O desprezo à história, o desrespeito ao patrimônio do outro se tornaram regra, e as autoridades a tudo assistem, impassivas.

O melancólico fim da filial da Confeitaria Colombo que funcionou na esquina da avenida Copacabana com a rua Barão de Ipanema, em 2003, foi muito sentido pelos moradores do bairro. Em sua época de glória, era considerada mais elegante que a matriz na rua Gonçalves Dias.

Mas pelo menos a Agência Bancária que alugou a linda loja onde funcionou aquele estabelecimento cheio de história – com sua escadaria e seu piano tocando ao som do tilintar de xícaras – deixou o velho e garboso letreiro com um lindo brasão e letras de bronze na fachada; apenas a palavra “confeitaria” havia sido substituída por “agência”. Um carinho do Banco do Brasil aos moradores da princesinha do mar.

Até o início da semana passada, estava íntegro o velho letreiro da Confeitaria Colombo, na parede do prédio da rua Barão de Ipanema 56, esquina de avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Só que, esta semana, o caos completo que se apoderou do bairro de Copacabana, hoje tomado por moradores de rua, adictos e viciados de todo o gênero, “recicladores de lixo informais” e ferros-velhos itinerantes que receptam todo o tipo de metal arrancado e roubado no bairro, acabou fazendo mais uma vítima. O tão querido letreiro de bronze da Agência do Banco do Brasil onde outrora Copacabana teve momentos de glória e elegância vem sendo furtado, dia após dia, pouco a pouco.

A Sociedade Amigos de Copacabana disse em comunicado que os funcionários da Agência Colombo informaram que o furto foi cometido por moradores de rua. Através de seu presidente Horácio Magalhães, a entidade declarou: “Nossa associação de moradores verificou que foram furtados algumas das letras do nome da agência Colombo do Banco do Brasil, situado na esquina de Av. N. S. De Copacabana e Barão de Ipanema. Segundo funcionários da agência, o furto foi cometido por pessoas em situação de rua. O brasão da antiga Confeitaria Colombo que funcionava no imóvel antes de virar banco não foi furtada.

Copacabana conta com diversas kombis e caminhões que circulam pela manhã, bairro afora, com alto-falantes que gritam em alto e bom tom: “Compramos bronze, cobre, alumínio, geladeira velha, ar condicionado velho, (…)“. Todos os dias. Estes ferros-velhos itinerantes estão levando partes de monumentos, gradis de condomínios, tampas de bueiros, e agora até mesmo letreiros de estabelecimentos. Na cara das autoridades, que estão mais preocupadas em dar desculpas para não punir os vagabundos responsáveis por estes crimes, que só se acumulam.

O assunto segue e seguirá, até que não haja mais um monumento histórico, uma única estátua, uma única placa comemorativa; ironicamente, os nossos políticos adoram estas placas comemorativas. Será que se teriam animado com os furtos das placas para poderem encomendar novas? Há pouco mais de 4 anos, com a chegada do pior prefeito da história, o problema se agravou. Mas o bispo já foi, e o inferno da caixa de pandora por ele aberta continua. Será que é irreversível?

Na Glória, o monumento ao primeiro presidente do Brasil, Deodoro da Fonseca, já daqui a pouco não existirá mais. No Centro, a estátua ao General Osório não tem mais as balas de canhão, nem as grades, e os ladrões idolatrados pelos ministérios públicos e privados da vida já serraram fora até mesmo as figuras que saíam dos painéis. Já não há mais quase nenhum marco de qualquer coisa importante que tenha ocorrido na Zona Sul da cidade, e muito menos na Zona Norte.

Roubam postes de ferro inteiros. Serram braços e pernas de estátuas. Outro dia, o DIÁRIO DO RIO noticiou que criminosos levaram, em plena luz do dia, os portões de três metros de altura do edifício-sede do IAPETEC, na Avenida Venezuela, no Centro do Rio, propriedade do governo federal. Ficaram horas serrando fora os pedaços, sob os protestos de….ninguém!

Os idosos estão em risco, pois até mesmo as tampas de bueiro são roubadas na sanha destruidora dos zumbis do nosso seriado Walking Dead particular. Outro dia, em plena Rua do Riachuelo, roubaram um bueiro localizado bem no meio da rua; isso mesmo, não é da sarjeta nem da calçada que estão roubando, mais. Esses já foram! Pegam qualquer coisa que exista. Todas as grelhas de ralos de uma pracinha na rua Dias da Rocha, em Copacabana, já foram furtadas.

Reina o coitadismo, a peninha de galinha. Qualquer sopro de lei e de ordem é rechaçado, na briga política idiota que parece ter se tornado interminável no país todo. Só que crime não é nem de direita nem de esquerda. Crime é crime. Existe uma Guarda Municipal na cidade, que hoje se dedica a multar, multar, multar e multar. Não dedica um segundo de sua atividade a cuidar do patrimônio público, e que dirá do privado.

Escapamos, por hora, de nos tornarmos a Capital Mundial da Mendicância, como tratamos em editorial recente. O prefeito da cidade vetou a tresloucada lei que pretendia legalizar e impulsionar a permanência de mendigos, sem teto e pedintes em certos locais, através da proibição da colocação de anteparos e obstáculos arquitetônicos. Mas o Rio de Janeiro é hors concours no que tange a péssima zeladoria, abandono do patrimônio público, apoio à desordem, total ausência de conservação e crescente – ainda que indireto – apoio à existência de poderes paralelos e milícias.

Este apoio, verdade, nem sempre vem do executivo. No legislativo, alguns segmentos de criminosos chegam a ter sua própria bancada, dizem alguns. No Judiciário e no Ministério Público, o coitadismo parece ser a ideologia da hora, e ai de quem se insurgir contra isso.

Vivemos um profundo desgoverno, uma inversão de valores total. Quem falsifica e vende produto falsificado “está trabalhando“. Quem furta o que é dos outros (ou de todos) “está sobrevivendo“. Tudo tem uma desculpa. É comum hoje em dia acusarem políticos de estarem “roubando“, sem nem saber direito de quem se trata, sem maior pesquisa, e mesmo sem qualquer prova. Será que não estão apenas “trabalhando” ou “sobrevivendo“? E nós, vamos acabar “trabalhando” e “sobrevivendo” também ?

Antiga Confeitaria Colombo de Copacabana, quando ainda funcionava na R. Barão de Ipanema 56, esquina de Av. Nossa Senhora de Copacabana / Foto: Reprodução da Internet

5 COMENTÁRIOS

  1. O centro do Rio está virando um ambiente mortal para andar, se não prestar atenção o cidadão cai num boeiro sem perceber, é tanto buraco nas calçadas (boeiros furtados), que virou um lugar ainda mais insalubre. A tolerância com bandidos, pivetes e cracudos tem transformado o Rio num lugar pior em TUDO. As políticas que vitimizam os bandidos colocando-os como se fossem vítimas tem destruído nossas vidas em todos sentidos.

  2. Ainda não levaram o brasão ,sera questão de tempo já que agora sabem que vale algo bom . Tb daqui a pouco vão levar a placa do Bairro Peixoto aquela que foi cologada a poucos dias tb e de bronze em homenagem o a Jornalista XEXEU .

  3. Quero ver mesmo é quando tudo isso começar em ritmo tão acelerado, que não terão controle nenhum. Como essa prefeitura está pior. Já teve um tempo que tudo estava começando a melhorar. Realmente crime é crime. Mas quem compactua com o crime, também é criminoso.
    Outro detalhe que ainda não caiu a ficha: se começarmos a nos ferir nas ruas, vamos acionar e processar a prefeitura. Já pensou sr. Prefeito ter que pagar por prejuízos de lesão, de destruição de patrimônio e por aí afora?

  4. Peninha dessa turma, é o q ñ tenho.
    Vivem numa cidade grande, têm comida dada td dia, cobertor td dia (abandonam te manhã), à noite tem mais, é mta gente generosa, e êles se aproveitam, parece q a obrigação é manter a situação sob responsabilidade dos outros, abrigo ñ querem, é longe, têm q levar a mulher junto e prá mesma cama, têm q levar os cachorros, ñ gostam de acordar cedo, ñ gostam de varrer, ou seja é muito mais fácil viver da caridade. Assistencialismo comunitário, só faz mal, pense em organizações séries para ajudá -las, para os doentes hospitais, para criminosos cadeia, para vândalos castigo (ñ precisa ser físico), bote prá trabalhar até pagar o prejuízo, em um instante acaba.

  5. A desordem urbana é um câncer do Rio de Janeiro. Enquanto houver tolerância a isso, enquanto ficarmos justificando esses casos vitimizando o depredador, o furtador, o roubador, o ladrão… não sairemos do buraco.

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