A história do Rio de Janeiro contada pelos bueiros da cidade

Você sabia que os bueiros do Rio de Janeiro podem contar a história da cidade? É isso que Thiago Süssekind mostrou em um vídeo no TikTok.

Advertisement
Receba notícias no WhatsApp
Foto de Weiye Tan

O Rio é a única capital europeia fora da Europa! Sim, fomos capital do Império de Portugal – então chamado de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves – então temos um pouco de história escondida em cada canto da nossa cidade, o que muitas vezes esquecemos. Tem gente que esquece que o Paço de São Cristóvão (mais conhecido como o arruinado Museu Nacional, um dos vários imóveis destruídos pela péssima gestão imobiliária da UFRJ) foi o único Palácio Real da América do Sul; pouquíssimo visitado, enquanto os castelos fake da Disney recebem milhões de visitantes por ano. O jornalista e historiador carioca Thiago Gomide conta muito bem estes fatos em seu Tá na História, e já fizemos uma matéria aqui no DIÁRIO DO RIO sobre este trabalho incrível.

Mas nem este super historiador teve a criativa ideia (e paciência) de Thiago Süssekind – até o sobrenome dele é histórico – que durante meses ficou filmando e fotografando os bueiros das ruas do Rio de Janeiro. O vídeo acabou viralizando na última semana, especialmente no Twitter e WhatsApp dos cariocas. Afinal, quem diria que bueiro também conta história?

Para Süssekind, os bueiros refletem as transformações políticas e tecnológicas da cidade, que passou de colônia a capital do Império, e depois a República; para Distrito Federal, depois estado da Guanabara, e finalmente a fusão. Quem diria, tudo isso pode se depreender simplesmente ao se olhar atentamente um bueiro no chão. Em sua maioria feitos de ferro fundido, dificilmente eles são trocados ao longo das décadas por serem muito duráveis; alguns chegam a durar um século no mesmo lugar em alguns casos, apesar dos recentes e crescentes problemas que a cidade passou a ter com o furto de pecas em metal por viciados em drogas e moradores de rua, instrumentalizados que são pelos ferros velhos clandestinos, que se tornaram um dos maiores problemas da cidade.

Süssekind começa sua história falando de um bueiro em frente de sua casa, que era da “Prefeitura do Districto Federal“, que com o C mudo tem de ser anterior a 1931, quando as consoantes mudas foram abolidas do português brasileiro pela reforma ortográfica feita nesse ano. Assim, ele foi produzido entre 1891 e 1931. Continua lá, como um tampão da extinta CTB, a Companhia Telefônica Brasileira, que existiu entre 1923 e 1976. Ela era famosa por ter como símbolo o sino.

Advertisement

Leia também

Pedro Paulo cada vez mais certo como vice de Eduardo Paes – Bastidores do Rio

10 coisas que só quem anda de ônibus no RJ vai entender

Há também bueiros mais antigos ainda, como o “RIC“, da famosa empreiteira “The Rio de Janeiro City Improvementes Company Ltda.” que recebeu a primeira concessão de esgoto do Rio de Janeiro, feita por Dom Pedro II, e que perdurou entre 1862 e 1947. Então, surge o DAE, “Departamento de Água e Esgoto“, que existiu apenas por 10 anos, entre 1947 e 1957. Este deu lugar ao DES, “Departamento de Esgoto Sanitário“, indo de 1957 a 1972. Há também a CEE, “Comissão Estadual de Energia“, 1962-1975, durante o Estado da Guanabara. Então surge a CME, “Comissão Municipal de Energia“, 1975-1990.

Mas o favorito de Thiago é o RGT, “Repartição Geral dos Telégrafos“, que teve um tempo de vida de 50 anos, 1881-1931, e mesmo que não haja mais telégrafos, ainda podemos encontrar seus bueiros pela cidade. Outro é o C&F, “Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro“, Carris é o nome que era usado para os bondinhos, e foi esta empresa que operou o transporte de várias rotas de bonde entre 1911 e os anos 50.

Agora, só vou andar pelas ruas olhando os bueiros e tentando ver se entre os da CET-Rio, Light, Cedae e outros mais atuais, encontro um destes históricos. Dá até para fazer um bingo…pelo menos até os ferros velhos clandestinos darem fim nos que sobraram pela cidade.

@thiagosussekind Os bueiros do Rio de Janeiro refletem as transformações políticas e tecnológicas da cidade. Alguns são muito antigos, e tem muita História também. Um vídeo em homenagem aos meus amigos que me viram filmando um bueiro no meio da rua ao longo dos últimos meses. #riodejaneiro #história ? som original – Thiago Süssekind
SERGIO CASTRO - A EMPRESA QUE RESOLVE, desde 1949
Com mais de meio século de tradição no mercado imobiliário do Rio de Janeiro, a Sergio Castro Imóveis – a empresa que resolve contribui para a valorização da cultura carioca

Advertisement
Receba notícias no WhatsApp
entrar grupo whatsapp A história do Rio de Janeiro contada pelos bueiros da cidade

Advertisement

2 COMENTÁRIOS

  1. Péssima administração imobiliária da UFRJ? Aí gente, uma universidade abandonada pelo governo federal, a péssima administração é do governo que não repassa verbas, principalmente o governo anterior,do genocida né, que odeia cultura e educação.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui