William Siri: O Sus é a solução, não o problema

Sistema precisa ser aperfeiçoado para reduzir as desigualdades sociais

Você sabia que o Sistema Único de Saúde (SUS) é a maior rede de saúde pública do mundo? Criado há mais de três décadas, ele cuida de milhões de pessoas, estando presente na vida de todos os brasileiros. Não há um só cidadão no Brasil que dele não se beneficie. O SUS se faz presente na realização de exames, na aplicação das vacinas, na realização de consultas e cirurgias e mais além. 

Ele engloba as academias ao ar livre e as fiscalizações de produção, consumo e prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. A comprovação do quanto a sua existência é fundamental ocorre dia após dia num país marcado por tantas e tão profundas desigualdades sociais. Apesar das grandes dificuldades e carências, que não são poucas, ele se mostra essencial e precisa ser fortalecido. Afinal, o Brasil simplesmente possuiu uma das melhores e mais completas legislações sobre a saúde pública no planeta.

Aqui na cidade do Rio, acompanhamos de perto a realidade do SUS desde o início da atual legislatura. Nosso mandato fiscalizou cerca de 50 unidades de saúde na Zona Oeste nos últimos meses, cumprindo nosso papel de vereador. Em nossas inspeções, falamos tanto com gestores e profissionais envolvidos (médicos, enfermeiros, técnicos e doulas) quanto com pacientes e familiares. O resultado deste trabalho foi a elaboração do relatório “As Condições de Saúde na Zona Oeste”, que reúne denúncias e propostas de melhorias para a cidade. Fizemos questão de entregar tal documento em mãos ao secretário de Saúde do município, Rodrigo de Sousa Prado, para que ele tome as devidas providências.

Diante daquilo que está previsto em lei e do que encontramos, a verdade inegável é que quem usa o SUS reclama com razão. Os problemas já são velhos conhecidos, com mais alguns que se destacam. O sistema sofre com as instalações precárias, a falta de equipamentos, leitos, materiais básicos e medicamentos, o número insuficiente de profissionais, a demora nos atendimentos e a superlotação. Há ainda alguns outros absurdos que nos chamaram atenção.  

Este é o caso dos Centros Psicossociais, que praticamente vivem de doações. Neles, os servidores públicos chegam a usar o próprio RioCard para buscar de ônibus pacientes em crise. Por lá, o acesso à internet é considerado luxo. O transporte sanitário, apesar de ser assegurado por lei, só é dado a quem recorre à Justiça. O descaso do Poder Público é tamanho que o Hospital Municipal Pedro II ficou meses com o seu sistema de refrigeração sem funcionar no Centro de Tratamento de Queimados. 

Uma vez que tivemos ciência dessas situações, eu, como vereador, chamei a responsabilidade de quem tem o poder e a obrigação de mudar esta realidade: a Prefeitura. Nós, do Legislativo, temos o dever de fiscalizar e cobrar, mas cabe à Prefeitura fazer as melhorias cabíveis. Nosso trabalho na Câmara de Vereadores não define as estratégias de atuação da secretaria de Saúde, tampouco os valores e locais onde os recursos públicos serão aplicados.

Como morador da Zona Oeste, sei bem que a nossa região nunca é prioridade do Poder Executivo municipal. Por isso mesmo, sempre tento buscar junto aos deputados federais, emendas parlamentares para construção de políticas públicas locais. Foi assim que conseguimos, por exemplo, trazer para Zona Oeste cerca de R$ 2 milhões a serem aplicados exclusivamente no Hospital Municipal Rocha Farias. Esta é uma conquista recente que muito me alegra. 

Para que o SUS avance cada vez mais é necessário compreender que o cuidado com a saúde pública vai muito além dos hospitais, médicos e exames. O SUS é uma conquista política que tem de constar no orçamento, com fomento às pesquisas e livre acesso à informação. Só assim a população brasileira poderá cobrar de seus representantes políticos a gestão adequada. Um SUS fortalecido impacta a economia e também tantas áreas mais ao garantir a vida e o bem-estar do nosso povo. Essa é uma premissa básica que não abrimos mão.    

Sustentar a tese de que é necessário privatizar o SUS, cabendo aos planos de saúde prestar a assistência aos brasileiros, traz em si uma plena falta de conhecimento do sistema ou má intenção de quem defende. Em maior ou menor grau, todos os brasileiros, sem exceção, utilizam o SUS. O controle de zoonoses, com o combate à dengue e às epidemias, é um exemplo disso, sendo esta uma responsabilidade pública. Nada disso interessa ao setor privado por não gerar lucro.

Dá para reconhecer que o SUS precisa melhorar muito sem defender o seu fim. Por isso, nosso compromisso é seguir com as fiscalizações e cobranças para avançar na redução das desigualdades sociais. Inclusive, uma importante medida para isto seria desvincular o SUS da Emenda Constitucional Nº 95/2016, que mina o financiamento da saúde dos brasileiros. Para quem está doente, não deve ser uma escolha se tratar ou não. Lembre-nos de que cidadãos saudáveis são mais eficientes na sua colaboração à sociedade através de seus estudos e do exercício de suas profissões. 

Logo, a verdade é só uma: o SUS não é um problema, mas sim uma solução que enfrenta problemas a serem sanados. Nosso mandato segue firme nesse entendimento, em defesa da vida, da família e da dignidade humana.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Bem, vou contar uma experiência fora.da bolha. Um amigo caiu de moto voltando pra São Paulo. Foi mal atendido em volta Redonda. Sua esposa precisava operar e ele nao, disse o médico. Seus pais os resgataram e foram pra um hospital Publico em São Paulo. Surpresa. Ela foi operada no dia seguinte e ele de saudável passou a necessitado de cirurgia que ocorreu em 3dias. Seu s s sIRI. O problema é o Dj e seus políticos.

  2. Engraçado que o sistema de saúde com maior qualidade do mundo é privado… o governo americano vai e paga para a pessoa que não pode utilizar com voucher… simples e funcional… eu já precisei do SUS, sei que é um lixo… quem defendendo sus, é por que não utiliza..

  3. O SUS necessita de pessoal bem qualificado. O SUS precisa ficar de olho na capacitação continuada. É possível observar profissionais cometendo erros primários que indicam uma formação fraca. Ocorrem processos seletivos sem observar o currículo dos candidatos.

  4. precisa-se combater continuamente a corrupção, aproveitando melhor os bilhões destinados a saúde. e também aprimorar a regulação de vagas, acabando com as “márcias” que existem prefeituras a fora.

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