William Bittar: Sobre a Capela de São José da Pedra, em Madureira

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre a Capela São José, em Madureira, que foi alvo de depredação

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Foto: Acervo Particular

O DIÁRIO DO RIO, em matéria de Larissa Ventura, publicada em 22 de janeiro de 2023, registra a depredação da Capela São José, em Madureira, conforme depoimento do padre Bruno Borba, divulgado nas redes sociais.

A atitude bárbara, realizada contra um relevante bem patrimonial tombado pelo município desde 2004, se reveste de muitos outros significados como a estupidez de seus autores que estão cometendo crime comum, passível das punições previstas na legislação. 

Se os responsáveis pelo ato criminoso pretendiam afastar os frequentadores para liberar um possível ponto de observação para atividades ilícitas, certamente conseguiram um resultado oposto, pois o triste episódio acaba por alertar as autoridades sobre a necessidade de segurança contínua da igreja e área adjacente.

A invasão e destruição de uma capela católica se reveste da mesma intolerância daqueles que atacam terreiros de umbanda ou candomblé, templos evangélicos, budistas, ou qualquer espaço que represente manifestações de fé.

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Sequer sugere a intenção do furto, pois o interior desta capela é muito simples, sem nada que possa despertar algum interesse econômico, salvo a troca por doses de drogas baratas, como crack.

A capela de São José de Madureira, também conhecida como da Pedra ou da Serrinha, localizada na Rua Alves, no antigo morro do Dendê, agrega elementos que integram a cultura popular, como a própria fundação da Escola de Samba Império Serrano ou a prática do jongo, que integra o patrimônio imaterial nacional.

Sua origem está associada, segundo a tradição, à presença de caçadores de pequeno porte que circulavam pelas matas da região, em busca de suas presas ou mesmo visitantes, que subiam o outeiro para desfrutar da vista privilegidada.

Nos últimos anos do século XIX, um grupo se deparou com uma pequena imagem de São José sobre uma formação de pedra, à feição de gruta. Para proteger a escultura, construíram um pequeno oratório e ali colocaram o santo. No entanto, ao amanhecer, aquela imagem era encontrada no seu local de origem, entre as pedras.

Comovido com aquela história, o proprietário das terras, João Francisco Lisboa, autorizou a construção de uma pequena ermida dedicada ao santo, que após muitas reformas, foi concluída em 1931, no cimo do monte, com vista total para Madureira e cercanias.

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Capela São José de Madureira, antes da reforma de 1931

Originalmente, segundo a Mitra Arquiepiscopal, a capela era responsabilidade da paróquia São Luiz Gonzaga. Após a criação da paróquia de São Brás, em 1958, esta tornou-se sua matriz.

Mesmo com o acesso muito difícil, era comum a visita de fiéis e peregrinos ao pequeno templo. Em1978, através de uma campanha realizada pelo Padre Lobato junto aos paroquianos da igreja de São Brás, recebeu sua enorme escadaria de quase 400 degraus.

Lá no alto do morro, após a longa subida, o visitante encontra uma singela capela, caiada de branco, fachada principal voltada para o sudoeste, com uma única porta central sob um discreto e pontiagudo frontão triangular coroado por um esbelto crucifixo. Ao seu lado, o conjunto de pedras, morada original da imagem do santo padroeiro.

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Capela de São José de Madureira

Internamente, uma nave única com bancos de madeira e um vitral ao fundo do altar mor, por onde entra a luz do sol nascente.

Toda essa simplicidade está envolta em manifestações populares, como as festas no dia 19 de março, dedicadas ao padroeiro, as promessas e seus ex-votos, a vista indescritível dos subúrbios cortados pela ferrovia, tudo isso ao som do jongo da Serrinha com seus ecos ancestrais.

Portanto, o templo e tudo que representa, merece respeito!

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Carioca, arquiteto graduado pela FAU-UFRJ, professor, incluindo a FAU-UFRJ, no Departamento de História e Teoria. Autor de pesquisas e projetos de restauração e revitalização do patrimônio cultural. . Consultor, palestrante, coautor de vários livros, além de diversos artigos e entrevistas em periódicos e participação regular em congressos e seminários sobre Patrimônio Cultural e Arquitetura no Brasil.
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