Por André Delacerda

Sergio Cabral Muros em favelas, barracos blindados, caveirinhas e chibatas. Alguma coisa está bastante errada no Rio. Ou voltamos a um cenário da idade média, a idade das trevas; ou a época dos navios negreiros e da escravatura ou então não sei aonde vamos parar.

 

Para uma cidade que deseja ser a sede de um evento olímpico, este é um mau caminho. Quando abro um jornal e vejo que a PM está desenvolvendo um veículo apelidado de “caveirinha”, uma espécie de patrulha da PM blindada com capacidade para 6 policiais e 4 bandidos. Fico pasmo. Será que este é o caminho? Se a PM planeja ter uma frota dos tais caveirinhas é porque as coisas vão ficar piores, a chapa vai esquentar como se diz na gíria popular carioca. Imagina nos cidadãos, que não podemos ter veículos blindados. Vamos ficar a mercê do crime? Se a PM precisa de ter patrulhas assim, e nós? O que faremos?

Mas, continuando o passeio pelo laboratório dos horrores, tem-se a medíocre idéia dos barracos blindados, que é outra coisa absurda. A novidade, me parece uma coisa sem pé, nem cabeça, uma aberração. Promover a construção de barracos blindados é dizer. Favela é terra de ninguém. É o Estado assinando o atestado de incompetência e falência. E dizendo: vamos dar barracos blindados a vocês, porque a bala sempre vai comer aqui. Mas o essencial, educação, saúde, saneamento e moradia digna, que diga-se de passagem não é uma blindada, fica relegado ao esquecimento. E o pior você blinda um barraco, e o marginal faz o trabalhador de bem que vive na favela de refém, utilizando esses barracos como trincheiras.

 

Sobre os muros, já comentamos antes aqui no Diário do Rio, em um post que inclusive está dando o que falar. E vemos graças a Deus, a unanimidade de opinião contra esses muros da segregação, por parte de jornalistas sensatos, pensadores, estudioso no assunto social e geopolítico, pesquisadores, e até um Prêmio Nobel da Paz. Estes, afirmam que os muros não vão nos trazer solução positiva alguma. Pois, só vão passar uma sensação ilusória a nossa classe média, que parece querer se enganar, tomar uma pílula de farinha. O muro tira a atenção das reais responsabilidades que o Estado tem com o cidadão, e que não as cumpre. Quem viver verá.

 

E para coroar, o circo das aberrações que se instalou no Rio, ou melhor o laboratório das aberrações que quer se instalar por definitivo no Rio. Temos nada mais, nada menos, que um revival da novela “Sinhá Moça”, já estou até escutando os ecos daquela famosa música da abertura da novela “Lerê, lerê, lerê, lerererere…”.

 

Essa “Sinha Moça” versão ultra trash, teve um remake para lá de real. Pior que isso, é presenciar na tv, nos vídeos da web ao espetáculo de tortura que ocorria nos trocos nas praças públicas na época da escravatura brasileira, ocorrendo nos tempos atuais.

 

Pasmem. Não se ver nenhum feitor, capitão do mato nas imagens. Pode-se ver no vídeo bizarro a agressividade de homens que deveriam por a ordem de forma ordeira dentro de uma concessionária que detêm os serviços públicos de trem no Rio, e diga-se passagem, que ganha dinheiro através de um patrimônio de todos nós cidadãos cariocas. A concessionária deve explicações a sociedade do que ocorreu ali, e tem a obrigação de proporcionar serviços dignos, e não chibatadas de brinde ao cidadão que acorda cedo para ir ao trabalho, numa luta diária espremido nos trens que mais parecem latas de sardinha.

 

Alguns vão falar. Os traficantes e bandidos propagam a barbárie todos os dias na nossa cidade!

Porém, convenhamos. Eles o fazem, porque são o lado do Mal na sociedade. E o Estado? Este sim, deveria ser o lado do Bem, que combate com racionalismo o Mal, e traz soluções geniosas aos problemas sociais. O Estado, não deveria se iguala ao Mal, produzindo e patrocinando aberrações. Se for assim, veremos o mocinho virando bandido, ou mais que isso, virando um criador de aberrações – Dr. Frankenstein.

Senhor! Oh Redentor! Olhai por nós. Porque os homens que deveriam nos guiar não sabem o que fazem. E a nossa sociedade está corrompida pela cegueira. Dai-nos luz, oh Pa!.

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