ao enredo, é muito legal ver a personagem Riri Williams, interpretada por Dominique Thorne, finalmente chegando às telonas. Ela, que é uma jovem muito inteligente, e que entende tudo de tecnologia, é uma personagem negra e se une a Letitia Wright, Angela Basset, Lupita Nyong’o, Michaela Coel e várias outras atrizes negras que carregam esse filme nas costas. Nesta linha, o filme faz sim muitas críticas sociais e em alguns momentos faz algumas piadas em relação aos colonizadores, mas tudo de forma muito leve. O longa não força a barra e traz um roteiro realmente completo (e coloca completo, hein? Quase três horas no cinema). 

E para quem achou que Riri era sobre a Rihanna, não fique triste que não era. Pois a cantora e compositora participa do filme com a nova música “Lift Me Up”. Escute aqui para entrar no clima

Para terminar, não posso deixar de falar sobre as homenagens ao Chadwick Boseman, que renderam boas lágrimas a esta marvete aqui. O Pantera Negra é um personagem que trouxe uma representatividade muito forte e deixou crianças orgulhosas, mas também nos mostrou um ator intenso, expressivo e cativante não apenas como super-herói, mas em todos os papéis que fazia. Só por aí já vale a pena comprar um ingresso para assistir ao novo filme. 

Mas se além de tudo que escrevi aqui, você ainda precisa de mais motivos… em 2019, o Pantera Negra dirigido por Ryan Coogler teve seis indicações ao Oscar, ganhou três, com Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte, e das outras três que foi indicado uma delas foi a categoria de melhor filme. Foi o primeiro filme de super-herói da história a conseguir esse feito. E adivinha só: Ryan Coogler também é o diretor de “Pantera Negra: Wakanda Forever”, que estreia nesta quinta-feira (10/11). 

Jornalista, produtora e apresentadora do podcast cineaspectos. Como amante do cinema, ficou imersa em roteiros fantásticos, conheceu a beleza dos filmes de máfia e os incompreendidos dramas europeus. Sara adora desbravar a singularidade do cinema brasileiro, e acompanha de perto os principais festivais e mostras ao redor do mundo.
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