Cobra solta por engano no Parque da Tijuca acaba morrendo após ataque de cachorro

Serpente nativa da África e Ásia estava desaparecida na unidade de conservação desde a sexta passada

Advertisement
Receba notícias no WhatsApp
Píton solta por engano no Rio é recuperada — Foto: Reprodução

A cobra da espécie píton ball, que foi solta por engano o Parque Nacional da Tijuca, foi encontrada e retirada na unidade de conservação na noite desta quarta-feira (08/03). A serpente acabou falecendo na tarde desta quinta-feira (09/03), depois de ter sido atacada por um cachorro na unidade de conservação. A serpenete, nativa da África e Ásia, foi confundida com uma jiboia e “devolvida” à natureza pelos bombeiros na última sexta-feira (03/03).

O cachorro encontrou a cobra e a levou até uma casa. Ao ver que o cão estava junto com a serpente, o dono da residência acionou o Corpo de Bombeiros.

O veterinário Jeferson Rocha Pires, do Centro de Recuperação de Animais Selvagens da Universidade Estácio de Sá, confirmou, através dos padrões de cores e desenhos das escamas da serpente, que se tratava de uma píton que havia sido solta na semana passada.

Para o biólogo Jorge Antonio Lourenço Pontes, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), especializado em herpetofauna [répteis e anfíbios], a serpente não poderia ter sido solta na mata sem antes passar pela avaliação de um especialista.

Advertisement

Leia também

Estrangeiros LGBTQIA+ estão comprando todos novos imóveis de Ipanema – Bastidores do Rio

TransBrasil inicia operações neste sábado, da Penha ao Terminal Gentileza

Condições de saúde

O procedimento padrão é encaminhar o animal a um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que, no Rio, fica no município de Seropédica. O especialista poderia ter feito a identificação correta da espécie. E, caso fosse um animal nativo, um veterinário poderia ter avaliado as condições de saúde antes da soltura.

“O bicho pode estar aparentemente sadio e carregando uma parasitose ou virose gravíssima e de alto contágio”, observou.

Além do risco sanitário, há ainda o risco de a espécie exótica tornar-se invasora, reproduzindo-se no local. Caso a píton encontrasse outra serpente da mesma espécie na floresta, poderia gerar filhotes e colonizar o local.

Algumas fêmeas de espécies de serpente são capazes de fazer partenogênese, ou seja, são capazes de se clonar, reproduzindo sem a necessidade de um parceiro.

“Nós, pesquisadores, achávamos que esses animais não são capazes de fazer partenogênese. Hoje, descobrimos que até nossas sucuris geram filhotes por partenogênese. Várias espécies de píton já demonstraram essa capacidade”, afirmou Pontes.

Segundo ele, a criação de animais exóticos e a sua soltura na natureza apresentam, portanto, um problema para a biodiversidade local. Na Flórida, nos Estados Unidos, pítons que escaparam do cativeiro se tornaram um problema enorme para a vida selvagem, ameaçando a fauna nativa.

Advertisement
Receba notícias no WhatsApp
entrar grupo whatsapp Cobra solta por engano no Parque da Tijuca acaba morrendo após ataque de cachorro

Advertisement

2 COMENTÁRIOS

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui