Escadaria Selarón, na Lapa, enfrenta problemas de segurança

O abandono na região assusta os visitantes e preocupa os comerciantes do local, que temem que fluxo de turistas diminua

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Escadaria Selarón, na Lapa (Foto: Valdimiro Ragazzini)

A tão atrativa e colorida Escadaria Selarón sempre atraiu muitos turistas, mas nos últimos anos, o descaso tem tirado um pouco do brilho que um dos principais pontos turísticos da Lapa sempre teve. Tombada em 2005 como patrimônio cultural da cidade, a escadaria está com peças quebradas ou faltando. Além disso, pequenos problemas na segurança preocupam os comerciantes do local e os visitantes. Vale lembrar que a escadaria é o terceiro ponto turístico mais visitado de todo o estado do Rio de Janeiro.

Estive na Selarón e fiquei preocupada. É um ponto importante do Rio de Janeiro, importante para o turismo, mas peca na segurança. Eu escuto falar de furtos, roubos… aí, já fico com medo de frequentar. E se eu estou vendo isso, pode ser que mais gente veja. Pode atrapalhar o comércio local, afastar turistas… é um lugar que precisa de cuidados”, afirmou Claudia Santos, moradora de Duque de Caxias, que é frequentadora do local e percebe os efeitos do descaso.

O DIÁRIO DO RIO entrou em contato com a Guarda Municipal, questionando sobre os problemas com a segurança no local. Em nota, eles afirmaram que há agentes bilíngues no escadaria, diariamente, para atender os visitantes:

“A Guarda Municipal mantém agentes bilíngues do Grupamento de Apoio ao Turista (GAT) atuando diariamente na escadaria Selarón para promover a segurança preventiva no ponto turístico e realizar o atendimento aos visitantes nacionais e estrangeiros.” 

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O DIÁRIO DO RIO também entrou em contato com a Polícia Militar, mas até o momento da publicação desta matéria, não obteve resposta. Aliás, esta tem sido a conclusão de praticamente todas as questões colocadas pela redação à forca policial.

Especialistas em segurança pública consultados pelo DIÁRIO DO RIO analisam que o problema da criminalidade na região é facilmente contornável, uma vez que os crimes que ocorrem ao redor da Escadaria são pequenos, como pequeno tráfico de drogas sem armas, e alguns furtos. Seriam os chamados crimes de oportunidade, que normalmente se resolvem com simples patrulhamento. Também têm ocorrido danos ao mobiliário urbano, postes e luminárias na região. “O importante é agir enquanto é tempo e não deixar evoluir para o problema que temos no resto da cidade“, diz Adriano Nascimento, da empresa Gemma, que recentemente adquiriu três prédios na rua Joaquim Silva, onde começa a escadaria.

Dois dos prédios da Gemma, o 97 e o 97A, foram alugados a um restaurante e gastrobar recém-aberto no local. É um restaurante vegano que ocupa os 700m2 com linda fachada art nouveau, cuja obra de restauro tem chamado a atenção dos passantes ali na região. Num dos prédios viveu o ídolo do chorinho Jacob do Bandolim. A região é extremamente histórica.

Museu do Azulejo

Segundo informações do Blog do Ancelmo, do Jornal “O Globo”, na última sexta-feira (19/02), o secretário municipal de Turismo, Cristiano Beraldo, esteve na Escadaria Selarón, na Lapa. Após um longo período de abandono, agora, parece que o local será restaurado e se tornará ainda mais atrativo.

Isso porque a Prefeitura promete não somente restaurar o lugar criado pelo artista chileno Jorge Selarón (1947-2013), mas também transformar a área numa espécie de Museu do Azulejo. Ainda não há mais detalhes, mas a ideia empolga os comerciantes locais.

História da Escadaria Selarón

O artista chileno Jorge Selarón, que morava em frente à Escadaria, estava incomodado com o estado no qual o espaço se encontrava. Então, em 1990, iniciou os trabalhos de renovação da Escadaria. No início, era apenas uma atividade de passatempo, mas, com o passar do tempo, se tornou uma das grandes obras dele.

A Escadaria tem 125 metros de comprimento e 250 degraus. São mais de 2.000 azulejos coloridos colocados por Selarón, que passou a vender suas pinturas para financiar a revitalização do local. Após finalizar a obra, Selarón continuava a trocar alguns azulejos. Ele dizia que sua obra nunca estaria completa: “Este sonho louco e único só vai acabar no dia da minha morte”, afirmava o artista.

No início, os azulejos eram retirados de canteiros de obras e montes de resíduos urbanos que Selarón encontrava nas ruas do Rio de Janeiro. Porém, também existem azulejos doados por visitantes de todo o mundo. Hoje em dia, existem peças de mais de 60 países no local. Além disso, 300 peças foram pintadas à mão pelo artista, retratando uma mulher africana grávida. Ele afirmava ser um problema pessoal do seu passado.

Em maio de 2005, a Escadaria Selarón foi tombada pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Selarón recebeu o título de cidadão honorário do RJ. Além da escadaria, existem outras peças de mosaico do artista espalhadas pelos Arcos da Lapa.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Sou guia de turismo do Rio e sinto em diser que o perigo existe e que ainda ontem dia 24/02/21 uma colega e todos os seus passageiros de uma Van de turismo foram assaltadas a mão armada ali nas proximidades da escadaria. Para mim é muito triste ter que confirmar essas notícias que infelizmente são veridicas.

    • Meu comentário foi ao bairro onde a escadaria se encontra. Os cartazes de FUI ASSALTO AQUI estão espalhados desde a adega do pimenta até a esquina do bar do Serginho, passando pelo acesso ao parque das ruínas! Já o acesso via rua Candido Mendes os próprios motoristas de lotada avisam aos turistas dos perigos. E recentemente houve um arrastão a luz do dia no bar do Gomes.

  2. Essa notícia tá mto estranha. Vou todos os anos ao Rio e fico hospedada na escadaria. Ela tá sempre limpa e bem cuidada pelas pessoas que moram lá. Não tem nenhum sinal de abandono. Assaltos acontecem na rua de cima ou de baixo cm em todo O Rio de Janeiro mas não com frequência e nem na escadaria. É bom checar as informações passadas para confeção dessa materia!

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