Papo de Talarico: Veja a andança de Beth Carvalho

Andança de Beth Carvalho
Andança (crédito: Ivan Klingen)

Um dos maiores ícones da música popular brasileira ganhou um documentário: “Andança – Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho”. É um daqueles filmes que emociona e ajuda a entender a história do samba no Rio de Janeiro. Beth gostava de filmar e a maior parte do longa é a partir de suas gravações pessoais. Desde o tradicional Bip Bip, em Copacabana, onde vemos Mário Lago, Moacyr Luz, Walter Alfaiate, e outros, até os estúdios, acabamos conhecendo a Beth cineasta.

O documentário mostra muito da jornada dessa cantora, com participação em concursos musicais e no seu longo trabalho de popularização e, mais que isso, valorização do samba e suas raízes. Sim, ela louva a negritude brasileira e vai nas camadas mais populares buscar as melhores composições. Assim conhece Cartola, e estoura com os sucessos “As Rosas não Falam” e “O Mundo é um Moinho”.

Ainda por cima, vemos o começo de Beth como “Madrinha”. Ela foi levada à quadra do bloco Cacique de Ramos por Alcir Capita, jogador do Vasco da Gama, e, a partir disso, maravilhada, apresentou o Fundo de Quintal ao Brasil. Dali saíram nomes como Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Almir Guineto, e muitos outros. É uma delícia vê-los jovens, começando a ganhar repercussão. Tudo graças a audição apurada de Beth Carvalho. A cantora aparece também como baluarte da democracia, lutando (e cantando) nas Diretas Já, bem como ao lado de nomes históricos como Brizola e Betinho. Ela fazia questão de se posicionar politicamente em favor de uma sociedade mais justa e inclusive lutava por royalties maiores para os compositores.

Da bossa ao samba

Uma das cenas que mais me impressionou do filme foi um show que ela fez com o Fundo de Quintal numa estação de metrô Carioca totalmente lotada. O povo ensandecido canta os sucessos de Beth, a qual começou com a Bossa Nova, mas ao perceber o elitismo ali presente, caiu no samba e levantou esse ritmo, símbolo do Brasil.

Entres os discos de meu velho pai, os quais se perderam na poeira do tempo, lá estavam alguns de Beth Carvalho. Ouvi “Andança” desde minha mais tenra infância. Vagando em verso eu vim e hoje escrevo sobre a Madrinha do Samba com muito orgulho e alegria. Algumas lágrimas caíram enquanto via o filme e meu olhar em festa se fez feliz.

Afinal, “Andança – Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho” chega aos cinemas no dia 2 de fevereiro. Vale o ingresso.

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