A futura sede do DIÁRIO DO RIO ainda está em obra. Contudo, a decoração, que será uma das atrações da nova redação, ganhou mais uma importante peça. Uma rara pintura iconográfica de S. A. Imperial Regente do Brasil retrata a Princesa D. Izabel e seu marido S. A. Real o Sr. Conde d’Eu em noite de gala no interior do Theatro Imperial D. Pedro ll.

“A nova sede do DIÁRIO DO RIO fica na Praça XV, exatamente onde o Brasil começou a mudar, com a vinda da família real portuguesa para o Rio. E é com intuito de homenagear este evento, e acreditando na recuperação da Cidade Maravilhosa, que decidimos presentear a cidade com a restauração de um prédio do século XVIII, lindo, que será ambientado com peças que nos façam relembrar os melhores momentos do Rio de Janeiro, como é o caso deste quadro, que é raro e importante digno de uma redação 100% carioca”, disse Claudio Castro, presidente do DIÁRIO DO RIO.

A obra é um dos raros registros do interior do Teatro (se não o único), e do camarote da Família Imperial destinado à Princesa herdeira do trono, diretamente em frente a este ficava o camarote da irmã da Princesa Isabel, a Princesa Leopoldina e seu marido, o Príncipe de Saxe-Coburgho. Na parte central do Teatro ficava o de “Suas Majestades”, de acordo com a planta da época.

No quadro, percebe-se o suntuoso camarote todo decordo em veludo, ouro e flores, todo iluminado com luz elétrica – novidade na época. No camarote Imperial estão retratados, também, da direita para a esquerda o 2° Marquês de Paranaguá, seu genro o Barão de Loreto e sua filha a Baronesa de Loreto, que era Dama de S.M., além da Imperatriz D. Thereza Christina e da Princesa Regente – todos abolicionistas.

O Teatro D. Pedro II foi um teatro que existiu na cidade do Rio de Janeiro, inaugurado em 1871 e, a partir de 1875, recebeu o nome de Teatro Imperial D. Pedro II. Já no ano 1890, após a Proclamação da República, passou a chamar Teatro Lyrico. O prédio foi demolido em 1934.

Era um teatro grande com dois pavimentos. Na frente, havia uma porta central com 4 bandeiras no térreo, e no pavimento superior, em cima dessa porta, um conjunto de 5 janelas francesas, arco, com sacadas de ferro batido. De ambos os lados dessas janelas, uma sacada aberta seguida de duas janelas francesas de cada lado. Na fachada lateral, havia no primeiro pavimento, 5 janelas francesas com sacadas de ferro batido.

A Tribuna Imperial do Teatro erguia-se sobre a porta principal da entrada, rematando na altura do teto e ocupando a largura de 4 camarotes.

Na lateral esquerda do quadro, onde nota-se o camarote, em uma coluna com um escudo lê-se “Lycêo de Artes e Officios” e do lado direito há placa: “9 de Janeiro de 1888”. Nesta data comemorou-se 30 anos de fundação do Liceu de Artes e Ofícios, instituição criada pelo Imperador D. Pedro II.

A Princesa Regente foi retratada neste quadro com todos os grandes do Império ligados à criação da “Lei Áurea”, que poria fim à escravidão no Brasil. Bem à direita do camarote Imperial há um senhor totalmente sozinho. O cotovelo dele está sobre o nº 9 da placa com data. Percebe-se que o casal Imperial está de costas para este senhor, o ignorando. Era o 1° Ministro, o Barão de Cotegipe (desafeto do casal herdeiro), que votou contra a Lei Áurea e quando esta foi assinada pela Princesa Izabel profetizou: “A Senhora acabou de redimir uma raça e perdeu o trono”.

Sentado de costas para o Barão de Cotegipe, exatamente sobre a palavra ‘Janeiro’ da placa com data está o Conselheiro Souza Dantas – abolicionista. No canto inferior direito da tela há um senhor de bigode com um terno totalmente preto, este é o Sr. Samuel Wallace MacDowell lll, Ministro da Justiça (abolicionista que seguiu para o exílio com a família Imperial), por fim, logo atrás dele, vestido com uma farda, está o Major e Senador Alfredo d’Escragnolle Taunay, 3° Baron de Taunay (título francês) e 1º e único Visconde de Taunay – título brasileiro, também abolicionista.

O quadro executado em óleo sobre tela é assinado por um pintor viajante, chamado V. Del Bosco. A obra mede 90 cm altura x 70 cm largura.

2 COMENTÁRIOS

  1. Se a filosofia original do Liceu de Artes e Ofício não tivesse sido deturpada pelo descaso da República Velha, assim como desconsiderou a importância da vinda para o Brasil de Antoine Emile Grandmasson, padrinho de D. Pedro de Alcântara, filho da Princesa Isabel, e responsável pela organização das escolas técnicas de Paris, talvez tivéssemos hoje no Brasil, uma estrutura decente de ESCOLAS TÉCNICAS.
    Ao contrário disto, inundamos o ambiente universitário com pessoas sem aspiração científica, posteriormente diplomados como analfabetos funcionais, inúteis para a ciência, embora bons motoristas de UBER e sofisticados vendedores de cachorro quente.
    A falta da classe de técnicos no país se evidencia no nível de nossa mão de obra e impede que determinadas iniciativas corporativas avancem, pois sempre necessitam importar mão de obra estrangeira, para cobrir a lacuna nacional.
    Acredito até que as associações de classe dos técnicos, caso existissem, poderiam estimular uma melhor distribuição de renda no país.

  2. Que legal! Parabéns ao DIÁRIO DO RIO pela iniciativa de investir sua sede em um edifício histórico na Praça XV e pela restauração do local, irá ficar muito bonito e espero que isso ajude os cidadãos e governantes desta cidade a ter mais cuidado e valorizar mais os patrimônios culturais e históricos do Rio que hoje em dia não recebem o cuidado que merecem. Uma sugestão: a nova sede poderia ter um pequeno espaço reservado à visitação e um centro cultural ou museu, né? Para cariocas e turistas poderem ver esse quadro espetacular frente a frente. Seria o máximo, fica a dica. Viva O DIÁRIO DO RIO!

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