Ação judicial suspende obras da tirolesa no Parque Bondinho Pão de Açúcar

Para o magistrado, a obra “exige considerável modificação na pedra original do monumento, tombado pelo Patrimônio Cultural”

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Foto: Divulgação/Parque Bondinho

Uma ação proferida pelo juiz Paulo André Espírito Santo Bonfadini, da 20ª Vara Federal do Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (31), determinou a suspensão das obras da tirolesa no Parque Bondinho Pão de Açúcar e as autorizações expedidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a execução das intervenções. Pelo documento, também foram proibidos “cortes ou perfurações em rocha” ou atos para “executar qualquer intervenção nos morros do Pão de Açúcar, Urca e Babilônia que implique demolição ou construção de novos elementos”, sob pena a aplicação de multa diária.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma Ação Civil Pública contra a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar (CCAPA) e o Iphan, após a constatação de “alterações no perfil natural do terreno pela demolição da rocha, com degraus e sua perfuração para a fixação de robustas estruturas (postes e cabeamentos) para a citada tirolesa”.

Segundo o magistrado, a construção de uma tirolesa de grande porte “exige considerável modificação na pedra original do monumento, tombado pelo Patrimônio Cultural.” Ainda segundo o magistrado, surpreende o fato de a construção não estar sendo supervisionada por órgãos de fiscalização do meio ambiente, por impactar de forma irreversível a área ambiental no Pão de Açúcar ou do morro da Urca: “ Não se recupera o que se retirou (minério), ao contrário do que ocorre com uma mata ou floresta, por exemplo, em que a derrubada de árvores ao menos traz a expectativa de uma possível recuperação do local (reflorestamento).”

Na ação, o juiz argumenta que o Pão de Açúcar é reconhecido pela Unesco como patrimônio mundial, sendo que as obras podem inviabilizar tal reconhecimento.

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O Parque Bondinho Pão de Açúcar informou, por meio nota, que não foi acionado sobre o caso pelo MPF ou intimado por decisão no curso da ação. O Parque comunicou ainda que, em caso de recebimento de notificação vai “analisar o teor da ação e/ou decisão, e se manifestará de modo a reiterar a absoluta legalidade das obras da tirolesa, cujo processo de licenciamento seguiu todos os requisitos técnicos solicitados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional e Artístico Nacional, Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, , Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Inovação Simplificação e GEO-RIO.”

No dia 29 de março, o DIÁRIO DO RIO veiculou o editorial “O Falso debate sobre a tirolesa no Pão de Açúcar” abordando o impacto positivo que a construção da tirolesa geraria no turismo e na economia da cidade. O texto abordou ainda a resistência dos moradores da Urca diante da movimentação de visitantes no bairro, elencando uma série de ações contra a instalação do Colégio Eleva e o Instituto Europeo de Design, em uma tentativa de isolamento do bairro do restante da cidade, gerando uma configuração condominial ao estilo Barra da Tijuca. O texto criticou também o movimento ambiental que se coloca contrário ao projeto, mas pouco faz contra a favelização da cidade, que perde área verde e qualidade de vida com as habitações irregulares.

Segundo o editorial, “dois grupos finalmente se uniram e decidiram ser contra a Tirolesa do Pão de Açúcar. O morador da Urca diz que vai prejudicar o bairro; vai levar mais turista ao Pão de Açúcar e encher o bairro. Que aguentem, o bairro tem um dos maiores pontos turísticos do mundo, e quem mora em ponto turístico tem que conviver com turista, e com gordos preços de revenda de seus imóveis. Ponto turístico é lugar de elevado preço, e grande frequência. Podem tranquilamente vender suas casas e morar num lugar mais pacato, como a Praça 24 de Outubro, em Inhaúma. Lugar aprazível e com sombra, e ainda com (bem) poucos turistas. Os protetores de meio ambiente – claro – dizem que a tirolesa prejudicará a fauna e flora da região; bem, se fosse uma favela talvez batessem palmas. Bichinho não gosta de barulho de tirolesa e grito de turista, mas adora que desmatem os morros e construam casas sem saneamento básico”.

Também, no dia 29 de março, o jornal criticou os argumentos de moradores e grupos ambientais embasados em representações gráficas que atestariam uma suposta descaracterização da região:

“Para reafirmar suas opiniões, os pseudo-ambientalistas e os urquinos mostram croquis (imagens virtuais de rendering) de uma obra imensa no Pão de Açúcar, que descaracterizaria completamente a região. CHOCANTE! Puro asfalto, tirando toda a vegetação nativa que dá beleza à região. Mas aí um pouco de pesquisa mostra que… a imagem simplesmente mostra o que já existe no local! Trata-se de mera modelagem volumétrica da situação atual; só que sem às árvores que escondem a construção. Foram feitas uma série de modelagens 3D para entender o relevo e as construções existentes. Tudo que aparece nessas imagens já existe, e existe há décadas. Só que o mato cresceu em volta e disfarçou”.

Leia:

“Quintino: O Falso debate sobre a tirolesa no Pão de Açúcar”

“Imagem do Pão de Açúcar que baseia movimento contrário à tirolesa mostra construções que já existem”

Com informações do jornal O Globo e Diário do Rio.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Sabia decisão do magistrado. Se essas geringonças fossem justificáveis, tudo bem. Mas não são.

    Qual o movimento da Roda Gigante do Crivella no Porto?

    Pois é…No começo todo mundo ia querer ir nessa tirolesa, depois iam perder o interesse.

    Tem outras tirolesas na cidade e esse nicho específico de turismo pode procurar esses lugares.

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