Palacete Modesto Leal e seu Jardim Romântico serão recuperados e abertos ao público em Laranjeiras

O bairro de Laranjeiras vai receber de volta o palacete totalmente restaurado, e o novo condomínio será um verdadeiro parque acessível pela população. Serão construídos cinco residenciais de 5 andares no imenso terreno, deixando quase 90% da área livre.

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Palacete Modesto Leal, em Laranjeiras (Foto: divulgação)

A antiga residência do Conde Modesto Leal, que já foi considerado o homem mais rico do Brasil, em Laranjeiras (Zona Sul do Rio), vai finalmente ganhar uma nova cara, após vários anos de abandono. Após minucioso restauro e recuperação de partes que estão degradadas, incluindo o incrível Jardim Romântico, uma parte do chamado “palacete” será aberta para visitação pública. A iniciativa faz parte do corajoso projeto desenvolvido pela incorporadora Bait, que também vai lançar um novo empreendimento residencial no local. O belo palacete e seu jardim romântico no passado foram palco de eventos e gravações de novelas e filmes.

Esse movimento de recuperação de patrimônios históricos do Rio, a partir de investimentos de iniciativa privada, tem ganhado força nos últimos tempos, sobretudo do ponto de vista da sustentabilidade, com construções e áreas verdes sendo recuperadas e reaproveitadas. Foi o caso do Largo do Boticário, que, após décadas de abandono e destruição, foi promovido e vendido pela Sergio Castro Imóveis, que fechou o negócio com a Rede Accor de Hotéis: a restauração, após 4 anos, está praticamente pronta e o novo hotel será inaugurado ainda este ano no local. A própria imobiliária restaurou o palacete onde funciona seu Centro Cultural, na rua das Laranjeiras 490, dando viabilidade comercial a outro imóvel tombado. No anexo da casa, funciona uma filial da empresa que atende ao bairro.

No projeto do Palacete Modesto Leal, localizado em um terreno de 35 mil m², as novas construções residenciais vão ocupar apenas 11% da área, mantendo o restante, como um belo parque. A idéia é inovadora, pois pela legislação seria possível edificar em 70% da área. O restante continuará com a mata atlântica remanescente, permitindo aos futuros moradores e visitantes desfrutarem de áreas de descanso e contato com a natureza, após a completa recuperação de áreas verdes que hoje também estão degradadas.

Ao todo, serão investidos pelo menos R$ 30 milhões no restauro e recuperação arquitetônica, histórica e paisagística do magnífico Palacete e da chácara. Para isso, a empresa contará com os especialistas Jorge Astorga – responsável pelo trabalho realizado nos Arcos da Lapa, Palácio Guanabara e Clínica Pitanguy – e Eduardo Barra, estudioso que cuidará da recuperação dos jardins históricos. Os projetos levam a assinatura da RAF Arquitetura e do escritório paisagístico Burle Marx.

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“O Palacete estava há quase 15 anos sem receber projetos economicamente viáveis para seu sustento e acumulando dívidas e intervenções que comprometeram a arquitetura original, além de uma arriscada degradação da encosta. Ficamos muito preocupados quando vimos a situação da casa, que já era tombada, e também da encosta, um risco real para o bairro. Mas encontramos uma solução interessante, porque pela primeira vez uma incorporadora recupera e disponibiliza parte da construção para visitação pública”, explica o CEO da Bait, Henrique Blecher.

Confira detalhes de como se encontra o Palacete atualmente:

Projeto do residencial

O projeto para os 35 mil m² de terreno onde fica o Palacete Modesto Leal já foi aprovado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, o Inepac. Serão cinco blocos de apenas cinco pavimentos, que ficarão ao redor do casarão de forma a não comprometer aa visão do bem tombado, com o restante da área livre formando um grande parque entre as construções.

Há anos escondido do grande público por trás de muros e chapas, o Palacete Modesto Leal terá visibilidade para a cidade e, emoldurando e valorizando ainda mais o bairro de Laranjeiras, que, junto com o Cosme Velho, forma um conjunto arquitetônico que ficou anos desvalorizado, mas agora tem chances de começar a renascer.

Um outro destaque do projeto está no estudo de circulação viária apresentado aos órgãos municipais, que vai reduzir em muito o impacto de circulação de carros, que já incomodou os moradores da região, quando o Palacete recebeu eventos privados no local.

Vamos cuidar desse bem histórico que era privado e entregar ao Rio de Janeiro totalmente recuperado. E o residencial será construído respeitando as visadas originais do palacete, devolvendo sua visibilidade e sem poluir a vista da cidade. A casa ficará como “centro de terreno”, conservando os seus caminhos naturais, jardins e diversos outros elementos históricos presentes na propriedade. Nosso amor pelo Rio nos exige esse compromisso com a beleza e a transformação. E teremos lá um trabalho altamente sustentável, respeitando a arquitetura, a flora e a fauna local. Hoje há muitas árvores mortas, com cupins. Vamos cuidar de tudo isso”, reforça Blecher.

Especialista aprovam projeto e ressaltam valor cultural e compromisso com a sustentabilidade

Para Ana Cristina Carvalho, diretora geral do Inepac, órgão que é responsável pela tutela e tombamento do imóvel centenário, a revitalização do espaço garantirá que os cariocas voltem a ter acesso a um dos pontos arquitetônicos e paisagísticos mais icônicos da cidade.

O projeto foi aprovado pelo Conselho Estadual de Tombamento dentro dos limites do processo de tombamento e da Área de Proteção do Ambiente Cultural —APAC de Laranjeiras. Ademais, a proprietária se comprometeu a manter o bem tombado conservado permanentemente, garantindo um espaço aberto ao público, inclusive com acesso ao Palacete para visitação. A iniciativa promove um benefício de grande importância para o bem tombado, para a história e a cultura fluminense, a partir da preservação da paisagem, jardins e do Palacete Modesto Leal e o Inepac irá acompanhar o andamento de todas as etapas do restauro”, afirmou.

A arquiteta e urbanista Leila Marques, especializada em desenvolvimento sustentável defende a utilização de imóveis tombados na cidade e que eles sejam frequentados pelos cidadãos, sempre alinhados com o desenvolvimento sustentável.

“Primeiramente, é preciso não perder de vista que “prédio bom” é prédio em uso, servindo à cidade e a seus cidadãos de alguma forma; com beleza então… Prédios vazios ou subutilizados, ainda que tombados, tornaram a cidade um belo cenário histórico, mas não cumpririam com sua função arquitetônica, nem urbanística, mormente numa cidade com tantas vulnerabilidades sociais como a nossa”, diz a estudiosa, que completa.

“Tanto o palacete, quanto o jardim romântico de valor paisagístico, serão igualmente restaurados e preservados, já que são bens tombados. Portanto, ao restante do terreno, que seja aplicado o rigor das legislações urbanísticas locais; que ações de sustentabilidade sejam agregadas à obra; que os arquitetos sejam cirúrgicos para que o contraste do “novo” e do “velho” valorizem o palacete como merece, e, no mais, que a cidade siga seu rumo de crescimento com desenvolvimento local sustentável, como necessita, e como tem tudo para se tornar esse empreendimento, é o que eu desejo“.

Histórico de preservação

Em parceria com a Astorga Arquitetura e Restauração a Bait está promovendo a recuperação de outro bem tombado na cidade do Rio de Janeiro: a Clínica Ivo Pitanguy, em Botafogo.

“A Bait é apaixonada pelo Rio de Janeiro, pela cultura, arquitetura e memória da cidade. Justamente por isso, todos os projetos desenvolvidos pela empresa valorizam sua história, além de atuar para os desenvolvimentos econômico, cultural, urbanístico futuro da cidade. O empreendimento que será construído no terreno da Rua Dona Mariana, em Botafogo, não só irá preservar a casa ali presente, de acordo com as determinações do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), como está fazendo um diagnóstico técnico da casa para realizar o restauro de sua fachada e utilização interna para as áreas comuns do empreendimento. Ter a casa preservada em estilo eclético na composição da arquitetura é um privilégio em todos os aspectos e iremos destacá-la com mais visibilidade para a rua, o que antes ficava por trás do muro”, destaca o sócio e CEO da empresa, Henrique Blecher.

Durante o início das obras do residencial Forma, no Leblon – local onde antes funcionava a Churrascaria Plataforma – foi encontrado no local um painel de Hélio Pelegrino que foi resgatado, estudado, recuperado e catalogado e será devolvido ao terreno na conclusão do empreendimento.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Muito boa a ideia mas não ficou claro o que será da casa propriamente dita. Que tipo de propostas tem para utilização da Casa principal?E os moradores do bairro
    Poderão frequentar os jardins para pegar sol, levar crianças para brincar, adultos se exercitarem. Este é o desejo dos moradores do bairro.

  2. Bom saber da restauração e a preocupação em manter as características originais. Mas não ficou claro para mim, o que farão com a casa do Modesto Leal. O que terá ali ou o que funcionará ali? E qdo falam em
    Projeto sustentável, como vai ser a construção dos prédios (vão cortar árvores!?)E será aberto ao público, ou seja, para mim moradores da região poderão ir lá usar o parque como área de lazer e poder ir lá correr e caminhar, levar crianças para brincar e pegar sol? Porque este é o desejo dos moradores de Laranjeiras. Que tenhamos um parque público, uma necessidade urgente para os moradores deste bairro romântico, bucólico que gosta de preservar e poder participar, de ser incluídos na possibilidade de vivenciar a parte histórica que sempre esteve nas mentes dos laranjeirenses.

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