A importância do BRT na Avenida Brasil e como diminuir engarrafamentos

Nova organização para a passagem de caminhões de carga e apoio do Governo do Estado em relação aos ônibus intermunicipais estão entre as medidas que podem ser praticadas

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Engarrafamento na Avenida Brasil em 3 de abril de 2024 - Foto: Reprodução/Internet

Em um lado da pista, passageiros no BRT Transbrasil conseguem reduzir bastante o tempo de viagem até o centro do Rio desde que o sistema começou a operar, no dia 01/04. Na mesma Avenida Brasil, fora da faixa exclusiva dos articulados, pessoas em ônibus convencionais e demais veículos sofrem com o aumento dos engarrafamentos, que em alguns casos impactam em muitas partes da cidade.

Na última quarta-feira (03/04), 184 km de congestionamento foram registrados às 8h. De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), em relação ao mesmo horário das últimas três quartas-feiras, esse número representou mais que o dobro da média (138%), já que esses dias tiveram 77 km de carros parados.

Especialistas destacam a importância do novo sistema de transporte coletivo e apontam o que pode ser feito para reduzir o problema.

O Transbrasil é um marco para a cidade. É um corredor há muito tempo esperado. Ele tem uma escala diferente dos outros corredores do BRT, não só cortando diversos bairros do Rio, mas também conectando com municípios da Baixada Fluminense, ainda que isso esteja até o momento em suspenso, esse é um aspecto fundamental por conta da conexão com os ônibus convencionais provenientes da Baixada. É um corredor que tem um potencial de redução das desigualdades para a população como um todo. A gente estima que pode beneficiar até 58% da população do Rio de Janeiro, aumentando o acesso às oportunidades de emprego, principalmente para as pessoas de baixa renda“, declarou Clarisse Cunha Linke, diretora executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), que completou comentando as possíveis soluções para a redução dos engarrafamentos:

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“Uma primeira questão é pensar em um pacote de medidas restritivas para caminhões de carga, que faça sentido, que seja coerente, acordado com o setor logístico. E uma segunda questão é a entrada do Governo do Estado para garantir que os ônibus intermunicipais façam parte da operação plena do BRT. É do interesse de todos que o sistema funcione, que seja bom e atrativo para que, inclusive, algumas pessoas possam trocar os carros pelos BRTs“.

Enquanto alguns novos usuários dos BRTs estão fazendo seus trajetos em bem menos tempo e sem congestionamentos, passageiros de linhas de ônibus convencionais municipais e intermunicipais que passam pela Avenida Brasil e motoristas de carros de passeio que usam a via diariamente têm sentido o trânsito piorar. “O trecho que eu levava uns 20 minutos em um dia normal, estou levando uma hora nos últimos dias. Ninguém anda. Tudo parado“, conta Anderson Ribeiro, que pega a linha 348 (Riocentro-Candelária) para chegar ao trabalho no centro da cidade.

Nesta segunda-feira, 08/04, mais registros de trânsito ruim na Avenida Brasil. Os trechos mais engarrafados ficavam na altura dos bairros de Irajá, Penha, Cidade Alta e Manguinhos. O Centro de Operações informou, às 7h15, que o gráfico de trânsito do Waze apontava congestionamento 15% maior que a média de três semanas. Contudo, frisando que que nesse período houve uma colisão entre caminhão e moto na pista central da via, na altura de Bonsucesso, que colaborou para o congestionamento.

Procurada, a Secretaria Municipal de Transportes ainda não respondeu o contato da reportagem, que questionou sobre o que está sendo feito para corrigir o problema do trânsito na Avenida Brasil para quem não utiliza o BRT.

A Comissão de Transportes da Câmara Municipal do Rio de Janeiro realizará, nesta terça-feira (09/04), às 10h30, audiência pública no Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia. A ideia é debater sobre os engarrafamentos e também a quantidade de multas aplicadas aos motoristas na primeira semana de funcionamento do sistema BRT na Avenida Brasil.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Contam-se vários caminhões na imagem… logo, medida imediata para melhorar um pouco o tráfego lento bastaria determinar que determinados veículos, especialmente os grandes caminhões, não trafegassem na via em determinados horários e houvesse fiscalização. Mas solução mesmo definitiva apenas com investimento em transporte sobre trilhos da cidade (e não esse desgoverno federal ressuscitar o projeto de trem bala RJ-SP para turista e trabalhadores da ponte aérea quando deveriam ir de avião).

  2. Com certeza os especialistas das medidas sugeridas não devem andar de ônibus, essa tal conexão da baixada, não vai favorecer em nada os usuários, apenas gastar mais tempo indo e vindo do trabalho tendo que pegar três conduções, sendo a ideia de modificar as linhas intermunicipais. Aliás o sonho da prefeitura do rio e dificultar a vida dos trabalhadores que moram na baixada fluminense com essa fábula de tanta integração e o que é bom mesmo que é o tempo nas locomoções , é o que menos está importando!

  3. Era só fazer um metrô em baixo da brasil de ponta a ponta, nao ira mexer com nada na via, e alem de ser um transporte mais seguro e mais rapido, transposta muito mais pessoas em uma viagem, era simples. Alem de ser um transporte mais sustentável, e melhor contralado, mas aí não daria pra roubar muito ne…

  4. O prefeito que converter os BRT em transporte por trilho de alta velocidade e alta demanda vai ser reeleito.

    Isso que dá botar a caneta nas mãos de empresários como Jacob Barata e mais alguns barões dono do RJ.

    Na China tem trens e metrôs speedway pelo país inteiro. Vc faz percurso de 2h em 20 minutos. Quando se coloca o povo no centro das questões, o resultado é outro…

  5. Querem reinventar a roda.

    O BRT é algo que não foi planejado,pois há os ônibus paradores na pista lateral, já pensaram em quem utiliza este tipo de transporte público ? Está um Cáos, agora meu tempo de viagem aumentou em 45 minutos, mas em Outubro eu certamente terei o voto como meio de expressar minha indignação, não voto em Paes.

  6. Tenho uma pergunta: se as pessoas que estão nos ônibus convencionais que circulam na Av Brasil e que, segundo a reportagem acima, estão presas em engarrafamentos gigantescos, migrarem para os ônibus do BRT, estes darão conta da demanda?

  7. O erro principal foi que tinha que existir o corredor, só que ele chegou com uns 40 anos de atraso, sem as restrições legais, criminais e logísticas de hoje. É só fazermos perguntas de eliminação:
    a) se fosse fácil já não teria sido feito?
    b) se além de fácil, desse voto, já não teria sido feito?
    c) por que foi somente finalizado em 2024, as vésperas de uma eleição?
    d) por que, dando voto, não foram feitos os alinhamentos com os outros poderes executivos, bem como com o empresariado para arrumar a execução?
    e) cadê o projeto que agrega esses acertos de transito e o cronograma?

    Difícil pra mim. E pra vocês?

  8. Depois da estupidez vem a constatação da consequência óbvia. Daí soma-se uma estupidez a outra, que foi a implantação do VLT tal como foi feito e obriga-se o público a fazer baldeação com o VLT para fazer este último parecer que foi bem planejado e para isso, a calha do BRT construída para ele ir até a Central, foi descartada e o dinheiro investido serviu apenas para alegrar empreiteiros.
    E ainda querem impor aos moradores da baixada fluminense, que façam baldeação com o BRT e na sequência, baldeação com o VLT. E tanta “genialidade” esqueceu que a av. Brasil é a única via de entrada e saída de carga por caminhões, inclusive de acesso ao porto do Rio. Tem horas que a estupidez alheia cansa, e sacrifica muitos sob a alegação de ser bom ( para poucos).

  9. Se fosse sério, seria construído um elevado e por ele circulariam vagões. Seria trem. É incrível como os governantes fazem o que querem sem um pingo de razoabilidade, e a gente tem que engolir as decisões do prefeito de 1/3 dos eleitores. Uma faixa de baixo faria integração e as demais 3 seriam pros carros. Mas eu sou semianalfa, devo estar viajando.

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