Alexandre Knoploch: O pesado custo monetário e cultural do vandalismo

Até quando a maioria dos cariocas terá que pagar pelos prejuízos causados por uma minoria sem civilidade?

BRT com a porta destruída (Foto: Divulgação BRT)

Já teci diversas críticas à gestão da Prefeitura do Rio de Janeiro. Reclamo principalmente da falta de ordenamento público, visível na má conservação de ruas, na escassa iluminação em diversos lugares e na bagunça do comércio ambulante.

No entanto, admito o quanto a administração municipal sofre com o vandalismo de uma pequena parte da população, que infelizmente, causa estragos enormes. Como o próprio DIÁRIO DO RIO citou em reportagens anteriores, as agressões à arte monumental do Rio de Janeiro custam muito caro. Os óculos do poeta Carlos Drummond de Andrade, vandalizados desde o ano da inauguração, já foram restaurados mais de 10 vezes por um custo que ultrapassou o gasto com a obra.

De fato, não é normal viver em uma sociedade na qual cidadãos bárbaros façam isso. Os milhões gastos com restauração ou substituição dos bens públicos poderiam ser usados em investimentos em áreas como educação, saúde e cultura. Infelizmente, muitos cariocas gostam de culpabilizar o Poder Público por tudo, porém esquecem que são as pessoas que fazem o próprio país através de suas atitudes. Reclamar da sujeira da rua e lançar um copo plástico no chão, por exemplo, constitui uma postura bastante comum, mas extremamente incoerente e contraditória.

Ouvi de muitos que o problema tem origem na falta de educação formal. Porém, sabemos que a educação começa em casa e, antes de vir dos professores, vem do exemplo de pais e responsáveis. Será que esses episódios lamentáveis se repetem em outras capitais e países como a mesma frequência que acontece na Cidade Maravilhosa? Tenho minhas dúvidas. Até quando a maioria dos cariocas terá que pagar pelos prejuízos de uma minoria mal educada?

O lado mais preocupante do vandalismo reside na suspeita que tenha se tornado uma verdadeira indústria. Existem dezenas de ferros-velhos clandestinos que alimentam a cadeia da destruição, recebendo material subtraído de maneira furtiva e até criminosa, sem nenhum critério. Usuários de drogas e moradores de rua estão entre os vendedores habituais de partes de monumentos, assim como de fios de cobre e objetos metálicos em geral. Toneladas de monumentos históricos que custaram fortunas para a Prefeitura se reduzem a poucas centenas ou até a dezenas de reais nesse processo que termina na compra e venda ilegal.

A depredação do patrimônio público está tipificada no Código Penal brasileiro desde 1940. O Artigo 163 prevê punição contra quem causa dano ao patrimônio da União, Estado, Município, de empresa concessionária de serviços públicos ou de sociedade de economia mista. Podemos incluir, portanto, nessa tipificação, o vandalismo praticado contra veículos e assentos nos ônibus, trens, BRT e ônibus — um crime recorrente no Rio que chega a prejudicar a circulação dos transportes.

Mas por que a depredação, o furto e a venda de bens públicos continuam a acontecer à margem da lei na nossa capital, a qualquer hora do dia e da noite? Mais uma vez, a resposta está na certeza da impunidade — um verdadeiro câncer que adoece o Brasil. É preciso que o Poder Executivo organize para ontem a repressão a esse tipo de crime, para que se reverta a escalada de prejuízos para todos nós, que sempre pagamos pelo prejuízo, do ponto de vista tanto monetário quanto cultural.

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