William Siri: Mais do que flores, mulheres querem respeito e equidade

Integrantes do mandato do vereador listam dados e fatos da luta por direitos que marca o Dia Internacional da Mulher

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Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

O artigo desta semana do Dia Internacional da Mulher será um pouco diferente. Eu, William Siri, por entender que não sou a pessoa mais apropriada para falar sobre a luta das mulheres por equidade, respeito e direitos, preferi ceder o espaço às integrantes do nosso mandato na Câmara Municipal do Rio. Ninguém melhor do que elas para explicar os desafios diários impostos pela misoginia e o preconceito e o quanto temos que avançar nas pautas femininas. O texto a seguir é delas, a quem apoio e com quem aprendo. Convido você a esta leitura comigo. 

“Quem não sente na pele pode tratar o Dia Internacional da Mulher como algo ‘blasé’. Por isso, cabe a nós explicar. O 8 de março nasceu da nossa luta por equiparação ao tratamento dado aos homens na sociedade. A data não é fruto de um evento único, mas de uma sucessão deles na busca por direitos básicos que nos foram sonegados.   

A própria História do Brasil comprova. Houve tamanho apagamento do nosso protagonismo que o grande público desconhece nomes e rostos essenciais ao desenvolvimento da nação. Os livros que remontam a trajetória da pátria “esquecem” mulheres que marcaram época, sobretudo as negras e indígenas. O movimento para dar o devido reconhecimento a elas é muito recente e por isso conseguimos alguns frutos na retratação histórica. Mas ainda há muito o que avançar. 

Diante dos passos de tartaruga, a cada mês de março surge a pergunta: ‘é preciso mesmo de um Dia das Mulheres?’. A resposta é sim. Quem diminui a importância dessa data ainda não entendeu ou nega a disparidade ao seu redor. É o tipo de questionamento que revela mais sobre quem o faz do que o retorno dado.   

A data aflora o debate sobre os absurdos e incentiva a elaboração e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção da mulher. É peça importante no combate ao machismo e à misoginia que nos mata, ridiculariza e diminui. 

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Infelizmente, a data também sofre com a descaracterização de seu objetivo, sendo usada por muitos com fins meramente comerciais “comemorativos”. Vem daí a fatídica cultura da distribuição de flores e chocolates, sempre acompanhada de parabéns vazios e sem sentido. É como se quem nos oprime quisesse compensar com “petiscos”. Por isso, aos aliados, a dica: levantar voz para se unir às nossas faz mais sentido. Temos pouco a comemorar, convenhamos. 

Se restam dúvidas sobre o que queremos, deixamos claro. Queremos não ser violentadas e/ou mortas. Onde moramos, o que vestimos e a cor da nossa pele não dão salvo conduto para homem algum nos assediar. Queremos não ser julgadas por nossos sonhos, escolhas e corpos. O que fazemos, o que queremos e como somos não precisa de permissão de alguém. Somos gente, não brinquedo ou imóvel. Por isso, não há nada de agressivo em exigir respeito e equidade.      

É a falta desses dois componentes que fazem com que no Brasil nós, mulheres, ocupemos menos de 10% dos cargos de chefia e recebamos salários bem inferiores do que homens que exercem a mesma função. Mesmo possuindo escolaridade superior. 

Como mandato composto majoritariamente por mulheres, acompanhamos de perto a temática feminina e os dados na nossa cidade são preocupantes, sobretudo no recorte territorial.

De acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública), o número de casos de violência contra a mulher no município é expressivo e concentrado na Zona Oeste, onde está mais de 50% dos casos.

A ZO é a região com mais vítimas de feminicídio e das tentativas a respeito, representando 58,5% do Rio. Os bairros de Campo Grande e Guaratiba são os que possuem os piores índices, superando os 60%. Para piorar, por conta da subnotificação sabemos que a realidade é mais dramática.

A cidade do Rio de Janeiro conta apenas com três unidades da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM). A de Campo Grande está localizada em Pedra de Guaratiba, sendo também de sua competência mais sete bairros, além de dois municípios vizinhos. 

Como resultado, há relatos de denúncias frustradas por conta da dificuldade no deslocamento à DEAM e outros órgãos. Por isso, nosso mandato fez questão, juntamente a de outros parlamentares, de criar a Comissão Especial a favor da reativação da DEAM de Campo Grande. Uma unidade no próprio bairro facilita os atendimentos e melhora a proteção a quem precisa. 

Através de Requerimento de Informação, indagamos a Prefeitura sobre o acompanhamento às vítimas de violência. Ainda solicitamos informações sobre a Sala Lilás (espaço que foi criado no IML para prestar atendimento especializado e humanizado às mulheres que sofreram violência física e sexual) de Campo Grande. Assim, ficamos sabendo que, entre 2018 e 2021, foram registrados 2.294 casos notificados no local, com números de violência crescente ano após ano. 

No acompanhamento à Sala Lilás, participamos das reuniões do Fórum Contra a Violência Doméstica, fruto da parceria do Conselho Comunitário de Segurança 40º AISP/CG (CCS40AISP), do Tribunal de Justiça-RJ, da 35ª Delegacia de Polícia e do 40º Batalhão de Polícia Militar. Também visitamos a Coordenação de Ações e Políticas Intersetoriais (CAPAI), da Superintendência de Promoção à Saúde da qual a Sala Lilás é subordinada. Com isso, conseguimos lutar por mais investimentos e visibilidade.

Como mulheres, orgulhamo-nos das fiscalizações às maternidades da Zona Oeste, onde ouvimos pacientes e profissionais de saúde, e de sugerir à Prefeitura a expansão do programa de parto humanizado. O retorno de grupos das mulheres às unidades básicas de saúde ajuda na troca de experiências sobre a maternidade, além das “oficinas de parto” com orientações sobre a gestação, parto, pós-parto e cuidados com os recém-nascidos. Cobrar melhorias de infraestrutura e melhores condições de trabalho para os funcionários é cuidar das mulheres. Tudo isso consta e pode ser verificado no relatório do nosso mandato “As condições de saúde na Zona Oeste”, lançado no final do ano passado.

É preciso avançar mais e sempre no direito das mulheres para que o dia 8 de março seja visto como ele é: um marco de luta, não uma mera data comercial. Que a data funcione como o início do fim das desigualdades e violências que nos atormentam.

Mulheres do mandato do vereador William Siri.”

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