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A Câmara Municipal de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (17/12) a inclusão de João Cândido Felisberto como Herói Municipal. O projeto é uma construção do Conselho Municipal da Igualdade Racial (Comira), Pastoral Afro, Casa da Cultura, a Associação de Amigos do Museu Almirante Negro, Superintendência de Igualdade Racial e foi apresentado pelo vereador Aldinho Hungria (MDB).

O Ministério Público Federal fez uma série de recomendações a Prefeitura, solicitando nomear ruas, praças e auxílio aos familiares de João Cândido. O Prefeito João Ferreira Neto (DEM), comprometeu-se a sancionar o projeto na íntegra ainda esse mês.

O Almirante João Cândido ficou conhecido porque, até 1910, a Marinha costumava punir os marinheiros com castigos físicos, como chibatadas. Na época, o marinheiro Marcelino Rodrigues foi condenado a 250 chibatadas, após ser acusado de ferir um superior, a bordo do encouraçado Minas Gerais. Os outros marinheiros, então, se revoltaram e iniciaram o movimento que ficaria conhecido como a Revolta da Chibata. João Cândido liderou a rebelião e redigiu uma carta na qual os revoltosos exigiam o fim dos maus-tratos, castigos físicos como a chibatada e o bolo nas mãos. Ao término da batalha, ele ficou conhecido como o Almirante Negro, mas acabou expulso da Marinha.



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João Cândido nasceu em 24 de junho de 1880, em Encruzilhada do Sul (RS), mas escolheu o município de São João de Meriti (RJ) para viver até falecer em 1969 aos 89 anos. Seu filho Adalberto Cândido – Candinho – de 81 anos, netos e bisnetos ainda vivem na cidade. João Cândido até 1958 vivia de aluguel nos bairros Vila Rosali e Coelho da Rocha, quando o então governador Roberto Silveira fez uma doação para ele poder construir sua casa própria em um terreno comprado por seu filho Candinho. João Cândido passou os últimos anos de sua vida trabalhando no Entroposto de Peixes da Praça XV e aos domingos, não perdia o futebol do Campo Novo Futebol Clube, em Venda Velha.

A sociedade civil espera há 10 anos a construção do Museu Marinheiro João Cândido que atualmente funciona em um espaço provisório no edifício Antares, ao lado da sede da Prefeitura. O Museu vai ser construído na Casa do Embaixador Martinho Nobre de Melo, construída no século XIX no bairro Vila São José. O local tem uma belíssima vista e paisagem natural e é possível visualizar a Baía de Guanabara, onde ocorreu a Revolta da Chibata.

Homenagens

Neste ano, completa 50 anos da morte de João Cândido e uma série de atividades foram mobilizadas para reconhecer sua luta pelo fim dos castigos físicos e do último resquício de Escravidão na Marinha. A ALERJ aprovou a inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas do Estado. O livro, fica na entrada do Palácio Tiradentes e é aberto a visitação. A Cia. Teatral Cerne tendo como título o último endereço onde viveu João Cândido – Turmalina 18-50, refaz os caminhos percorridos pelo líder como forma de celebrar sua história e combater o apagamento de sua memória. Na Câmara dos Deputados, em Brasília, tramita proposta do deputado federal Chico D’Ângelo (PDT-RJ) para incluir o Almirante Negro no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, onde já constam os nomes de outros militares como: Bárbara de Alencar, Santos Dumont, Almirante Tamandaré e General Rondon. A proposta esbarrou na família Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro, pediu para o projeto passar na Comissão de Relações Exteriores e Defesa, justificando que por ser um militar, a comissão da qual é presidente, deve emitir um parecer. Pela primeira vez, um candidato a Herói da Pátria, será assunto Defesa Nacional. Desde da criação do Livro, todos os projetos tramitaram sempre pelas Comissões de Cultura e Constituição e Justiça. Mais uma luta para o Almirante Negro.

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