“Pessoas não vendem quentinhas nas ruas, elas revendem. É um sistema similar a uma milícia”, alerta subprefeito da Zona Sul

Após ouvir relatos, Flávio Valle, subprefeito da Zona Sul, diz que é necessário entender a “teia” criminosa nas marmitas clandestinas

Refeições para viagem de 12 reais, em média, com direito a frango assado e complementos podem ser suspeitas e são. Em algumas, há até carne, um dos itens mais caros nos mercados. Subprefeito da Zona Sul, Flávio Valle, conta que, ao apreender 200 quentinhas este mês, colheu relatos que fizeram entender que, na verdade, há uma teia criminosa, com indícios de que as quentinhas clandestinas podem conter ingredientes obtidos em roubo de cargas. Ou seja, não é apenas o perigo da falta de procedência dos ingredientes, exposição a efeitos climáticos como sol e chuva ou não ter condições ideais de armazenamento e temperatura, riscos que devem ser evitados, se possível.

Segundo Valle, não existe aquela figura imaginária de uma pessoa que vai a um atacarejo, nome dado aos supermercados que vendem por atacados, e que esquentam o umbigo no fogão para, no dia seguinte, vender na Lagoa. “Trata-se de uma indústria, que produzem grandes quantidades para estas pessoas, que revendem nos pontos pela cidade. É similar a uma milícia e há a preocupação de que este mercado clandestino seja também criminoso. Olha o preço da carne e calcule se daria para fazer uma quentinha de R$ 12 reais. Procedência deve ser de mercadoria roubada, carga roubada”, afirma o subprefeito da Zona Sul, que atribui a desordem à falta de fiscalização na cidade de cinco ou quatro anos atrás, na gestão Marcelo Crivella

Para que as operações deem certo, a velha máxima de quanto menos gente sabendo é melhor, segundo Flávio. “Tentamos não acionar muita gente para não vazar que haverá operação. O tamanho do comboio, por si só, já chama atenção. É de suma importância e causa desemprego em bares e restaurantes”, completa. Bairros como Lagoa, Ipanema e Leblon são os que mais têm demando as ações. Porém, uma equipe do DIÁRIO DO RIO flagrou quatro pontos de venda de quentinhas em Copacabana, bairro que deve atrair turistas em peso, três deles na Rua Rodolfo Dantas, que fica na lateral do Copacabana Palace, e outro com placa grande em um trailer bem na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Inhangá, a poucos metros de um restaurante. “Copacabana também entra no radar, mas precisamos ser discretos, sem comboio grande, pois os vendedores fecham o carro. Então optamos por fazer uma operação menor, porém mais eficaz”, justifica Valle, que alega não acionar a Secretaria Municipal de Ordem Pública para que haja mais flagrantes.

Formada em Comunicação Social desde 2004, com bacharelado em jornalismo, tem extensão de Jornalismo e Políticas Públicas pela UFRJ. É apaixonada por política e economia, coleciona experiências que vão desde jornais populares às editorias de mercado. Além de gastar sola de sapato também com muita carioquice.
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26 COMENTÁRIOS

  1. Simples ora. Observemos os jornais que temos lido, sua capa é a primeira a propagar e enfatizar uma nomenclatura que não existe. A covardia vai além da ação bizarra da prefeitura, mas da propagação desses jornais. Todo dia tu vai ler e participar de comentários por matérias como estas. Eu nunca vi um jornal fazer da atitude correta. “AÇÃO DE PREFEITURA covardemente contra trabalhadores autônomos”

  2. De 100 comentários contra vocês tem 1 apoiando os que vocês fazem

    Então prefeito e subprefeito esses serão os seus votos a favores reepense os seus atos !

  3. se não houver , roubos de carga e continuar a venda de quentinhas, vão culpar quem ??? afinal quem está sendo privilegiado com o impedimento da venda das quentinhas?? quando conseguirem acabar, nunca, com a vendas de quentinhas , vão criminalizar quem leva marmita para o trabalho?

  4. Que reportagem preconceituosa e maldosa. Absurdo total. Os responsáveis por essas falas deveriam ser processados. O trabalhador carioca não tem um minuto de paz. O primeiro comentário desta entrevista está de parabéns! Ponto de vista perfeito!

  5. Com ou sem “quentinhas”, bares, casas noturnas e similares com música e sem isolamento acústico, da Av. Mem de Sá e adjacências, continuam torturando IMPUNEMENTE, madrugada adentro, moradores do Centro do Rio.

  6. A MENTALIDADE DA PREFEITURA DO RIO:

    R$12 É MUITO BARATO PRA UM QUENTINHA… SÓ PODE OBRA DE UMA MILÍCIA RESPONSÁVEL PELOS ROUBOS DE CARGA !!!
    MAS OS PROFESSORES DO MUNICÍPIO PODEM RECEBER OS MESMOS R$ 12 NO SEU VALE ALIMENTAÇÃO PARA A SUA REFEIÇÃO.

    Provavelmente deve ser para que o professor vá comer NA CASA DA MÃE DELE !!!

  7. Alguém diz a esse FDP desse pega de sub prefeito pra ir catar o que fazer….
    A comida acessível, aliás um SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA NA CIDADE, incomoda a donos de restaurantes que vendem comida a preço extorsivos.
    É sempre a mesma merda:
    Um bando de GM pau mandado por algum FDP pra ferra quem trabalha. Seja o trabalhador que busca a refeição, seja quem trabalha vendendo.
    Eu conheço gente que trabalha produzindo as quentinhas, gente honesta, guerreira e trabalhadora….
    MILÍCIA ???
    MILÍCIA É ESSE MERDA DESSE GOVERNADOR DO ESTADO COM BLITZ CATA DINHEIRO O DIA INTEIRO E A NOITE TODA EM TUDO QUE É LUGAR !
    MILÍCIA é esse merda de prefeito maconheiro e a sua GM de bosta achacando, espancando, e extorquindo trabalhador. Roubando mercadoria, tratando gente honesta e trabalhadora como BANDIDO.
    ELES SIM SÃO OS VERDADEIROS BANDIDOS !!!

  8. Muitas coisas pra prefeitura se preocupar, tem muita corrupção politica e empresariais que são os maiores de tds os males, roubos a transeuntes nas ruas, desvios de verbas para tds os lados e fiscais da prefeitura atras de quem vende quentinha pra sobreviver com trocadinhos, isso é vergonhoso, menos senhores.

  9. Acho pouco provável que seja assim. Já comprei várias quentinhas em quase todos da Lagoa, Copa, Leme e nunca, nunca vi nenhuma similaridade entre as comidas de um e de outro. É nítido que não saem do mesmo lugar.

  10. Dê emprego pra essa gente! Tenho 37 anos, sou biólogo com pós e mestrado por faculdade pública, e desde 2019 tô desempregado e vivendo no quarto de empregada nos fundos do AP dos meus pais! Muito fácil condenar e levantar falso testemunho. Eu mesmo, se não fosse pelos meus pais, não sei o que já teria feito.

    • Com esse currículo vocês consegue emprego na área da educação , mesmo começando no ensino fundamental ou médio de um bom colégio. Depois faz prova pra tentar universidade.

  11. O Rio de Janeiro está parecendo a Itália de uns anos atrás tudo tem o dedo da melícia como a máfia Tv a cabo gás tudo eles querem dominar e estão deixando

  12. Sem dúvida, a suposição do subprefeito da Zona Sul tem procedência, mas, por óbvio, merece uma investigação mais aprofundada, inclusive em trabalho conjunto com a polícia civil, ou será que a sociedade deve abrir mão desse processo colaborativo, em face das diferenças político-ideológicas que demarcam os limites de atuação dos dois governantes? Evidente que não.

  13. Excelente os 2 comentários anteriores. Conheço pessoas que vendem quentinhos e compram carnes nas promoções dos grandes mercados da cidade. E não estão tão ” caras”, como diz a reportagem. O feijão ainda está caro. Mas arroz está num bom preço, 5 quilos por, no máximo, 20 reais. Cada marmita leva + ou – ,150 gr. Peso do arroz cru. Legumes tem preços baixo no Ceasa. E para quem não sabe, há uns caixotes para doação. Que muitos donos de sacola,pegam para vender. Macarrão está caro. Mas não o suficiente para que não se compre. Deixem de criminalizar as pessoas que trabalham para sustentar suas famílias. E vamos partir pra investigar os ferro velho 24 horas, porquê tem um monte de bueiro sem tampas nas cidades. E aí sim. E crime vender ou comprar.

  14. Afinal, tudo tem que ser investigado, pra ser comprovado, desde quem são os tais milicianos, passando por interceptação de cargas de carne bovina e outros insumos, toda a cadeia do esquema até chegar no consumidor na zona sul. Porém, acredito que a maioria dos consumidores de quentinhas são trabalhadores de baixa renda que economizam consumindo refeições muito mais baratas que PFs de casas de suco, por exemplo. Interessante que existem aplicativos/sites de vendedores, mas que de fato não emitem comprovantes, notas. É triste porque ao que observo geralmente quem vendem são pessoas jovens, que possivelmente foram afetas economicamente pela pandemia e a recessão que gerou tantos desempregados no país. Procurando sobreviver elas acabam correndo esse risco de penalização fiscal. Eu tenho consumido 1x por semana ou quando estou com pressa e ainda teria que preparar meu almoço. Porém concordo que o preço tão barato surpreende. Mas a quantidade de carne o tamanho das marmitas não é tão grande, são pratos cheios principalmente de arroz e feijão, um pouquinho de batata frita, puré, ou salada de maionese e farofa, macarrão, molho. Tb pedaços nada grandes de carne de peixe e frango. E observo que vendem tudo e rápido o que poderia justificar o baixo preço(atrativo e trás bom retorno). O principal é chegar no topo dessa cadeia.

  15. “marmita clandestina”? em vez de combater a quentinha, por quê não combater o roubo de carga? o vendedor de quentinha vai comprar a carne do local certo. é mais fácil bater no lado fraco da cadeia de fornecimento de frango roubado, criminalizando todos que trabalham nessa área.

    PS: quem como quentinha não come em restaurante e vice-versa. acabem com ela e o povão não vai pro restaurante.

  16. Está na hora do subprefeito da Barra da Tijuca justificar o cargo e começar a também combater isso no bairro. A começar pela Rua Carlos Oswald, onde se concentram cerca de 10 carros vendendo quentinhas diariamente e além de tudo causando caos no trânsito.

    • PQP, quando eu leio UMA MERDA. UMA BOSTA de comentário desse é que eu entendo pq o Brasil é um país de merda…
      Tira essa BOSTA DE COMENTÁRIO IMBECIL que ainda dá tempo !!!!

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